Novo olhar: como é a aparência de Júpiter na luz infravermelha e ultravioleta?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 12 de Maio de 2021 às 18h40
NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill

Júpiter, o maior gigante gasoso do Sistema Solar, é conhecido por suas nuvens coloridas e pela Grande Mancha Vermelha, uma enorme tempestade que ocorre no hemisfério sul do planeta. Mas isso se aplica somente às observações da luz visível, já que o gigante revela características bem diferentes ao ser observado em comprimentos de onda além do que a visão humana pode enxergar. Assim, novas imagens publicadas pelo National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory (NOIRLab) revelam Júpiter na luz visível, ultravioleta e infravermelha.

As imagens em luz visível e ultravioleta foram produzidas com a Wide Field Camera 3, do telescópio espacial Hubble, enquanto o instrumento Near-InfraRed Imager (NIRI), do observatório Gemini North, produziu a imagem em luz infravermelha. Todos os registros foram feitos em 11 de janeiro de 2017, às 12h41 no horário de Brasília, e cada um deles mostra diferentes características do gigante gasoso, além das vantagens da astronomia de comprimentos de onda múltiplos.

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Como Júpiter fica de acordo com a luz infravermelha, visível e ultravioleta (Imagem: Reprodução/International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/NASA/ESA, M.H. Wong and I. de Pater (UC Berkeley) et al.)

Visualizar planetas e outros objetos astronômicos em vários comprimentos de onda permite enxergar o que não seria possível somente com a luz visível. Por exemplo, na imagem em luz infravermelha, a emissão térmica faz com que as áreas mais quentes do planeta fiquem com aparência brilhante e luminosa, pois as regiões têm nuvens mais finas, que indicam a energia térmica abaixo da atmosfera, enquanto as mais frias aparecem em cores mais fracas.

Já no caso da luz ultravioleta, Júpiter fica com tons de rosa e azul, que indicam as diferenças de altitude por lá e ajudam a entender as diferenças de altitude e distribuição de partículas na atmosfera. Assim, as camadas em altitudes mais altas parecem ficar avermelhadas devido à absorção de luz, enquanto as regiões de altitudes mais baixas ficam azuladas por refletir a luz.

Por outro lado, a Grande Mancha Vermelha fica bastante evidente na luz visível e ultravioleta, mas perde todo seu destaque no infravermelho — sua companheira menor, apelidada de Pequena Mancha Vermelha, desaparece quase que completamente neste comprimento de onda. E observar tais tempestades em diferentes comprimentos de onda traz algumas surpresas: as observações em infravermelho mostram áreas cobertas com nuvens espessas, enquanto as imagens em luz visível e ultravioleta indicam onde ficam os cromóforos, partículas que absorvem o azul e a luz ultravioleta, dando o tom característico da Grande Mancha Vermelha.

Além de produzir imagens belíssimas do planeta, essas observações também trazem novas informações sobre o mundo joviano. Registros feitos pelos observatórios Gemini, Hubble e também pela missão Juno, que orbita Júpiter, foram unidos em um estudo e revelaram características de sua atmosfera e das tempestades que acontecem por lá.

Fonte: Science Alert, NOIRLab

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