Hubble, sonda Juno e observatório Gemini se unem para desvendar Júpiter

Por Daniele Cavalcante | 12 de Maio de 2020 às 18h43

Um grupo de cientistas está unindo o poder do Telescópio Espacial Hubble, do Observatório Gemini e da sonda Juno para investigar a misteriosa atmosfera de Júpiter e suas tempestades colossais. O planeta tem raios até três vezes mais energéticos que os nossos, e suas nuvens de tempestades são cinco vezes mais altas que as da Terra.

Felizmente, os raios jupiterianos são como transmissores de rádio, e por isso a Juno pode detectá-los. A cada 53 dias, a sonda realiza um sobrevoo no planeta para coletar alguns dados. Essas informações foram combinadas com observações em vários comprimentos de onda do Hubble e do Observatório Gemini, e o resultado da pesquisa foi publicado em um artigo no The Astrophysical Journal.

Michael Wong, líder da equipe, resumiu o objetivo da pesquisa dizendo que sua equipe quer “saber como a atmosfera de Júpiter funciona”. Não é uma tarefa fácil - o planeta pode conter coisas estranhas como uma camada de hidrogênio metálico líquido, e sua atmosfera está em constante turbulência. Mas com a Juno, os cientistas conseguem obter sinais para mapear os raios, mesmo os que estão escondidos no fundo da gigantesca bolha atmosférica de Júpiter.

Este gráfico mostra observações e interpretações de estruturas de nuvens e circulação atmosférica em Júpiter. Os raios são agrupados em regiões turbulentas, onde há nuvens profundas de águas e onde o ar úmido está subindo para formar altas torres convectivas (Imagem:NASA/ESA/M.H. Wong/A. James/M.W. Carruthers/S. Brown)

Cada vez que Juno se aproxima de Júpiter e capta sinais de rádio, o Hubble e o Gemini registram imagens globais do planeta - o primeiro com imagens de luz visível e o segundo em infravermelho. Essas imagens são essenciais para interpretar e entender os dados da Juno, já que são capturadas no momento em que alguma coisa (provavelmente a queda de um raio) aconteceu por lá. Os dados do Hubble e Gemini podem dizer quão espessas são as nuvens e qual a profundidade dentro dessas nuvens está sendo alcançada.

Assim, as imagens dos telescópios são combinadas e os relâmpagos detectados pela Juno são mapeados nelas. Com esse método, a equipe mostrou como as tempestades de raios estão associadas a uma combinação de três estruturas: as nuvens profundas, feitas de água; grandes torres convectivas, causadas pela ressurgência de ar úmido; e regiões claras possivelmente causadas por afundamento do ar seco fora das torres.

O estudo também analisou uma das características mais intrigantes de Júpiter - manchas escuras dentro da Grande Mancha Vermelha. Elas brilham no infravermelho, o que significa que são, na verdade, buracos nas nuvens, por onde o calor das camadas mais profundas está escapando. "É como uma lanterna", disse Wong. "Você vê luz infravermelha brilhante proveniente de áreas sem nuvens, mas onde há nuvens, é realmente escuro no infravermelho".

Ao combinar observações capturadas quase ao mesmo tempo por dois observatórios diferentes, os astrônomos conseguiram determinar que as manchas escuras na Grande Mancha Vermelha são buracos nas nuvens, em vez de massas de material escuro (Imagem: NASA/ESA/M.H. Wong)

Ao correlacionar os raios jupiterianos com as nuvens profundas de água, os pesquisadores conseguem estimar melhor quanta água há na atmosfera do planeta. Isso é importante porque fornece pistas de como Júpiter se formou. O novo estudo oferece um passo a mais na compreensão de como a atmosfera de Júpiter está estruturada e como ela se comporta.

Fonte: Universe Today

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