Sonda New Horizons descobre asteroides "gêmeos" além da órbita de Plutão

Sonda New Horizons descobre asteroides "gêmeos" além da órbita de Plutão

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Outubro de 2021 às 13h50
NASA

A sonda New Horizons, lançada em 2006 e que ainda envia dados valiosos dos confins do Sistema Solar, revelou que dois asteroides descobertos anteriormente são, na verdade, um sistema binário. Isso significa que se tratam de dois corpos que orbitam um ao outro tão de perto que foram erroneamente considerados um único objeto.

Conhecidos como 2011 JY₃₁ e 2014 OS₃₉₃, os asteroides estão no Cinturão de Kuiper, região do Sistema Solar que começa após a órbita de Netuno e vai até 50 UA do Sol (UA é a sigla para distância astronômica, que equivale à distância média entre o Sol e a Terra), onde se encontra Plutão e outros planetas anões. Ali, o instrumento Long-Range Reconnaissance Imager (LORRI) da New Horizons conseguiu fotografá-los enquanto estava a caminho do bizarro Arrokoth.

Gráfico mostra que os processos de formação de asteroides binários e o de corpos com lóbulos, como o Arrokoth, são bastante parecidos (Imagem: Reprodução/NASA/JHAPL/SwRI)

Embora o LORRI seja um instrumento de alta resolução, não foi fácil observar os dois alvos. A sonda precisou se aproximar bastante, até chegar a menos de 0,3 UA de distância dos objetos. Quando capturou as imagens, estava a cerca de 0,15 UA do JY₃ e 0,09 UA do OS₃₉₃, o que foi suficiente para estudos mais detalhados. Mesmo assim, os cientistas não tiveram uma resolução boa o suficiente para compreender os asteroides em todos os seus detalhes.

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Assim, os pesquisadores compararam os formatos dos alvos com estrelas visíveis ao fundo, para ajudar a decifrar os formatos estranhamente alongados — no universo, os corpos tendem a ter formado arredondado. Quando a equipe ajustou as formas com um modelo de dois corpos binários em órbita estreita, o alongamento observado fez mais sentido. O modelo para o JY₃₁ tinha dois objetos de 50 km de diâmetro e cerca de 200 km um do outro, enquanto o OS₃₉₃ corresponde a um modelo com dois corpos de 30 km de diâmetro afastados por um espaço de 150 km.

Outras observações da New Horizons

A sonda da NASA ainda faz outras investigações no estranho e gélido Cinturão de Kuiper, incluindo outro objeto da família clássica (ou cubewana) fria. Essa família tem membros famosos, como Makemake, Chaos e Arrokoth, e é dividida entre os de órbitas quentes e frias — termos que nada têm nada a ver com a temperatura, e sim por serem objetos alterados ou não ao longo da história do Sistema Solar. Também é uma analogia às partículas em um gás, que aumentam sua velocidade relativa à medida que se aquecem.

Trajetória da New Horizons e órbitas de seus alvos (Imagem: Reprodução/NASA/JHAPL/SwRI)

No caso deste objeto de família clássica fria, analisado pela sonda, ele parece ser relativamente “imperturbado”, então pode ser fonte valiosa de informações sobre o início do Sistema Solar (assim como os próprios objetos binários 2011 JY₃₁ e 2014 OS₃₉₃, que estão localizados na mesma região). A New Horizons também examina outro objeto que é membro da família de "discos dispersos", os objetos do Cinturão de Kuiper que passaram por alguma interação que mudou suas órbitas originais.

A New Horizons já atingiu a marca de 50 unidades astronômicas do Sol, além de ser a primeira espaçonave a sobrevoar Plutão, em 2015, e se tornou a única a fotografar uma outra nave ainda mais distante — a Voyager 1, que já alcançou o espaço interestelar —, a partir do Cinturão de Kuiper. Mas ainda pode haver novas tarefas para a sonda da NASA, já que ainda há combustível para outras aproximações.

O problema para a próxima missão da New Horizons será escolher o alvo, já que não há instrumentos capazes de observar objetos no Cinturão de Kuiper com detalhes o suficiente para determinar se há interesse científico ou não. Além disso, a órbita do cinturão é grande e há muito “nada” entre os objetos, então é preciso selecionar um corpo com sabedoria. Espera-se, no entanto, que os próximos instrumentos, como o Telescópio Espacial James Webb e o Observatório Vera Rubin, possam encontrar um alvo adequado.

Fonte: Sky&Telescope

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