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Molécula “invisível” pode explicar como Vênus perdeu água

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Maio de 2024 às 11h37

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NASA
NASA

Uma molécula recém-descoberta por pesquisadores da Universidade do Colorado pode explicar como Vênus perdeu sua água e se tornou o planeta infernal que vemos hoje. Apesar de ter tamanho e densidade semelhantes à Terra, Vênus é o planeta mais quente do Sistema Solar

Os cientistas acreditam que, há alguns bilhões de anos, Vênus teria tanta água quanto a Terra tem. No entanto, em algum momento na evolução do planeta, as nuvens de dióxido de carbono na atmosfera de lá deram início a um efeito estufa para lá de intenso. 

Foi assim que Vênus passou a ter temperaturas de 740 ºC, suficiente para derreter o chumbo. O mais intrigante é que ainda não se sabe como o planeta se tornou tão desértico e nem como perdeu a pouca água que ainda tinha

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É aqui que entra o novo estudo. “Precisamos entender as condições que sustentam a água líquida no universo e que podem ter produzido o estado muito seco de Vênus hoje”, observou Eryn Cangi, coautor da pesquisa. 

Cangi e seus colegas usaram modelos computacionais do planeta, transformando-o em um grande laboratório de química. Desta forma, eles conseguiram investigar as diferentes reações que acontecem na atmosfera venusiana. 

A equipe descobriu que a molécula HCO+, feita de um átomo de hidrogênio, carbono e oxigênio, pode ter sido a culpada por “expulsar” o que sobrou da água do planeta. "Como analogia, digamos que eu jogue fora a água da minha garrafa", explicou Cangi. "Ainda restariam algumas gotas”, acrescentou. 

Produzida constantemente, a molécula HCO+ estaria removendo estas gotas da atmosfera de Vênus — e não só de lá, pois os autores sugerem que o composto pode também ser o responsável pela perda da água em Marte. Para Vênus ter se tornado um mundo tão quente, o planeta deve ter apresentado um excesso de HCO+. 

Por outro lado, o composto ainda não foi detectado na atmosfera venusiana não porque não exista, mas talvez porque ainda não levamos para lá os instrumentos necessários para identificá-lo. Embora várias missões já tenham sido lançadas a Marte, pouquíssimas foram enviadas a Vênus, e nenhuma delas tinha recursos adequados para encontrar a molécula.

A boa notícia é que diferentes missões devem ser lançadas para lá nos próximos anos. Uma delas é a Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging (DAVINCI), da NASA, com lançamento previsto para 2029; entretanto, a DAVINCI não vai ter recursos para identificar o HCO+ lá, caso exista. Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que alguma missão deve ser proposta para lá — e com instrumentos capazes de detectar o composto. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

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Fonte: NatureColorado University Boulder