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Experimento de cientista brasileira mostra como plantar em Marte

Por| Editado por Luciana Zaramela | 02 de Maio de 2024 às 10h49

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NASA/Pat Rawlings, SAIC
NASA/Pat Rawlings, SAIC

Quando os primeiros astronautas chegarem em Marte, eles vão precisar produzir seus próprios alimentos. Pensando nisso, a astrobióloga Rebeca Gonçalves realizou um experimento com o consorciamento, técnica de produção agrícola que mescla plantas benéficas umas para as outras em uma só lavoura. Os resultados podem ajudar os cientistas a encontrar formas de melhorar a produção de alimentos no Planeta Vermelho.

No estudo, Gonçalves e seus colegas mostraram que não é nada fácil fazer com que as raízes das plantações se desenvolvam no regolito de Marte, rico em minerais e pobre em nutrientes. É aqui que entra o consorciamento: ao trabalhar com diferentes espécies de plantas em uma lavoura, pode ser possível compensar a falta de nutrientes no solo. 

Para investigar os desafios de produzir alimentos em Marte, eles demonstraram o plantio em consorciamento com tomate, ervilha e cenoura, e trabalharam com terra comum, areia comum e uma simulação de regolito marciano. A ervilha, uma leguminosa, foi escolhida porque cresce com bactérias que capturam o nitrogênio do ar para que a planta o absorva pela raiz.

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Assim como aconteceu com o protagonista do longa Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott, eles cultivaram os vegetais em uma atmosfera como a da Terra. As plantas receberam o mesmo ar que os astronautas vão respirar, mas como não vai ser possível levar terra do nosso planeta para lá, o solo usado foi o regolito. 

No fim, os tomateiros mostraram maior crescimento e desenvolvimento de mais frutos. Eles notaram que as plantas dispostas de acordo com o consorciamento mostraram crescimento melhor que aquelas em monocultura. 

Por outro lado, a técnica não foi benéfica para a ervilha e para a cenoura. Segundo a cientista, isso aconteceu porque o regolito marciano é extremamente fino e poeirento, e ficava com textura de argila compacta quando recebia água. “Isso é ruim, porque atrapalha a difusão de oxigênio, de CO2 e de outros gases necessários para as bactérias”, explicou.

Já o plantio em areia relativamente estéril mostrou grande sucesso, e os vegetais ali cresceram muito bem com o consorciamento. Este resultado é uma forma de validar a técnica de plantio para usos em nosso planeta em locais onde o solo foi afetado pela ação humana ou pelas mudanças climáticas

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista PLoS One.

Fonte: O Globo, PLoS One