Com que frequência o Sistema Solar recebe a visita de objetos interestelares?

Por Wyllian Torres | 15 de Março de 2021 às 18h50
ESA/HUBBLE, NASA, ESO, M. KORNMESSER

Em 2017, astrônomos detectaram, pela primeira vez, um objeto vindo de fora do Sistema Solar, o chamado 1I/ʻOumuamua (ou apenas Oumuamua). Quase dois anos depois, outro corpo foi detectado — dessa vez o cometa interestelar 2I / Borisov. E pesquisas recentes apontam que os objetos interestelares (ISO, sigla em inglês) são muito mais comuns e numerosos passando pelo Sistema Solar.

Talvez o maior desafio quando o assunto são objetos vindos de outros sistemas planetários seja determinar a frequência com que essas visitas ocorrem. No caso do Oumuamua, por exemplo, só foi possível saber da sua existência quando já estava praticamente em seu periélio — ponto de sua trajetória mais próxima ao Sol. Por conta disso, pesquisadores e observadores só tiveram cerca de onze dias para estudar o objeto enquanto ele se distanciava, rumo a um destino longe do Sol e fora do alcance de nossos equipamentos de observação.

Segundo novo estudo que reúne pesquisadores da Initiative for Interstellar Studies (i4is), a cada ano, cerca de sete objetos interestelares entram em nosso Sistema Solar, seguindo órbitas capazes de serem previstas durante a passagem.

Além da i4is, a pesquisa envolve pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Flórida, do Instituto de Teoria e Computação de Harvard (ITC), da Universidade do Texas, da Universidade Técnica de Munique e do Observatório de Paris. Em missões futuras, os projetos poderão incluir uma análise em eventuais ISOs passando por aqui. Por serem formados em outros sistemas, a chance de estudar objetos assim poderia oferecer uma boa visão do que acontece naquele ambiente externo. A Agência Espacial Europeia (ESA) pretende lançar a missão Comet Interceptor, em 2028, para visitar um cometa de longo período.

Cometa interestelar 2l/Borisov. À direita, comparativo com a Terra para destacar a tamanho da cauda do cometa (Imagem: Pieter van Dokkum, Cheng-Han Hsieh, Shany Danieli and Gregory Laughlin)

Para o principal autor do estudo, Marshall Eubanks, físico do i4is, diz: “Existem dois tipos básicos de missões aqui - planejar e esperar, ou lançar e esperar. Missões como o Comet Interceptor, da ESA, e missões de perseguição, como as que seriam necessárias para chegar a 1I / 'Oumuamua. É muito improvável que qualquer missão de perseguição consiga se encontrar com um ISO em retirada — isso quase certamente será restrito a voos rápidos. Missões para coincidir com as velocidades e orbitar ou pousar no ISO precisarão de um aviso prévio”.

No estudo, Eubanks e seus colegas procuraram demarcar bem como a velocidade de um objeto interestelar é influenciada pelo padrão local de repouso (LSR) — o movimento médio da Via Láctea na região vizinha ao Sol. “Usamos os dois ISOs conhecidos, 1I / 'Oumuamua e 2I / Borisov, e a eficiência de pesquisas astronômicas passadas e atuais para estimar o número desses objetos na galáxia, e estimativas de velocidade estelar da missão Gaia para estimar a propagação de velocidade que nós deve esperar”, acrescenta o pesquisador.

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Em média, o Sistema Solar seria visitado por até sete ISOs semelhantes a asteroides, sendo que objetos parecidos com o 2I / Borisov, cometas, seriam mais raros — um a cada 10 ou 20 anos. A pesquisa também indica que muitos desses objetos estariam se movendo mais rapidamente que o Oumuamua, que estava a mais de 26 km/s antes e depois de passar pelo Sol. Parâmetros assim serão fundamentais na hora de preparar missões totalmente voltadas para o encontro e estudo de ISOs.

Os estudos de objetos interestelares são essenciais para o preparo das futuras missões interplanetárias — conhecer de quais sistemas esses objetos se originaram e entender quais as condições de um outro lugar além das fronteiras do Sol antes mesmo de chegarmos lá.

O estudo com maiores detalhes sobre as previsões de Objetos Interestelares pode ser consultada no site da Cornell University.

Fonte: Science Alert

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