Oumuamua pode ser o resto de um cometa interestelar que se desintegrou

Por Patrícia Gnipper | 04 de Fevereiro de 2019 às 21h40
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Ainda que a possibilidade de o Oumuamua ser uma nave ou sonda alienígena enviada para nos estudar não seja 100% descartada, é mais provável que o objeto que visitou o Sistema Solar em 2017 e intrigou a comunidade científica seja, na verdade, restos de um cometa que se desintegrou, de acordo com um novo estudo conduzido pelo astrônomo Dr. Zdenek Sekanina, da NASA.

Ele sugere que o Oumuamua seja o remanescente de um cometa interestelar que se despedaçou antes de fazer sua passagem mais próximo do Sol (o chamado periélio), deixando para trás esse fragmento rochoso que vagou pelo nosso sistema. O astrônomo trabalha no Jet Propulsion Laboratory há quase 40 anos e, lá, se especializou no estudo de cometas, meteoros e poeira estelar.

Em seu novo estudo, Sekanina mostra indícios de sua proposta quanto à origem do Oumuamua e, para isso, usou uma pesquisa anterior do também astrônomo John E. Bortle que indicava como cometas fracos em órbitas quase parabólicas provavelmente se desintegram ao se aproximar do Sol, antes de atingir o periélio. Outras pesquisas também indicam que, em alguns casos, um fragmento de proporções consideráveis pode ser deixado para trás — e é isso o que pode ter acontecido com o Oumuamua.

Sekanina diz que fragmentos grandes que se despedaçam de cometas pode ter formatos exóticos e propriedades peculiares, incluindo porosidade extremamente alta, tudo isso como resultado do curso de eventos de desintegração. E o que já é sabido, com certeza, sobre o Oumuamua, bate com essa descrição.

Uma das primeiras certezas que tivemos sobre o objeto foi seu formato estranho, comparado a um charuto, graças a observações do Very Large Telescope, com a equipe determinando que o objeto era alongado e provavelmente composto de material rochoso. Então, no ano passado, descobriu-se que o Oumuamua girava caoticamente, o que não acontece com pequenos asteroides. Na época, sugeriu-se que isso poderia ser resultado de colisões pelo espaço, mas com base na visão de Sekanina, esse giro desgovernado pode ser justamente resultado da desintegração do objeto original.

Sekanina também fez comparações com dois cometas conhecidos que se desintegraram quando atingiram o periélio e, em ambos os casos, a desintegração envolveu um evento explosivo e a liberação de uma rocha porosa e grandalhona sem a liberação de gás. E isso é consistente com as observações feitas do Oumuamua, cuja aceleração ao sair do Sistema Solar não foi vinculada a uma saída de gás (como acontece com cometas inteiros). Se a composição do objeto incluísse materiais voláteis (água, dióxido de carbono, metano, amônia, etc.), como acontece em um cometa, o Oumuamua liberaria gás à medida em que se aproximasse do Sol, com essa liberação sendo visível daqui da Terra por meio de telescópios.

De qualquer maneira, ainda que o estudo de Sekanina faça sentido (mais sentido do que estudos anteriores indicando que o objeto seria uma sonda alienígena), estudos adicionais ainda são necessários para descobrir exatamente do que se trata o ainda misterioso objeto, e como foi que ele veio parar no Sistema Solar.

Fonte: Phys.org

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