2I/Borisov | O que sabemos até agora sobre o novo visitante interestelar

Por Daniele Cavalcante | 16 de Outubro de 2019 às 22h40

Desde a descoberta do cometa 2l/Borisov, um cometa interestelar que está de passagem em nosso Sistema Solar, alguns astrônomos têm se dedicado bastante a estudar o objeto. Há uma semana, foi descoberta uma emissão de gás, algo importante para que os cientistas descubram a composição do objeto, mas um um novo estudo aponta que ele não é muito diferente dos cometas que fazem parte das nossas vizinhanças.

Muitos artigos sobre 2l/Borisov foram publicados por pesquisadores, o que é natural acontecer quando um objeto tão interessante aparece nas lentes dos telescópios. As descobertas apresentadas pela comunidade científica podem ser difíceis de serem reunidas, mas um novo artigo publicado na revista Nature Astronomy oferece um resumo útil do que se sabe até agora sobre esse visitante.

Imagem do 2l/Borisov capturada pelo telescópio Hubble (Foto: NASA/ESA/D. Jewitt (UCLA))

Em primeiro lugar, o estudo confirma que o Borisov é, de fato, interestelar - ou seja, não faz parte do grupo de cometas que orbitam o Sol. Os astrônomos também fotografaram o corpo celeste nos dias 10 e 13 de setembro, usando o telescópio William Herschel em La Palma, na Espanha, e o telescópio Gemini North, no Havaí. Essas imagens deram à equipe uma noção inicial de como é este cometa.

Além disso, assim como outros estudos, o novo artigo também determinou que o cometa se parece muito com os cometas que nascem no Sistema Solar. Também foi incluso na pesquisa um terceiro trabalho, que estima o tamanho do núcleo rochoso do 2l/Borisov, ou seja, a parte que está por baixo do coma - a atmosfera que se forma ao redor do bloco de gelo que evapora devido à radiação solar. Se a conclusão anterior for precisa e o Borisov não for muito diferente dos outros cometas que conhecemos, seu núcleo deve ter cerca de 2 quilômetros de largura.

Contribuição do telescópio Hubble

O telescópio espacial Hubble também deu uma olhadinha no 2I/Borisov, e confirma que o visitante se parece muito com os cometas do nosso próprio Sistema Solar. As observações mostram que a poeira, a estrutura e a composição química do objeto interestelar são bem semelhantes com o que já conhecemos sobre cometas por aqui.

Essa informação pode ser um pouco desanimadora para quem esperava por algo mais, digamos, impactante, mas ela é muito útil para aprendermos mais sobre os outros sistemas estelares.

No entanto, o 2l/Borisov tem uma característica um pouco menos comum: sua órbita. Enquanto os cometas que conhecemos têm órbitas geralmente elípticas - ou seja, uma trajetória oval bem esticada, com uma rápida passagem perto do sol e depois seguindo de volta rumo aos limites do Sistema Solar -, o 2l/Borisov tem uma órbita hiperbólica, formato semelhante ao de um arco aberto. Isso porque ele está passando brevemente no Sistema Solar antes de partir para sempre.

Mas, antes de ir embora, o visitante ainda dará algum tempo para que os astrônomos possam fazer novas observações: os cientistas têm cerca de um ano para estudar o cometa enquanto ele ainda está ao nosso alcance.

Fonte: Space.com (1) e (2), NASA

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