China quer estabelecer uma estação de energia solar na órbita da Terra até 2050

China quer estabelecer uma estação de energia solar na órbita da Terra até 2050

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 29 de Junho de 2021 às 08h15
NASA

A China segue com seus planos de se tornar uma potência mundial em tecnologia e ciência. Durante uma palestra realizada no último dia 23 de junho, na Universidade Politécnica de Hong Kong, o engenheiro Qi Fahzi, projetista-chefe da espaçonave chinesa Shenzhou, revelou que o país pretende construir uma grande estação de energia solar na órbita da Terra e, para isso, contará com o foguete Long March 9, já em desenvolvimento.

O projeto tem como principal objetivo estabelecer uma grande área de coleta de energia solar. Entre as vantagens, uma estação de energia em órbita da Terra estaria livre das interferências da atmosfera e também sazonais — por exemplo, no inverno temos menos horas de luz solar disponível. Então, a energia obtida seria transmitida para o solo por meio de micro-ondas ou lasers. Além de fornecer energia em grande escala, a estação também ajudaria na questão de escassez de recursos energéticos em solo.

Qi Fazhi, principal projetista da espaçonave chinesa Shenzhou, durante simpósio na Universidade Politécnica de Hong Kong (Imagem: Reprodução/Ta Kung Pao)

Segundo Long Hao, projetista-chede da série de foguetes chineses Long March, numerosos lançamentos com o foguete Long March 9 serão necessários para construir as instalações de energia solar a mais de 35 mil quilômetros acima da superfície terrestre. De acordo com Long, o projeto da estação começaria já em 2022, com um teste de geração de energia em pequena escala, enquanto uma instalação de energia de nível megawatt por volta de 2030.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Já a comercialização de energia de nível gigawatt seria realizada em 2050. Para isso, estima-se mais de 100 lançamentos do Long March 9 e cerca de 10 mil toneladas de materiais de infraestrutura. O ambicioso projeto de energia solar em órbita prevê uma área de coleta de quilômetros quadrados, além de um grande subsistema de transmissão de energia por micro-ondas. No entanto, tanto Long quanto Qi reconhecem os grandes desafios pela frente, como a viabilidade econômica e custos de fabricação, bem como a eficiência e segurança da transmissão de energia.

Lançamento do Chang'e 5 pelo foguete Long March 5, atualmente o mais potente da China, em novembro do ano passado  (Imagem: Reprodução/Jeff Dai/TWAN)

Projetos como este já foram considerados por outros países como Estados Unidos e Japão, e até mesmo a China listou a energia solar baseada no espaço em um programa de pesquisa em 2008. Desde 2019, a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, em inglês) tem construído uma base de testes no município de Chongqing, na região sudoeste do país, com o propósito de pesquisar a transmissão de energia sem fio de alta potência.

Para o lançamento, o Long March 9 sofrerá algumas mudanças, como a substituição dos atuais motores usados no foguete por 16 motores do novo modelo YF-135. Com isso, a capacidade de carga aumentaria de 140 toneladas métricas para a órbita terrestre baixa (LEO, sigla em inglês) para 150 toneladas. Já a capacidade para um lançamento à Lua aumentaria de 50 toneladas para 53. Enquanto uma versão de dois estágios fosse usada para LEO, uma de três estágios seria destinada a órbitas mais distantes. Mais detalhes sobre a estação, no entanto, ainda não foram divulgados.

Fonte: SpaceNews

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.