Booster de foguete russo antigo reentrará na atmosfera na semana que vem

Booster de foguete russo antigo reentrará na atmosfera na semana que vem

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 06 de Agosto de 2021 às 16h38
ESA/NASA/Thomas Pesquet

Na próxima segunda-feira (9), o antigo impulsionador russo Fregat-SB está previsto para reentrar na atmosfera da Terra, queimando sobre o Oceano Índico. O estágio foi uma importante peça para colocar o observatório de rádio russo Spektr-R em órbita, em 2011.

Com cerca de 1,5 tonelada, o Fregat-SB foi responsável por colocar o Spektr-R em uma órbita elíptica, como parte do programa RadioAstron, do governo russo. Depois de uma década perambulando ao redor da Terra, o booster de foguete está previsto para reentrar próximo de seu perigeu — ponto de sua órbita mais próxima do planeta —, por volta das 13h26 (horário de Brasília), de acordo com o Centro de Operações Espaciais Combinadas dos EUA.

O estágio superior Fregat consiste em 6 tanques esféricos (Imagem: Reprodução/GK Launch Services)

A missão Spektr-R foi lançada no dia 18 de julho de 2018 a partir do Cosmódromo de Baikonur, a bordo do foguete Zenith-3F. O objetivo do observatório foi observar fontes de rádio dentro e fora da nossa galáxia, a partir da interferometria combinada com um conjunto de radiotelescópios baseados em terra. O satélite completou sua missão muito além dos cinco anos inicialmente planejados, tornando-se inoperante em 11 de janeiro de 2019.

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O rastreador de satélites Goran Gašparović diz que o Spektr-R é facilmente observável quando ele passa próximo à Terra, dependendo de sua magnitude que varia de acordo com a posição da antena. Já o impulsionador Fregat-SB foi usado em missões russas desde 2000, totalizando 91 lançamentos até agora. Apesar do sucesso, no entanto, o estágio apresentou algumas falhas significativas em seu passado recente — tanto que condenou a missão Phobos-Grunt, destinada a visitar a lua marciana Fobos, em 2012.

Concepção artística do rádio telescópio Spektr-R (Imagem: Reprodução/NPO Lavochkin)

O evento da próxima semana marca uma série de reentradas observadas nos últimos anos, como a reentrada do observatório OGO1, da década de 1960, que adentrou a atmosfera em 20 de agosto do ano passado. Ou a reentrada do estágio do foguete Long March, utilizado para a implementação da estação espacial chinesa Tianhe.

De acordo com especialistas, a atividade solar contribuir para que mais eventos assim ocorram. Segundo Gašparović, o aumento da atividade do Sol infla a atmosfera superior da Terra, aumentando o arrasto atmosférico sobre os satélites. “A reentrada será em um ângulo mais íngreme do que OGO 1, portanto, não veremos as grandes perturbações da órbita pelo arrasto atmosférico nos últimos perigeus”, acrescenta.

Fonte: Sky & Telescope

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