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Análise microscópica em meteorito pode revelar parte do impacto que formou a Lua

Por| Editado por Patricia Gnipper | 25 de Fevereiro de 2022 às 19h00

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Craig Walton
Craig Walton

O meteorito de Chelyabinsk, que chamou a atenção do mundo ao cair na cidade russa em 2013, pode conter pistas sobre o poderoso impacto com a Terra que teria dado origem a Lua, há bilhares de anos. O estudo, liderado pela Universidade de Cambridge, combinou datação e análise microscópica do fragmento espacial para montar a cronologia desses eventos.

A pesquisa se valeu de uma nova maneira de datar colisões em meteoritos a partir da análise microscópica de mineiras em seu interior. Ainda são necessárias mais investigações, mas a técnica pode ajudar a remontar o conturbado início do Sistema Solar.

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No início do Sistema Solar, os planetas, incluindo a Terra, formaram-se a partir de enormes colisões entre asteroides e protoplanetas. No entanto, as evidências desses impactos são tão antigas que foram apagadas da superfície do planeta, graças à ação do clima e a dinâmica tectônica.

Por isso, a melhor maneira de estudar esse passado bastante remoto é analisar fragmentos de asteroides, como os meteoritos, os quais se mantêm praticamente inalterados no espaço, “tornando-os fiéis guardiões do tempo de colisões”, conforme acrescentaram os pesquisadores.

Analisando minerais do meteorito de Chelyabinsk

A datação por urânio-chumbo, feita anteriormente no meteorito, revelou duas idades de impacto: o mais antigo com 4,5 bilhões de anos e o mais recente com 50 milhões de anos. Mas essas idades não eram tão claras, pois colisões posteriores podem ter apagado parte desses registros temporais.

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Por isso, a equipe analisou os minerais de fosfato encontrados na rocha espacial. Isso porque, a cada impacto, as pistas foram acumuladas nos minerais. Dessa maneira, foi possível não apenas distinguir as datas dos eventos, mas coloca-las em ordem cronológica.

As análises revelaram que os minerais contendo a impressão da colisão mais antiga foram fragmentados em cristais ainda menores, sob altas temperaturas e pressões. Além disso, alguns desses fosfatos foram quebrados em um impacto menor, sob pressões e temperaturas baixas.

Esse segundo impacto registra uma idade bem menor do que os 50 milhões de anos estimados anteriormente. Provavelmente, foi esse evento que lascou um pedaço do asteroide que abrigava o meteorito de Chelyabinsk e o colocou em direção à Terra.

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A data de impacto de 4,5 bilhões de anos é o que mais se destacou, porque, nessa época, a Terra e Lua teria se formado a partir de uma colisão entre dois corpos planetários. A descoberta também apoia sugestões anteriores de que muitos asteroides sofreram violentas colisões entre 4,48 e 4,44 bilhões de anos atrás.

Esse período de intensas colisões seria explicado pela migração de planetas como Júpiter e Saturno, que se formaram mais distantes do Sol e se aproximaram dele ao longo do tempo. A pertubação gravitacional teria lançado um grande número de rochas para o interior do Sistema Solar.

A pesquisa foi apresentada no periódico Communications Earth & Environment.

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Fonte: Communications Earth & Environment, Via University of Cambridge