Há cerca de 300 mil meteoritos ainda não encontrados na Antártida

Há cerca de 300 mil meteoritos ainda não encontrados na Antártida

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Janeiro de 2022 às 17h20
henrique setim/Unsplash

Pode haver centenas de milhares de meteoritos na Antártida. Sozinho, o continente parece conter mais de 600 regiões potencialmente ricas em rochas espaciais, sendo que várias delas ainda não foram exploradas. Essa é a conclusão de um novo estudo, em que pesquisadores usaram uma inteligência artificial (IA) para analisar a superfície da Antártida para, assim, tentar identificar as zonas com maiores chances de conter meteoritos.

A maior parte dos meteoritos recuperados na Terra são encontrados na Antártida, continente com condições frias e secas o suficiente para ajudar a preservar estas rochas espaciais. Ao cair por lá, os meteoritos costumam pousar em regiões cobertas por neve, que se acumula com o tempo. Chega um momento em que a neve acumulada se transforma em gelo, retendo as rochas no interior de lençóis congelados que correm para as margens do continente.

Meteorito Allan Hills 84001, encontrado na Antártida em 1984 (Imagem: Domínio público)

Dentre os meteoritos presos no gelo, a maioria deles acaba indo para o oceano. Alguns deles chegam à superfície dos lençóis, nas chamadas áreas de “gelo azul”, que ficam com esta cor graças à ação do vento e de outros fatores. Inclusive, quase todos os meteoritos já encontrados na Antártida estavam em áreas de gelo azul. Como essas descobertas ocorreram através de uma mistura de sorte e expedições com altos custos, os autores do estudo desenvolveram uma nova estratégia.

Possíveis localizações dos meteoritos na Antártida

No estudo, eles utilizaram um software de inteligência artificial para analisar dados da superfície da Antártida em busca de regiões com chances altas de conter meteoritos, com base nas similaridades com aquelas onde as rochas já foram encontradas em outros momentos. Como resultado, o programa mostrou, com alta precisão, quase 83% das zonas ricas em meteoritos já identificadas.

Além disso, a IA mostrou mais de 600 zonas potencialmente ricas em meteoritos, incluindo várias que ainda não foram exploradas. Destas, algumas estão relativamente próximas de estações de pesquisa no continente. “Ao visitar estas localidades e usar novas técnicas de recuperação, como levantamentos com drones, estamos prestes a entrar em uma nova era das missões de recuperação de meteoritos na Antártida”, explicou Veronica Tollenaar, principal autora do novo estudo.

Mapa com localizações potencialmente ricas em meteoritos, produzido com a inteligência artificial (Imagem: Reprodução/Veronica Tollenaar)

As descobertas sugerem que mais dos 45 mil meteoritos já recuperados na Antártida representam, no máximo, 13% da quantidade existente por lá. “Nossos cálculos sugerem que mais de 300 mil meteoritos ainda estão na superfície de um lençol de gelo”, disse Tollenaar. Vale lembrar que a IA não é 100% precisa e pode levar os pesquisadores a explorarem uma área promissora, mas vazia. Mesmo assim, a autora considera que, caso isso aconteça, os dados podem ajudar a refinar o programa para torná-lo mais eficiente no futuro.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science Advances. Você também pode explorar os resultados da pesquisa em um site interativo, clicando aqui. Ele inclui também o acesso a um “mapa do tesouro”, com indicações de lugares que possam ter meteoritos.

Fonte: Science Advances; Via: Space.com

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