Estudo sugere uma nova linha do tempo para eventos planetários do Sistema Solar

Por Daniele Cavalcante | 16 de Agosto de 2019 às 08h40

Cientistas no geral concordam que os planetas do nosso Sistema Solar se formaram há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando colisões violentas entre objetos rochosos e proto-planetas ainda eram comuns no caos que reinava ao redor do Sol. Porém, a história do nosso sistema pode ser reescrita. É que um novo estudo sugere que os fenômenos desses primeiros momentos da formação planetária ocorreram muito antes do que imaginávamos.

Nesse trabalho, os pesquisadores sugerem que os maiores planetas do Sistema Solar teriam se afastado na nossa estrela muito antes do que os cientistas pensavam anteriormente. Essa nova perspectiva pode ajudar no estudo sobre a origem da vida na Terra. Liderada pelo geólogo Stephen Mojzsis, da Universidade do Colorado em Boulder, a equipe estudou meteoritos e usou modelos computacionais.

O resultado foi a estimativa de quando aconteceu o fenômeno conhecido como "grande migração planetária" — estágio na evolução do Sistema Solar no qual os planetas maiores começaram a se afastar do Sol. “Pensamos que a migração de planetas gigantes deve ter ocorrido para explicar a atual estrutura orbital do Sistema Solar externo”, disse Mojzsis. “Mas, até este estudo, ninguém sabia quando isso aconteceu.” Bem, a equipe de Mojzsis acredita ter resolvido esse mistério: o estudo sugere que a grande migração ocorreu 4,48 bilhões de anos atrás.

Essas conclusões também sustentam a idéia de que a Terra poderia estar calma o suficiente para suportar a vida há 4,4 bilhões de anos, muito antes do que os 3,5 bilhões de anos que antes acreditava-se ser o período em que a vida na Terra surgiu. "Descobrimos que não há nada que impeça a origem da biosfera e sua sobrevivência contínua desde pelo menos 4,4 bilhões de anos atrás", disse Mojzsis. Para chegar a essas conclusões, Mojzsis e sua equipe estudaram dados de meteoritos, já que os asteroides são mais antigos que a formação planetária.

Além disso, a equipe também descobriu algumas coisas interessantes sobre as rochas lunares trazidas pelos astronautas do programa Apollo, da NASA. Anteriormente, cientistas suspeitavam que um impacto lunar ocorreu há 3,9 bilhões de anos, porque essa parecia ser a idade das rochas encontradas por lá. “Acontece que a parte da Lua em que pousamos é muito incomum”, disse Mojzsis. “É fortemente afetada por um grande impacto, a Bacia Imbrium, que tem cerca de 3,9 bilhões de anos e afeta quase tudo o que pegamos como amostras”, explica.

Ele disse ainda que, embora as rochas pareçam ter apenas 3,9 bilhões de anos, suas idades radioativas foram provavelmente "redefinidas". Isso parece ter acontecido devido ao derretimento causado por um grande bombardeio que atingiu tanto a Lua quanto a Terra, na época da grande migração, de acordo com Mojzsis. Esse bombardeio teria sido iniciado pelos planetas gigantes do Sistema Solar, que na época estavam muito mais próximos uns dos outros do que hoje.

Além de analisar a partir de um amplo banco de dados de meteoritos que caíram na Terra, a equipe também usou simulações de computador para mostrar que os planetas gigantes começaram a se mover em direção às suas posições atuais no Sistema Solar há cerca de 4,48 bilhões de anos. No processo, eles deixaram um rastro de destroços, dentre os quais alguns atingiram a Terra e a Lua.

Este estudo foi publicado em 12 de agosto, e você pode conferir no The Astrophysical Journal.

Fonte: Space.com

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