50 anos da Apollo 15: como foi a missão que levou o primeiro "carro" à Lua

50 anos da Apollo 15: como foi a missão que levou o primeiro "carro" à Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Julho de 2021 às 12h30
Domínio público

Nesta sexta-feira (30), completam-se 50 anos do pouso da missão Apollo 15 na Lua, planejada para enfatizar o trabalho científico em nosso satélite natural. Os astronautas David Scott, Alfred Worden e James Irwin foram lançados com destino à Lua em 26 de julho de 1971 e fizeram história ao passar, até então, o período mais longo na superfície lunar, além de realizar três caminhadas espaciais e até se deslocar na Lua com um “jipe lunar”. A Apollo 15, por sinal, foi a primeira a levar um veículo explorador à superfície lunar.

O programa Apollo começou em 1961 e contou com diversas outras empreitadas, como a célebre Apollo 11, a primeira a pousar astronautas na superfície lunar, em 1969. Contudo, na época do lançamento da 15º missão Apollo, o interesse público e o apoio político ao programa tinha diminuído bastante. Ironicamente, isso não foi algo totalmente ruim, já que essas condições permitiram que a Apollo 15 fosse pioneira no que diz respeito à ciência. Com os cortes orçamentários que resultaram no cancelamento de algumas missões, a NASA teve que antecipar expedições de grande ambição científica.

A primeira dessas, classificadas como "missões de classe J", foi a Apollo 15, que marcou o início das missões mais desafiadoras já planejadas pela agência espacial estadunidense — tanto que foi nela que a tripulação passou cerca de 18 horas trabalhando na superfície da Lua, o período mais longo em nosso satélite natural até aquele ano. Como o foco desta vez era a ciência, os astronautas passaram por um longo treinamento voltado para o trabalho geológico, e tiveram várias horas em campo aprendendo a identificar diferentes tipos de rochas e formações geológicas.

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A missão Apollo 15

No dia 26 de julho de 1971, o foguete Saturn V deixou a plataforma 39A, do Kennedy Space Center, levando o comandante David R. Scott, o piloto do módulo de comando Alfred M. Worden e James B. Irwin, que serviu como piloto do módulo lunar. Após uma queima de quase três minutos, o primeiro estágio do veículo foi liberado; o segundo continuou impulsionando o veículo em uma trajetória de ascensão. Depois, foi a vez do terceiro estágio do foguete entrar em ação com uma queima de dois minutos e meio, que colocou a Apollo 15 em uma órbita circular estacionária em torno da Terra.

O lançamento da Apollo 15 (Imagem: Reprodução/NASA)

A nave ainda passou algumas horas acoplada ao terceiro estágio do foguete, e o Controle da Missão logo autorizou a injeção translunar, momento em que aconteceu a segunda queima do terceiro estágio para impulsionar a Apollo 15 à Lua. Após três dias de viagem, Scott Worden e Irwin alcançaram a órbita lunar no dia 29 de julho, quando começaram a se preparar para pousar em Hadley-Apenino, uma região que fica no lado visível do nosso satélite natural. O local é descrito pela NASA como "de beleza espetacular", mas ali havia algo ainda mais importante: um tesouro geológico formado por montanhas, crateras e Hadley, um grande cânion.

O módulo lunar Falcon pousou na Lua no dia 30 de julho e se manteve por lá até o dia 2 de agosto. Nesse intervalo, Scott e Irwin realizaram atividades de exploração lunar e Worden se manteve na órbita, a bordo do módulo Endeavour. As atividades foram relacionadas, principalmente, à ciência. Assim, dentre os objetivos da missão, estavam a exploração de Hadley-Apenine, preparar e ativar experimentos científicos, avaliar o desempenho dos novos equipamentos Apollo, realizar experimentos orbitais e cumprir tarefas fotográficas.

Eles tiveram três períodos de atividade extraveicular, nos quais Scott e Irwin realizaram 18 horas de atividades — incluindo explorações em deslocamentos mais longos proporcionados pelo veículo explorador lunar, uma espécie de jipe que foi o primeiro veículo já guiado por humanos em nosso satélite natural. Com o veículo, eles puderam viajar por cerca de 29 km e coletar quase 80 kg de amostras lunares, que são estudadas até os dias de hoje e continuam proporcionando descobertas sobre a Lua.

Uma das amostras coletadas durante a missão, formada por fragmentos de basalto (Imagem: Reprodução/NASA)

No dia 2 de agosto, chegou o momento de voltar para casa. Assim, o módulo Falcon ativou o motor do estágio descendente e deixou a superfície lunar, para realizar a acoplagem com o módulo de comando Endeavour. O procedimento ocorreu com sucesso e, após 12 dias de viagem, a Apollo 15 fez uma amerrissagem no Oceano Pacífico, em um ponto ao norte de Honolulu, no Havaí. A tripulação retornou em segurança, mas, durante as etapas finais da descida, um dos paraquedas do Endeavour não abriu corretamente e o retorno ocorreu a uma velocidade um pouco acima do planejado.

A tripulação da Apollo 15

A tripulação da Apollo 15 foi anunciada pela NASA em 26 de março de 1970, contando com David R. Scott, Alfred M. Worden e, por fim, James B. Irwin. Os três já haviam servido como pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos, sendo que Scott já tinha também atuado como piloto na missão Gemini 8 e piloto do módulo de comando na Apollo 9. Assim, a Apollo 15 foi a terceira experiência que ele teve no espaço, enquanto Worden e Irwin serviram em suas primeiras missões espaciais.

Da esquerda para a direita, os astronautas James Irwin, David Scott e Alfred Worden (Imagem: Reprodução/NASA)

Assim que pousaram, os astronautas preferiram dormir um pouco para recuperar as energias para a missão. Depois do descanso, Scott e Irwin desceram pela escada do Falcon, observaram a região e colocaram "a mão na massa" para montar o veículo que usariam para se deslocar na Lua. A experiência de dirigir em nosso satélite natural não foi exatamente suave, já que a superfície lunar é irregular e cheia de pedras. Eles conseguiram coletar 77 kg de rochas lunares, volume equivalente a quase o dobro daquele obtido durante a Apollo 14. Isso foi possível graças ao veículo explorador lunar, que proporcionou um grande alcance para a exploração da superfície e coleta de materiais.

Já Worden contribuiu com descrições do que estava observando da órbita lunar, a bordo do módulo de comando — incluindo várias descrições da cratera de Littrow, que acabou se tornando o destino dos astronautas da Apollo 17. No dia 5 de agosto, já durante o retorno à Terra, ele se tornou o primeiro humano a realizar uma atividade extraveicular no espaço profundo: Worden deixou o módulo de comando, recuperou fitas em outro local da nave e retornou a ele. A operação inteira levou apenas 18 minutos, sendo que havia uma hora reservada no plano de voo para isso.

Alan Shepard marcou a Apollo 14 com as tacadas em bolinhas de golfe, enquanto os tripulantes da Apollo 15 realizaram um experimento diferente: Scott fez uma demonstração transmitida para a Terra, em que soltou um martelo e uma pena de falcão juntos na superfície da Lua. No fim, os dois objetos pousaram juntos, o que provou que as ideias de Galileu Galilei sobre a aceleração de objetos na gravidade estavam corretas. O Centro de Controle da missão comemorou o experimento e, quando a pena e o martelo chegaram ao solo, Scott comentou: "nada como um pouco de ciência na Lua".

Confira o experimento:

Além disso, eles deixaram na Lua uma pequena estátua chamada Fallen Astronaut, acompanhada por uma placa de homenagem com os nomes de astronautas que faleceram. Um pouco antes de deixar a órbita lunar, a tripulação lançou o satélite Particles and Fields, criado para investigar a massa e as variações gravitacionais da Lua, a composição das partículas do espaço próximo da superfície lunar e a interação do campo magnético lunar com aquele que envolve a Terra.

Os astronautas da Apollo 15 deixaram nosso satélite natural no dia 2 de agosto, após 18 horas de atividades — com direito a uma transmissão, que foi proporcionada pela câmera instalada no rover lunar. Eles chegaram à Terra no dia 7 de agosto, trazendo rochas para estudos e celebrando o recorde do maior tempo na órbita lunar até aquele ano, e também fornecendo dados para a NASA planejar missões ainda mais ambiciosas quando o assunto é a exploração do espaço.

Fonte: NASA (1, 2), Space.com, Astronomy

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