Rochas coletadas nas Apollo 15 e 17 revelam pistas do que há no interior da Lua

Rochas coletadas nas Apollo 15 e 17 revelam pistas do que há no interior da Lua

Por Danielle Cassita | 25 de Fevereiro de 2021 às 18h15
Juhasz Imre/Pexels

Durante as missões do programa Apollo, da NASA, os astronautas coletaram amostras de rochas lunares que foram trazidas para análise em Terra. Agora, ao analisar o material trazido pelas missões Apollo 15 e 17, entre 1971 e 1972, uma equipe de cientistas encontrou uma assinatura de isótopo que indica a ocorrência de eventos geológicos na história recente da Lua, como a formação de seu núcleo e a cristalização do oceano de magma. 

Segundo Alberto Saal, co-autor do estudo, por muito tempo foi considerado que as amostras de rochas basálticas lunares tinham variação limitada na proporção de isótopos de enxofre, o que deveria indicar que o interior da Lua possui composição homogênea do isótopo. Agora, no estudo, eles mostraram que os vidros vulcânicos analisados possuem, na verdade, bastante variação na proporção, que pode ser explicada pelos eventos que ocorreram na história recente lunar.

A Apollo 17 pousou na região de Taurus-Littrow, escolhida por suas rochas mais antigas e jovens que aquelas das outras missões (Imagem: Reprodução/NASA/Kevin M. Gill)

Eles trabalharam com a composição do isótopo de enxofre porque ela pode revelar detalhes sobre a evolução química da lava que, um dia, fluiu pela Lua. Assim, eles analisaram 67 amostras de vidro vulcânico com inclusões de lava que foram trazidas durante as missões Apollo, que podem representar alguns dos materiais vulcânicos mais primitivos presentes em nosso satélite natural. Essas inclusões são pequenas bolhas de lava que ficaram presas no vidro, que “prendem” a lava antes que o enxofre e outros elementos sejam liberados como gases nas erupções, um processo chamado de "desgaseificação". Por isso, elas indicam como era a fonte original de lava. 

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Os cientistas mediram os isótopos do enxofre nas inclusões derretidas e no vidro, e usaram os resultados para calibrar um modelo do processo de desgaseificação para todas as amostras: “após sabermos mais sobre a desgaseificação, é possível estimar como era a composição original do isótopo de enxofre das fontes que produziram a lava”, diz Saal. No fim, os cálculos mostraram que a lava veio de diferentes reservas do interior da Lua, com diferentes proporções dos isótopos de enxofre. Os valores do isótopo do enxofre 34, considerado “pesado”, podem ser explicados pelos processos de congelamento e cristalização pelos quais a Lua jovem passou.

Isso fez com que o enxofre fosse removido do magma, produzindo reservas sólidas com o isótopo pesado — provavelmente, essa foi a fonte dos valores do isótopo já encontrados em algumas rochas basálticas e vidros vulcânicos coletados na Lua. Os resultados obtidos sugerem que as amostras registraram eventos críticos que ocorreram ao longo da história lunar. Embora mais estudos sejam necessários com outras amostras para que seja possível entender melhor a composição dos isótopos na Lua, estes resultados já ajudam a resolver questões antigas sobre o que fica no interior do nosso satélite natural.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science Advances.

Fonte: Brown University

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