Netflix garante que pandemia não afetará lançamentos originais até fim do ano

Por Beatriz Vaccari | 25 de Agosto de 2020 às 19h15
reprodução
Tudo sobre

Netflix

Saiba tudo sobre Netflix

Ver mais

A pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) impactou diversos setores do mercado, principalmente o do entretenimento. Estúdios de televisão e cinema tiveram que paralisar imediatamente tudo o que se encontrava em fase de pré-produção e filmagens, sem previsão de retorno. Isso acabou afetando também eventos especiais na cultura pop e premiações, como o Emmy 2020, que permanece no dia 20 de setembro, porém será realizado numa versão 100% digital.

Algumas produções sofreram adaptações por conta desse período. Filmes que eram muito esperados para serem assistidos nas telonas acabaram perdendo a estreia nos cinemas e sendo liberados diretamente nas plataformas de streaming. O episódio especial de Friends, que tem como objetivo comemorar os 25 anos da série e a aquisição das 10 temporadas pelo HBO Max teve a filmagem reagendada tantas vezes que corre o risco de tudo se transformar apenas em uma live.

Com todo mundo em casa, os serviços de conteúdo sob demanda observaram um aumento na audiência e a Netflix não ficou de fora. Embora diversas séries originais dos estúdios estejam com a produção pausada, como Sex Education, The Witcher, Stranger Things entre outras, o co-CEO Ted Sarandos revelou em uma entrevista ao Indie Wire que a Netflix atingiu a marca de 10,1 milhões de assinantes pagos no segundo trimestre de 2020, quase três milhões a mais do previsto para o período.

O executivo negou que exista uma preocupação da empresa quanto à desaceleração da produção de conteúdos originais por conta da pandemia de COVID-19. O que tudo indica que os assinantes ainda terão muitas séries e filmes com o selo de exclusividade da marca para assistir até o final do ano. "Quando o desligamento chegou, perdemos alguns dias de filmagem, mas voltamos a trabalhar na pós-produção de forma relativamente rápida. As demandas de tempo de todos claramente ficaram diferentes. Mas você não deve sentir muita interrupção no fluxo da programação", revelou Ted Sarandos na entrevista.

O coCEO da Netflix ainda pontuou que houve alguns obstáculos, como trabalhar com EPIs o dia inteiro. Porém, a empresa conseguiu retomar e concluir alguns de seus projetos de alto perfil, como o musical The Prom de Ryan Murphy e Hubie Halloween de Adam Sandler, previstos para serem lançados na plataforma em outubro. Ele também revelou que algumas produções devem ter suas filmagens retomadas no Canadá e Estados Unidos ainda nessa semana.

Vale lembrar que a COVID-19 causou certos contratempos em algumas produções, como a série espanhola Elite, em que um dos integrantes do elenco testou positivo para a doença. "Estamos naquela fase da vida em que temos que descobrir maneiras de manter as pessoas seguras e trabalhando no ambiente em que vivemos", contou Sarandos.

A 4ª temporada de Elite estava sendo gravada quando um dos atores testou positivo para COVID-19 (Imagem: Divulgação/Netflix)

Além disso, após divulgar seu "tudum!" exclusivo para filmes que serão exibidos no cinema, a companhia também tomou a polêmica decisão de adiar o lançamento de qualquer um de seus aspirantes ao Oscar em festivais de cinema. Títulos que guardam grandes esperanças da Netflix de concorrerem ao Oscar, como The Trial of the Chicago 7 de Aaron Sorkin e Mank de David Fincher estão apenas esperando um melhor momento de serem mostrados ao mundo."Tivemos que tomar essa decisão em março e, naquela época, as coisas pareciam muito sombrias", disse Tarandos sobre a decisão. "A ideia de reunir as pessoas para ir aos festivais assistir a filmes em pequenas salas escuras não parecia muito atraente."

Aumento do interesse do público em documentários 

Após o sucesso de Tiger King, Ted Tarandos contou que houve um aumento de interesse por parte dos assinantes com os documentários originais da plataforma. "A melhor coisa sobre alguém encontrar Tiger King é que às vezes é a primeira coisa de não ficção que eles assistem", contou. "Isso abre um mundo para eles - centenas, talvez milhares de filmes que eles nunca viram antes. Esperançosamente, isso os levará ao documentário em língua estrangeira."

Vale lembrar que a Netflix possui uma estatueta do Oscar na prateleira justamente por causa de seu documentário Indústria Americana, que venceu a edição de 2020 da premiação. O brasileiro Democracia em Vertigem também concorreu na mesma categoria, mas acabou perdendo para o colega de catálogo.

Fonte: IndieWire, GameSpot

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.