Napster: da ilegalidade no final dos anos 1990 ao streaming legal em 2016

Por Patrícia Gnipper | 21 de Junho de 2016 às 10h03

Quem tem saudades do Napster? Pois ele vai voltar como um serviço de streaming de músicas em breve. E, apesar de ter sido reformulado em um formato completamente diferente do P2P original, os saudosistas de plantão poderão, finalmente, voltar a contar com a icônica marca do fim dos anos 1990 para fornecer seu acervo de canções digitais.

Um breve resumo sobre o que aconteceu seria algo como: inicialmente ilegal, o Napster ganhou imensa popularidade permitindo o download de MP3 e demais arquivos de mídia e revolucionou esse mercado na internet, abrindo caminho para novas ferramentas que surgiram depois. O problema é que o Napster sofreu com diversos processos judiciais e acabou fechando suas portas (mas os usuários não ficaram órfãos e tampouco impedidos de trocar MP3s pela rede, já que, àquela altura, a variedade de programas similares era grande). Ficando na penumbra por diversos anos, acabou mudando seu nome para Rhapsody ao entrar no segmento de streaming de músicas, mas o nome não pegou e agora o serviço continuará funcionando, mas utilizando o consagrado nome do Napster.

Ascensão, apogeu e queda

Criado por Shawn Fanning e Sean Parker como um programa de compartilhamento de arquivos em rede P2P em 1999, o Napster protagonizou a primeira luta notória entre a indústria fonográfica e a internet, já que permitia o compartilhamento de MP3 de maneira ilegal na rede. Seu sucesso se deu de maneira extremamente rápida, se tornando “viral” poucos meses após seu lançamento, permanecendo como a principal fonte de arquivos MP3 até 2002.

Napster na TIME

Shawn Fanning na capa da edição canadense da revista TIME de 02 de outubro do ano 2000 (Reprodução: TIME)

O que seduziu os usuários neste programa, além da possibilidade de baixar uma infinidade de músicas (quer dizer, essa quantidade variava de acordo com a velocidade da conexão de cada um), foi a possibilidade de pesquisar pelo conteúdo desejado de diversas formas. Era possível procurar pelo nome da música, ou por uma palavra de seu nome, bem como pelo nome do artista, álbum ou até mesmo digitar o gênero musical e encontrar pastas e mais pastas recheadas de músicas daquele estilo. Outra possibilidade era a de descobrir usuários com gostos em comum com os seus por meio de salas de chat e “fuçar” seus arquivos. Isso fez com que a descoberta por novos sons e artistas desconhecidos se tornasse ainda mais fácil, em uma época em que a internet ainda estava dando os primeiros passos para se tornar o “monstro” que conhecemos hoje.

No ano 2000, o Napster se tornou uma empresa, liberando novas versões de seu software mensalmente. Nesse período, o número de novos usuários quadruplicava a cada semana, e o programa teve um pico de 8 milhões de usuários conectados simultaneamente, trocando cerca de 20 milhões de arquivos todos os dias. Mas o imenso sucesso chamou a atenção das autoridades e, em 2001, o Napster não resistiu a uma série de ações judiciais que o acusaram de promover a pirataria, sendo fechado no mês de março. Os processos ganharam força com a participação de gravadoras e artistas ofendidos pelo desrespeito a seus direitos autorais, e foi nessa época que a banda Metallica se tornou mundialmente mal vista pelos usuários do Napster por ter protagonizado (e ganhado) um notório processo contra a empresa.

Napster v2.0


Screenshot da tela de busca da versão 2.0 BETA 6 do Napster, ironicamente pesquisando por músicas do Metallica (Reprodução: Divulgação)

Os servidores do Napster foram, enfim, desligados em dezembro de 2002, após a empresa perder a batalha judicial travada entre seus operadores e a RIAA (Recording Industry Association of America) - órgão responsável por regulamentar a indústria fonográfica dos Estados Unidos.

Napster 2.0

Naquele mesmo ano, a companhia foi comprada pela Roxio, que, até então, era conhecida por conta de seu software de gravação de CDs. A partir de 2003, o Napster se tornou um serviço legalizado de músicas que não trabalhava mais com compartilhamento P2P, e a oferta dos arquivos passou a ser paga.

Mesmo que os órfãos do Napster já tivessem migrado para ferramentas alternativas como o Soulseek, Kazaa, eDonkey, eMule, Morpheus ou Audiogalaxy, o pessoal da Roxio apostou todas as suas fichas no Napster 2.0 e acreditou que a coisa daria certo mesmo oferecendo conteúdo pago - o que obviamente, naquela época, não foi uma boa investida. Afinal, os usuários já estavam habituados a baixar músicas gratuitamente (não se preocupando com a legalidade da coisa) e não estavam dispostos a pagar por isso.

Até meados de 2008, o Napster seguiu tentando retomar seu sucesso nesse novo formato e, mesmo com campanhas publicitárias peso-pesado nos Estados Unidos, não conseguiu agradar e sair do lugar. Àquela altura do campeonato, a companhia foi, novamente, vendida, dessa vez para a companhia de produtos eletrônicos Best Buy. Uma dessas propagandas, por sinal, foi veiculada no intervalo do Super Bowl em 2005; confira:

A terceira investida

A Best Buy, que tem diversas lojas pelos EUA em que vende aparelhos de telefonia móvel e demais equipamentos eletrônicos, foi nomeada pela revista Forbes a “Empresa do Ano” em 2004 e estava “com a bola toda”, adquirindo o Napster em 2008 por US$ 121 milhões.

A ideia era vender assinaturas do novo Napster em suas lojas físicas - mas a coisa não saiu conforme o planejado. A companhia então decidiu fazer uma parceria com a Rhapsody e a SanDisk para relançar o Napster como um serviço de músicas multimarcas sob o nome de “The Best Buy Digital Music Store”. O grande problema (além de não ser algo muito prático ir pessoalmente a uma loja para comprar músicas digitais) era que o formato vendido não era compatível com o aceito pelo principal dispositivo de músicas que já estava fazendo sucesso em 2008: o iPod, da Apple.

Napster na Best Buy

(Reprodução: BGR)

Então a bola da vez ficou nas mãos da Maçã, com seu iPod e o iTunes - que estiveram “na crista da onda” até recentemente, quando viram sua liderança ser ameaçada pelo surgimento de concorrentes de peso como o Spotify.

Mas voltando à história, a investida da Best Buy no universo dos downloads de MP3 não deu certo, e o Napster acabou sendo vendido mais uma vez, tendo a Rhapsody como seu proprietário final em 2011.

Os dias atuais: será que “agora vai”?

A Rhapsody é uma loja virtual de músicas que iniciou seus trabalhos em 2001 como um modesto serviço de rádio online chamado TuneTo.com, que rapidamente mudou de nome para Listen.com. Em seguida, ganhou o nome utilizado até então oferecendo músicas pela internet sob uma assinatura mensal de apenas US$ 10. Após adquirir o Napster, em 2012, a empresa passou a ampliar seus negócios com a nova aquisição, tentando fazer seu serviço de streaming crescer.

Mas parece que o crescimento não tomou o rumo desejado e a manobra desta vez é abandonar o nome Rhapsody e adotar o renomado Napster nessa nova empreitada. Ou seja, o serviço de streaming de músicas que já vem funcionando há alguns anos seguirá firme e forte, mas contando com o mito do Napster para não somente trazer antigos usuários do P2P ao mundo do streaming legalizado como também atrair uma nova gama de assinantes. O novo Napster já está, inclusive, disponível para assinantes brasileiros.

Napster

Acontece que estamos em 2016 e os serviços de streaming existem aos montes na rede. No segmento da música, o Spotify é o líder e enfrenta rivais relevantes como o Apple Music, Google Play Music, Deezer e Tidal, além do YouTube - que oferece catálogos de diversas gravadoras com videoclipes e apresentações ao vivo dos grandes sucessos da indústria musical.

Considerando esse cenário, será que o novo Napster tem alguma chance de sobrevivência? Compartilhe sua opinião no campo de comentários abaixo!

Com informações de: Cuepoint e Wikipedia (1) e (2)

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