Crítica | Sky Rojo traz ação com apelo visual, violência, sexo e crítica social

Crítica | Sky Rojo traz ação com apelo visual, violência, sexo e crítica social

Por Natalie Rosa | Editado por Jones Oliveira | 23 de Março de 2021 às 21h00
Divulgação: Netflix

As séries espanholas estão com tudo na Netflix. Depois do sucesso de La Casa de Papel, diversos outros títulos começaram a surgir na plataforma de streaming, como Elite e Vis a Vis, conquistando os fãs brasileiros. O mais novo lançamento é Sky Rojo, de Álex Pina, mesmo criador da série dos ladrões justiceiros, contando uma história intensa de forma dinâmica, se apoiando na crítica social, estética e ação.

Sky Rojo conta a história de três mulheres que trabalhavam em um clube de strip-tease como prostitutas, chamado Las Novias Club. Após uma delas atacar o cafetão como forma de defesa e achar que ele está morto, elas precisam fugir para que seus capangas não tentem vingar pelo que aconteceu com o chefe. É quando Coral (Verónica Sánchez), Wendy (Lali Espósito) e Gina (Yany Prado) começam a contar suas histórias durante a fuga, falando sobre o tráfico humano e sexual, fazendo duras críticas à prostituição na Espanha, com base no ponto de vista de Coral, que também narra a trama.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica contém spoilers de Sky Rojo!

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Em episódios curtos e corridos, Sky Rojo traz uma trama repleta de ação, lutas e violência, que acompanhada dos visuais coloridos e dos figurinos, se assemelha discretamente às obras de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O trio de garotas de programa abusam de roupas sexualizadas, assim como suas atitudes, mas ao contrário de produções que não se preocupavam em problematizar a questão da prostituição, a trama se apega ao estereótipo visual e de personalidade para mostrar que a realidade não é divertida, muito pelo contrário.

Apesar de as personagens mostrarem serem pessoas fortes, com atitude e com uma essência sexualizada que aparenta natural, vemos que a realidade por trás das aparências é pesada. Duas das prostitutas foram vítimas de tráfico sexual, uma delas sendo vendida pela própria mãe para que elas saíssem da pobreza que viviam em outro país. Além disso, nos encontros pagos, elas são submetidas a situações que beiram o estupro e a humilhação, algumas delas sendo retratadas na produção e outras apenas comentadas, e assim como envolvimento com o tráfico de drogas, lavagem de dinheiros e diferentes crimes, é praticamente impossível sair viva dessa escravidão.

Imagem: Divulgação/Netflix

Sky Rojo deixa bastante nítida a exploração que é feita por parte dos cafetões do clube de strip-tease, mas fazendo referência à realidade na Espanha, trazendo dados importantes sobre o consumo de sexo pago. Mas para que a série não seja apenas uma denúncia pesada e triste, a distração acontece em meio às cenas de ação, que acontecem do início ao fim. Enquanto quem está caçando o trio apela para a violência gratuita para conseguir o que quer e incomoda pela crueldade, elas sustentam a série não só com os diálogos importantes, como pelo carisma e uma pouca leveza vinda de um senso de humor, as transformando nas protagonistas justiceiras que queríamos ver.

Por serem episódios curtos, a apresentação dos fatos acontece de forma rápida e prática, sem cenas que se prolongam desnecessariamente em apenas uma situação. Pelo enredo principal se tratar de uma fuga, a série não se "acalma" em nenhum minuto, sempre trazendo relatos importantes para a construção da história e para definir quem são os vilões e quem são os mocinhos. Nesse caso, as heroínas. Essa dinâmica de fuga também tem todo o mérito das atuações, principalmente da atriz que interpreta Coral, a única personagem que escolheu aquele trabalho, não que isso a faça sofrer menos, e que tem um espírito de liderança nato.

Imagem: Divulgação/Netflix

Levando em conta a forma de contar histórias de Álex Pina, Sky Rojo se assemelha à La Casa de Papel pelo dinamismo e pelo esforço de nos fazer sentir empatia pelos protagonistas. Outra semelhança é em relação à personalidade dos vilões que, por mais que sejam extremamente violentos e cruéis, conseguem ser patéticos na mesma medida. Eles não chegam a tirar risos, como aconteceu com o irritante "Arturito" de La Casa de Papel, mas o sentimento de desprezo e pena é o mesmo.

O fim da primeira temporada não trouxe vitórias para nenhum dos lados, deixando o caminho aberto para uma continuação. Assim como toda série de ação que atua em conjunto com o drama, tudo indica que nenhum dos caminhos a serem seguidos pelos personagens, tanto pelas protagonistas quanto pelos vilões, não trará muito sangue, violência e mortes. Com base nas críticas feitas no enredo, a série ainda deixa a dúvida se o fim das garotas vai se assemelhar à realidade, como um sentimento de que a justiça nunca será feita, ou se irá levar em conta a criatividade que uma ficção permite e trazer um final feliz.

Imagem: Divulgação/Netflix

Sky Rojo está disponível na Netflix.

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