Crítica Elite | Mais uma temporada com mistério e erotismo adolescente

Crítica Elite | Mais uma temporada com mistério e erotismo adolescente

Por Natalie Rosa | Editado por Jones Oliveira | 11 de Abril de 2022 às 20h00
Netflix

Uma das séries espanholas de maior sucesso na atualidade, Elite ganhou sua quinta temporada na Netflix. E muito desse sucesso pode ser explicado pela trama adolescente do programa, recheado de jovens problemáticos e muito pegação.

Inclusive a sexualização dos personagens e das histórias tem sido cada vez maior em Elite, que vem explorando com mais frequência a sensualidade enquanto um crime horrendo precisa ser desvendado.

A quinta temporada de Elite já está disponível (Imagem: Divulgação/Netflix)

Atenção: esta crítica pode conter spoilers da temporada 5 de Elite!

Na quinta temporada, a premissa que conquistou os assinantes da Netflix não poderia ser diferente. Enquanto crimes como abuso, golpes e assassinato acontecem, os adolescentes exploram suas sexualidades em relacionamentos extremamente picantes com seus colegas, ou ainda com adultos. A adolescência é a fase em que esse autoconhecimento começa, mas em Elite tudo é mais intenso e eles já são mais do que experientes nisso.

Essa característica tão óbvia e marcante da série não precisa, necessariamente, ser levada como uma crítica negativa, principalmente por todos os atores serem, na verdade, adultos, o que torna as situações mais confortáveis. Através das cenas constantes de sexo, sejam elas extremamente explícitas, ou diálogos desconfortáveis de flerte, a trama tem um atrativo divertido. Elite também não se limita apenas a relacionamentos heterossexuais e monogâmicos, naturalizando, como deveria ser, todas as relações.

Elite vem deixando as histórias interessantes de lado (Imagem: Divulgação/Netflix)

Falta história?

O único "problema" de Elite se apegar cada vez mais no erotismo, com cenas que nos fazem perguntar como elas foram gravadas, a trama vem deixando as histórias principais mais e mais desinteressantes e fracas. A quarta temporada da série já trazia sinais dessa fraqueza, com mais personagens do elenco principal se despedindo e entregando o bastão do drama para os novos alunos.

Enquanto os episódios iniciais traziam crimes mais perturbadores e com consequências mais graves para o andamento da história, gradualmente os momentos tensos, que podem ser classificados como misteriosos e investigativos, se tornaram apenas detalhes. Ainda que existam essas críticas, a trama sabe construir muito bem o atrativo para esses mistérios, intercalando os acontecimentos do presente com flashforwards chocantes, mostrando o que o futuro aguarda.

Elite segue se apegando no visual e na estética, que está não só no estilo dos personagens como também nas festas e eventos em que participam. Na temporada 5, a chegada da personagem Isadora (Valentina Zenere), uma adolescente que vai para a escola mesmo sendo uma DJ famosa em Ibiza, isso fica ainda mais evidente. A personagem tem toda a sua marca pessoal e ostenta as riquezas que o seu trabalho permite de maneira tão caricata que tudo fica impecável.

A nova personagem se encaixa na estética de Elite (Imagem: Divulgação/Netflix)

Não tem como não destacar a presença brasileira na temporada atual de Elite, com a chegada de André Lamoglia como Iván, filho de um jogador de futebol famoso. Tanto o personagem quanto o pai criam narrativas do estereótipo da masculinidade desses atletas, e ambos acabam se envolvendo em uma relação com o mesmo garoto.

O jovem ator carioca mergulhou na oportunidade de estar em uma das séries mais populares da Netflix, entregando bastante português e carisma para a trama. A expectativa é que seu personagem ganhe mais destaque e se torne o foco principal da produção espanhola.

Mais do mesmo

A quinta temporada de Elite se empenha, mais uma vez, em agradar em temas que são atrativos aos jovens, como festas e sexo, e até acerta em trazer questões que geram debate em uma idade em que tudo está sendo descoberto pela primeira vez, como diversidade, relações familiares, exploração, sexualidade, estupro, abandono e negligência.

O que falta para a trama, então, é um equilíbrio entre as temáticas, explorando o potencial do elenco para a entrega de performances mais dramáticas, como vem acontecendo em Euphoria, por exemplo.

Dizer que Elite é uma série ruim é um exagero, pois não chega a ser incômoda em sua proposta apelativa. No entanto, a trama parece estar enfraquecendo cada vez mais e as chances de não conseguir se sustentar na qualidade são grandes, ainda que a sexta temporada já esteja renovada.

Caso a produção siga em andamento, ao menos pode ser uma escola para que novos atores ganhem mais visibilidade e papéis que valorizem seus talentos.

A quinta temporada de Elite já está disponível na Netflix.

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