American Crime Story: Impeachment | O que foi o escândalo tema da temporada 3?

American Crime Story: Impeachment | O que foi o escândalo tema da temporada 3?

Por Diandra Guedes | Editado por Jones Oliveira | 18 de Junho de 2022 às 09h00
Reprodução/ Fx Networks

A terceira temporada de American Crime Story estreia em junho na Star+. Chamada de Impeachment, ela será focada no escândalo “Monica Lewinsky”, que culminou na votação de fim do mandato do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

A série é famosa por dramatizar casos reais envolvendo crimes e personalidades polêmicas. Essa temporada será baseada no livro de Jeffrey Toobin A Vast Conspiracy: The Real Story of the Sex Scandal That Nearly Brought Down a President (ainda sem tradução para português) e contará com Lewinsky na produção da obra.

Monica Lewinsky está na produção da terceira temporada de American Crime Story (Imagem:Reprodução/ FX Networks)

A primeira temporada, intitulada O Povo Versus OJ Simpson, contou o julgamento do ex-jogador de futebol americano acusado de assassinar a esposa, Nicole Brown, em 1994.

A narrativa foi contada do ponto de vista dos advogados que conduziram o caso e retrarou os acordos informais e as manobras políticas que aconteceram na época. O elenco contou com nomes de peso, como David Schwimmer (Friends) e Sterling K. Brown (This is Us).

Já a segunda, O Assassinato de Gianni Versace, tratou da morte do estilista pelo serial killer Andrew Cunanan.

Dado o histórico da série, a expectativa é que Impeachment trate o caso do possível afastamento de Cliton com a mesma profundidade que fez nas histórias anteriores. O elenco contará com Beanie Feldstein (Monica Lewinsky), Sarah Paulson (Linda Tripp), Annaleigh Ashford (Paula Jones), Edie Falco (Hillary Clinton), Clive Owen (Bill Clinton), entre outros.

Antes do escândalo

Antes de partir para o escândalo, é preciso entender quais eram os papéis de cada personagem dessa história, que começa em 1991. Na época, Bill Clinton não era presidente, e sim governador do estado de Arkansas, enquanto Hillary Clinton (sua esposa) estava sendo eleita pelo the National Law Journal como uma das 100 advogadas mais influentes dos Estados Unidos.

Paula Jones era uma funcionária do governo estadual e Monica Lewinsky uma jovem estagiária de Clinton que trabalhava na Casa Branca. Linda Tripp, por sua vez, também trabalhava no local como secretária e era amiga de Monica.

Paula Jones foi a primeira mulher a denunciar o assédio de Bill Clinton (Imagem: Reprodção/FX Networks)

Já Kenneth Starr é um advogado estadunidense que ficou conhecido pelo seu papel de conselheiro independente que atuou na investigação do processo de impeachment. Ele era considerado “arqui-inimigo” político de Clinton.

Como foi o escândalo que levou ao impeachment?

A votação do impeachment ocorreu em 1998, mas, como dissemos, a história extraconjugal do então presidente dos EUA começa bem antes disso, em 1991, com o Caso Paula Jones. Na época, Clinton teria feito uma proposta de cunho sexual à Jones.

A garota recusou e entrou com um processo contra Clinton em 1994, quando ele já era o 42º presidente dos Estados Unidos. O caso não resultou em nada e foi arquivado por falta de provas.

Monica Lewinsky

Monica Lewinsky é produtora da série e deu nome ao escândalo (Imagem:Reprodução/FX Networks)

Aqui entra a nossa personagem principal. Esperava-se que Monica, na época estagiária da Casa Branca, desse um depoimento a favor de Paula Jones. Existia uma especulação, por parte da imprensa estadunidense, de que Lewinsky também teria um caso com Clinton.

Chamada para depor em juízo, tanto ela quanto o presidente negaram as alegações de que mantinham qualquer tipo de relação sexual.

Linda Tripp

A atuação e caracterização de Sarah Paulson como Linda Tripp vem sendo elogiada (Imagem:Reprodução/FX Networks)

Outra personagem importantes nessa história é Linda Tripp. Ela era amiga de Monica e secretária da Casa Branca na época.

Foi ela quem gravou as conversas que teve com Monica, na qual a garota, enfim, confessou que mantinha um relacionamento com o presidente. Especula-se que Clinton e Lewinsky tiveram nove encontros sexuais entre 1995 e 1997.

Após fazer as gravações, Linda entregou as cópias para Kenneth Starr, conselheiro independente e rival do presidente. Com essa atitude, a amizade das duas mulheres ficou abalada.

O processo de impeachment

Com as gravações em mãos, Kenneth Starr entregou um relatório à Câmara dos Representantes com todas as provas que reuniu contra Clinton. Sem saída, o presidente finalmente assumiu que teve relações com Monica Lewinsky.

Diante disso, dois crimes serviram de base para o processo de impeachment: perjúrio (dar falso testemunho em juízo) e obstrução à Justiça (tentar impedir que as investigações tivessem continuidade).

O processo foi admitido pela Câmara dos Representantes em 19 de dezembro de 1998. Na época, a Câmara era controlada pelos Republicanos, o que foi uma má noticia para Clinton, que era Democrata. Cada crime foi votado separadamente e, após aprovados, seguiram para o julgamento no Senado.

O caso no Senado

A votação no Senado aconteceu no dia 12 de fevereiro de 1999 e, do mesmo modo que foi na Câmara, os crimes foram julgados separadamente.

Acontece que a votação agora era diferente: para um crime ser aprovado ou negado era necessário que mais de dois terços dos senadores concordassem.

Como não chegaram a esses resultados, os dois crimes de Clinton foram absolvidos e ele pôde retornar às atividades presidenciais.

O que aconteceu com as pessoas?

Após ter sido inocentado das acusações, Bill Clinton terminou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Ele deixou o cargo, em 2001, com 73% de aprovação da opinião pública.

Já sua esposa, Hillary Clinton, também fez carreira na política. Ela foi primeira-dama de 1993 a 2001, senadora por Nova Iorque entre 2001 e 2009, e secretária de Estado dos EUA de 2009 a 2013.

Hillary Clinton esteve ao lado de Bill durante todo o escândalo (Imagem:Reprodução/FX Networks)

Hillary também se candidatou à presidência dos EUA em 2016, mas, apesar de ser a mulher a receber mais votos populares em uma corrida presidencial do país, foi derroata pelo colégio eleitoral. O candidato vencedor foi o republicano Donald Trump. Durante todo o período do escândalo, Hillary não se separou de Clinton, e os dois continuam casados até hoje.

Já Monica não teve um final tão feliz. Ela afirmou que chegou até pensar em suicídio. Linda, por sua vez, alegou que sua demissão do Pentágono ao final do governo Clinton foi por vingança. Em 2004, ela e o marido compraram uma loja de festa e tocaram o negócio. Ela morreu em 2020 vítima de um câncer no pâncreas.

O que esperar de American Crime Story: Impeachment?

Ao contrário das duas primeiras temporadas, Impeachment não decolou nos Estados Unidos (Imagem:Reprodução/FX Networks)

O público pode esperar uma série bem produzida e com atuações elogiadas, como a de Sarah Paulson, por exemplo, além de uma história focada mais no ponto de vista das mulheres envolvidas no escândalo, como Monica, que está na produção da obra.

Apesar desses fatores, American Crime Story: Impeachment estreou nos Estados Unidos pelo canal FX e não teve uma boa repercussão de audiência, registrando apenas metade dos pontos da segunda temporada.

Um motivo para isso pode ser o fato de ela estar apenas no canal pago, sem disponibilidade para o streaming e com horários de reprises ruins.

Além de não engajar com o público, Impeachment ficou fora do circuito das premiações hollywoodianas, ao contrário das suas antecessoras. Tanto a primeira quanto a segunda temporada levaram estatuetas em diversas premiações.

Com a estreia no Star+, no entanto, a série tem mais chances de emplacar. Nomes de peso é o que não faltam no elenco.

Quando American Crime Story: Impeachment estreia?

Para quem já está ansioso para acompanhar essa história, American Crime Story: Impeachment estreia no dia 22 de junho, exclusivamente no Star+.

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