Planejamento Estratégico para Empreendedores Parte V (Final)

Por Adalton M. Ozaki | 03 de Maio de 2018 às 20h45

Este é o quinto (e último) artigo de uma série sobre Planejamento Estratégico para Empreendedores. Nos anteriores tratamos de Análise SWOT, Análise das Forças Competitivas, Análise dos Recursos e Visão-Missão-Valores. Depois de conduzida todas estas etapas, chegou a hora de definir os objetivos, metas e ações estratégicas. Mas qual a diferença entre estes três importantes elementos?

Primeiramente, defina os objetivos, obviamente alinhados com a Visão, Missão e Valores da empresa, e coerente com todas as análises anteriores. O objetivo é basicamente uma situação futura em que se quer chegar. Alguns exemplos de objetivos: “ser líder de vendas no segmento”, “ser a empresa com melhor avaliação pelos consumidores”, “conquistar a maior base de usuários na categoria de aplicativos para o segmento Z”.

As metas correspondem à quantificação, de quanto e quando você chegará a determinados resultados, para atingir cada objetivo. Ligado ao objetivo “ser líder de vendas no segmento”, poderia haver uma meta de “aumentar a participação de mercado em 10% ao ano, nos próximos 5 anos”.

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As ações estratégicas correspondem à maneira como você conseguirá atingir as metas. Ou seja, para aumentar a participação de mercado em 10% ano, nos próximos cinco anos, o que é necessário? Não é um processo simples. Deve ser discutido com os sócios, e inclusive com os gestores mais próximos aos empreendedores, pois precisa gerar estratégias atingíveis no tempo esperado, com engajamento das pessoas que a irão executar. Possíveis exemplos de estratégias são “adquirir concorrentes nas regiões com baixa participação”, ou “lançar um novo produto no próximo ano para o mercado XYZ”.

Elas podem ser sintetizadas em uma tabela como esta abaixo.

As metas e ações estratégicas deste quadro devem ser SMART, ou seja, atender a 5 requisitos:

S – Specific ou Específico: devem ser específicas o suficiente para identificar quais áreas estarão envolvidas.

M – Measurable ou Mensurável: é importante medir, para saber se a empresa está caminhando na direção correta.

A – Attainable ou Atingível: precisa ser atingível. Metas não realistas podem frustrar a equipe.

R – Relevant ou Relevante: precisam ser relevantes para a organização. Para tanto, não podem ser por demais numerosas. Não há número mágico. Mas se o quadro contiver 20 objetivos, será difícil o time se concentrar no que realmente é relevante.

T – Time based ou Baseado no tempo: é preciso especificar o prazo para conclusão da meta e das estratégias.

Depois, traduzir estas ações estratégicas para projetos ou tarefas específicas para o time, é um próximo passo, mas que foge ao escopo deste artigo. Existem diversas técnicas. O Google por exemplo, usa um método chamado OKR [2].

Muitas empresas, depois de definida a estratégia, usam o Balanced Score Card (BSC) para medir a execução e implementação da estratégia. Não entrarei nesta discussão. Há inclusive, diversos artigos acadêmicos com argumentos contra a utilização do BSC, pois organizações que a usam, muitas vezes definem um conjunto muito grande de objetivo, metas e indicadores, dificultando com que a equipe saiba exatamente em que focar e qual o principal resultado esperado pela alta gestão. Ou seja, neste planejamento, menos é mais. Menos objetivos, permitirão maior foco e a concentração no que realmente interessa.

Neste pequeno texto, chamei de “ação estratégica” para evitar uma discussão teórica sobre o que é estratégia [3]. Para Porter, a estratégia essencialmente é o posicionamento da empresa, havendo duas estratégias competitivas genéricas, ser uma empresa de baixo custo (e que portanto deverá atuar com altos volumes para gerar ganho de escala e valor), ou diferenciação (que poderá cobrar uma margem maior, pelo nível de inovação). Mas há outras definições e outras visões sobre o que é essencialmente estratégia nas empresas. Mas independente da nomenclatura que se dê, o importante é se concentrar na essência. É fundamental planejar os três elementos mencionados neste artigo (objetivos, metas e ações estratégicas) para estabelecer um rumo, verificar periodicamente se a empresa está atingindo os resultados esperados, e se necessário, tomar ações corretivas.

Para saber mais:

[1] THOMPSON Jr., A.; STRICKLAND III, A. J.; GAMBLE, J. E. Administração Estratégica. São Paulo: McGraw-Hill, 2008.

[2] GUEDES, Luis Fernando. O sistema de gestão de metas que aprendi no Google (e que ainda me ajuda muito!). Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/o-sistema-de-gest%C3%A3o-metas-que-aprendi-google-e-ainda-me-guedes/?published=t

[3] PORTER, Michael. What is strategy. Harvard Business Review, November, 1996.


Sugestões para futuros artigos: empreendedorismo@canaltech.com.br

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