Planejamento Estratégico para Empreendedores - Parte 1: Análise SWOT

Por Adalton M. Ozaki | 21 de Novembro de 2017 às 16h06

Muitos empreendedores não fazem o planejamento estratégico, simplesmente por desconhecer as técnicas e ferramentas. Outros até conhecem, mas aplicam de forma incorreta, e acabam não conseguindo os resultados desejados e a ferramenta cai no descrédito. Algumas técnicas são muito simples, mas podem auxiliar muito na definição dos rumos da empresa.

Primeiramente, cabe esclarecer que este processo não é o indicado para startups que ainda estão em busca de um modelo de negócios e que sequer sabem quais mercados pretende atender, bem como seus respectivos problemas. Nestes casos, é mais indicado um processo de customer development [1], explorado no artigo anterior. Desta forma, o processo de planejamento estratégico que trataremos aqui é voltado a uma empresa já operante.

Em essência, a estratégia empresarial trata do posicionamento que a empresa deseja ter no mercado, ou seja, como ela deseja ser reconhecida e os planos de ação para se atingir as metas desejadas [2]. Para se definir a estratégia, é fundamental que o empreendedor faça uma boa análise ambiental.

Uma técnica muito simples, mas muito útil na análise ambiental é a análise SWOT, que consiste na análise dos pontos fortes (Strenghts), fracos (Weakness), oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats).

Mas de que forma instigo os meus sócios ou membros da minha equipe a pensarem nestes aspectos? Um brainstorming tradicional tem diversas desvantagens: muitas vezes, poucas pessoas polarizam as discussões; há pessoas tímidas, que não participam, mas que podem ter ideias incríveis; ou ao propor algo “fora da caixa”, a pessoa começa a sofrer críticas e gozações, gerando inibição e um clima hostil no grupo.

O que tenho praticado para facilitar o processo é aplicar uma técnica de criatividade chamada Brainwriting. Mas como ele funciona? Basicamente, tantos quantos forem os membros participantes, imprime-se uma folha com quatro quadrantes, semelhante ao quadro abaixo.

O ideal é que no Brainwriting você tenha no máximo 6 participantes. Caso haja mais pessoas, podem ser dividas em dois grupos, porque muitas pessoas irá deixar a dinâmica muito longa e depois difícil de consolidar.

As pessoas sentam-se em um círculo, com este pedaço de papel. Cronometra-se 5 minutos para cada rodada. Na primeira rodada, cada pessoa começará a indicar, em silêncio, ideias ou tópicos em cada um dos quatro quadrantes. Passados os 5 minutos, cada participante passa sua folha para o colega da esquerda, e pega a folha do colega da direita. Primeiramente, lê os itens colocados pelo colega. É comum as pessoas quererem tecer comentários, darem risadas, mas o facilitador deve pedir para todos manterem silêncio. Cada participante pode complementar as ideias já colocadas, ou adicionar novas ideias, em qualquer um dos quatro quadrantes. Passado o tempo a folha roda de novo, e assim sucessivamente, até que a folha original retorne à pessoa que a iniciou.

Ao final do processo, a análise não está concluída. Depois, deve-se consolidar a lista, fazendo discussões ou mesmo pesquisas para validar as informações coletadas. Esta primeira versão do diagnóstico é apenas um primeiro passo.

O Brainwriting não é simplesmente um Brainstorming escrito, porque no Brainstorming, cada um fala por vez. No Brainwriting, todos estão simultaneamente gerando ideias. Nesta etapa, o que se busca é justamente amplitude de visões, não se preocupando com a qualidade das ideias.

Em essência, o empreendedor deseja obter vantagem competitiva, que na literatura de estratégia é traduzida em lucratividade acima da média. Neste aspecto, existem duas visões diferentes sobre como obter vantagem competitiva. Uma é muito mais focada no ambiente externo, e a outra visão, muito mais focada no ambiente interno. Nos próximos artigos, irei discutir estas duas visões, apresentando duas técnicas para refinar a análise ambiental.

Para saber mais:

[1] Blank, S.; Dorf, B. Startup – Manual do Empreendedor. Alta Books, 2014.

[2] Hitt, M.; Ireland, R. D.; Hoskisson, R. E. Administração Estratégica. Cengage Learning, 2015.

Sugestões para futuros artigos: empreendedorismo@canaltech.com.br

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