Sob pressão ambiental, mineradores de Bitcoin adotam energia nuclear

Sob pressão ambiental, mineradores de Bitcoin adotam energia nuclear

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 28 de Setembro de 2021 às 16h20
Reprodução/ Weak Web

Empresas atuantes no setor de mineração de criptomoedas, principalmente do Bitcoin, estão vendo na energia nuclear uma alternativa para driblar a pressão de políticas ambientais, sociais e de governanças do setor (ESG, na sigla em inglês).

A mineração de criptomoedas consome muita energia, e há anos organizações ambientais pedem para que esse mercado encontre alternativas mais econômicas. Esse processo foi intensificado após o excêntrico bilionário Elon Musk, CEO da Tesla, ter comentado sobre a falta de sustentabilidade na mineração dos criptoativos, justificando que a Tesla só aceitaria novamente o Bitcoin como pagamento quando houvesse confirmação que as moedas estavam sendo geradas com energia limpa.

A energia nuclear, sendo usada como fonte de energia para a mineração de criptomoedas, garante menor emissão de carbono na atmosfera, visto que as usinas não emitem nenhum CO2 durante a produção de energia, mas sim vapor de água. Com isso, a mineração acaba tendo um baixo nível de poluição atmosférica, ao contrário do processo realizada com combustíveis fósseis.

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Além dos problemas ambientais, após a repressão estatal de mineração da China, empresas de mineração de criptoativos também estão a procura de opções de energia barata, e começam a enxergar nas usinas nucleares uma ótima opção, a partir de protocooperação com geradoras de energia, ou seja, as usinas conseguem vender sua produção de energia nuclear e os mineradores pagam um valor mais baixo e dibram as políticas ESG.

Iniciativas nucleares já começaram

A usina Nuclear Turkey Point, localizada em Homestead, Flórida. (Imagem: Reprodução/ FPL)

Ainda não se sabe como o mercado de criptomoedas irá lidar com esse novo método, já que a energia nuclear é extremamente criticada por ambientalistas devido à impossibilidade de reutilização do lixo nuclear gerado, os altos custos de construção e operação das usinas, e claro, a possibilidade de acidentes nucleares e a contaminação do meio ambiente.

Porém, mesmo com a incerteza sobre a reação do mercado, projetos envolvendo essa nova opção de mineração já estão tomando forma, como o acordo de 20 anos de fornecimento de energia assinado entre a Compass Mining e pela startup de energia nuclear Oklo.

Outro exemplo pode ser encontrado na joint venture (basicamente, um acordo comercial) entre a companhia de energia Talen Energy e a mineradora TeraWulf, que visa a construção no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, de instalações de mineração de criptomoedas e de uma usina nuclear que, juntos, irão ocupar uma área equivalente a quatro campos de futebol.

O uso de energia nuclear na mineração do Bitcoin também tem o apoio do prefeito de Miami, Francis Suarez, conhecido entusiasta da criptomoeda. O político tem expectativas de trazer a indústria de mineração para a usina Nuclear Turkey Point, localizada na cidade de Homestead, próxima de Miami. A usina entrega o quilowatt de energia por US$ 0,10 (R$ 0,54 na cotação atual), preço 23% menor que a média nacional dos EUA.

Fonte: InfoMoney, Voitto

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