Conheça os principais riscos de investir em Bitcoin

Conheça os principais riscos de investir em Bitcoin

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 24 de Setembro de 2021 às 23h30
Divulgação/Roy Buri/Pixabay

As criptomoedas estão ganhando uma popularidade impressionante. É comum quase todo dia se deparar com reportagens mostrando pessoas que investiram em Bitcoin e acabaram milionários. Mais e mais empresas também estão entrando no mercado, comprando grandes quantias de criptoativos, pensando em possível valorização.

Porém, assim como é comum achar histórias de sucesso, também é fácil achar pessoas que investiram e acabaram perdendo dinheiro.

Por isso, é importante, para começar uma jornada de investimentos em Bitcoin, um bom entendimento do mercado e de seus riscos. Preparamos essa matéria para apresentar os principais riscos envolvidos nesse mercado, mas destacando que nossa intenção não é desmotivar o investimento na criptomoeda, mas sim alertar de possíveis perigos que existem nessa atividade, assim como em outros tipos de investimento, como em ações ou outros ativos.

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Os riscos de se investir em Bitcoin 

Conhecer os riscos de se investir em Bitcoin é um passo importante antes de começar a mover os fundos necessários para essa atividade. Os perigos desse mercado são provenientes de diferentes fontes, porém, independente do motivo, tem o mesmo resultado: a perda do capital investido.

Confira os sete principais riscos a seguir:

Alta Volatilidade 

A volatilidade do Bitcoin é muito alta. Isso significa que o valor do criptoativo oscila frequentemente e, muitas vezes, de forma brusca. Nos últimos anos a criptomoeda vem em um processo de alta, mas se uma avaliação de seu histórico for feita, ele também já contou com quedas absurdas.

As flutuações de preço do Bitcoin não podem ser prevista a curto prazo, o que faz com que o risco de prejuízo em investimentos seja maior caso seja necessário resgatar a quantia rapidamente. Porém, ao mesmo tempo, pode ser que o criptoativo conte com uma valorização nesse mesmo período. O processo se torna arriscado principalmente por essa imprevisibilidade, com investidores comentado que muitas vezes até pode parecer sorte lucrar com o Bitcoin.

Ciberataques

Criminosos virtuais estão mirando bastante o mercado de Bitcoin. (Imagem: Reprodução/Unsplash/Max Bender)

Na internet, sempre que algo começa a ficar popular, pode ter certeza que criminosos virtuais irão começar a aplicar golpes relacionados a esse tema. Com o Bitcoin não é diferente, já que a grande atenção que a mídia vem dando para o criptoativo está fazendo muitos criminosos pensarem em formas de usar a moeda de forma ilícita.

O Bitcoin e as transações com a criptomoeda são seguras, principalmente pelo seu funcionamento baseado na tecnologia de blockchain - um banco de dados descentralizado, ou seja, não controlado por nenhum governo ou organização, que registra todas as operações com o criptoativo em blocos que não podem ser alterados.

Porém, o mesmo não pode se dizer sobre as exchanges, as plataformas que intermeiam a compra e venda de Bitcoins e outras criptomoedas, e das carteiras digitais, endereços na internet onde o dinheiro fica guardado, que podem sofrer ataques de criminosos que, como resultado, façam os usuários perderem investimentos importantes.

É importante que os usuários sempre tomem medidas de segurança em suas carteiras digitais, como autenticação de dois fatores e senhas salvas em lugares seguros. Porém, mesmo assim, os ataques virtuais são riscos que podem atingir até mesmo os mais cautelosos.

Ausência de um comando centralizado

Visto que o Bitcoin é um dinheiro descentralizado, isto é, não há nenhum órgão ou administrador regulamentando o funcionamento da criptomoeda, não existe nenhuma instituição reguladora que possa realizar arbitragem em eventuais disputas ou problemas relacionados à criptomoeda.

Um exemplo simples desse risco pode ser encontrado em um simples envio de valores entre carteiras digitais. Caso uma das partes tenha enviado o valor para o endereço de carteira errada, não há como solicitar um estorno, já que a operação é irreversível.

Falta de regras e legislações

O Bitcoin também não conta com regras e legislações bem definidas na maioria dos países do mundo, fazendo com que qualquer disputa judicial seja uma novidade para os legisladores, já que não há casos anteriores para se basear.

Além disso, o fato de que a criptomoeda não é facilmente tributada pode levar a problemas com declarações de imposto sobre a renda em diversos locais do mundo. Por fim, a moeda ainda corre risco frequente de sanções dos mais diversos governos do mundo, que podem acabar ocasionando seu banimento em transações naquele território, vide o que aconteceu na China.

Dependência de Tecnologia

Diferente dos investimentos tradicionais, onde existem declarações e documentos físicos validando a existência deles, o Bitcoin só existe no mundo digital, e totalmente dependente de tecnologias.

É claro que ficar sem acesso a tecnologia iria causar muitos problemas além do não funcionamento do Bitcoin, porém o fato de uma pane geral tecnológica sumir com investimentos na criptomoeda é um risco real.

Ser superado por novas criptomoedas

Ethereum é uma das principais criptomoedas no mercado atual. (Imagem: Reprodução/Ethereum)

O Bitcoin é uma ideia muito revolucionária para o mercado financeiro, e quanto mais popular ele fica mais criptomoedas aparecem para tentar alcançar a mesma fama. Projetos como Dogecoin, apoiado por Elon Musk, e Ethereim, são exemplo de outras criptomoedas bem sucedidas. Essa concorrência pode, um dia, fazer com que o Bitcoin seja a criptomoeda menos valorizada, com outras tomando seu lugar.

Intervenção do governo chinês

A China é um país conhecido por suas restrições amplas, principalmente quanto ao uso da internet. O país localizado na Ásia tem um poderoso firewall, usado pelo governo para controlar a disponibilidade de diversos recursos da rede mundial de computadores. A principal relação do país com o Bitcoin atualmente são os mineradores, ou seja, os responsáveis por registrar transações da moeda.

Os mineradores são elementos fundamentais para o funcionamento da rede da moeda e, pelo 50% deles estão localizados na China. Se o governo do país decidir intervir com a atividade dessas pessoas, muitos transtornos podem ser causados para os investidores da criptomoeda.

Apesar dos riscos

Todos os riscos citados acima são reais, e podem atingir qualquer pessoa que decidiu começar a investir em Bitcoin. Porém, cada vez mais leis do Brasil e do mundo, assim como operadoras e o próprio mercado vem tentando melhorar o cenário.

Por exemplo, há poucas semanas, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios criou um grupo de trabalho dedicado a criptomoedas.

O grupo foi criado com o objetivo de acompanhar o processo de normatização das criptomoedas no Congresso Nacional, além de articular com entidades públicas e privadas o aprimoramento da base de conhecimento do ministério sobre o tema. Por fim, a iniciativa também busca viabilizar oportunidades de capacitação do assunto não só para membros do ministério ou do grupo de trabalho, mas também para a sociedade em geral.

Iniciativas como a criada pelo Ministério Público do Distrito Federal são parte do esforço para melhor entendimento do mercado de criptomoedas e da diminuição do risco presente para as pessoas.

Mesmo que os riscos de investir em Bitcoin sejam reais, existe um esforço para melhorar o cenário. E, como dito no começo desta matéria, nenhum investimento é 100% seguro, sempre tendo possibilidades de perda de capital.

Fonte: Binance, Focalise

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