Retrospectiva Canaltech 2017: As maiores tretas tecnológicas do ano

Por Ares Saturno | 29 de Dezembro de 2017 às 18h28
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Quem nunca perdeu a cabeça durante uma discussão, não é mesmo? Viver é uma arte e se envolver em tretas faz parte. Mas esses arianos cabeça-quente da lista realmente passaram dos limites. Veja as maiores brigas do mundo da tecnologia em 2017

10) Que fria!

Desde que o presidente Temer resolveu aprovar a Emenda Constitucional nº 95, que estabeleceu um teto para investimentos estatais para as próximas duas décadas, diversos grupos se levantaram contra o projeto e alertaram que seria o caos seria instaurado em todos os serviços governamentais.

Na ciência não foi diferente. Com orçamento severamente diminuído para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a Presidência da República chegou a receber uma carta assinada por 23 laureados pelo Nobel em diversas áreas do saber científico pedindo para que Temer reconsiderasse o orçamento de 2018.

Nada feito. Aparentemente, o plano do governo é sucatear ao máximo as agências de pesquisa que dependem de verbas governamentais para continuarem seus trabalhos, de forma a ser necessário o investimento de empresas privadas no avanço da tecnologia no Brasil. Há quem acredite que é uma forma de pressionar a população a aceitar privatizações.

Presidente Temer e sua opinião sobre a ciência no Brasil

Com certeza, 2018 será um ano difícil para a ciência para além das tretas. Ao menos no Brasil.

9) Não passarão!

O ano de 2017 foi marcado por diversas denúncias contra figuras populares que cometeram assédios sexuais no passado. Vamos relembrar os principais casos?

Kevin Spacey foi afastado do seriado House of Cards, da Netflix, após ser acusado de assédio pelo joven ator Anthony Rapp, quando ele tinha apenas 14 anos. Spacey disse não ter se lembrado do caso, mas se desculpou na eventualidade de ter assediado, pouco antes de ser demitido da Netflix.

José Mayer foi acusado em março de assediar a figurinista Suellem Meneguzzi, chegando a tocar em sua genitália sem o devido consentimento. Mayer foi afastado das telenovelas e se desculpou publicamente.

Harvey Weinstein, depois de décadas de abusos cometidos, foi denunciado por uma longa lista de mulheres, incluindo Lupita Nyong'o, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Cara Delevigne.

John Travolta foi acusado de, em 2000, ter assediado um massagista em um hotel.

Sylvester Stallone fou denunciado por ter estuprado uma fã de 16 anos em 1986 através do Daily Mail, mas ele negou o ocorrido.

Outros nomes apontados pelas denúncias foram Steven Seagal, Ed Westwick (o odiável playboy Chuck Bass de Gossip Girl), Ben Affleck, o fotógrafo de moda Terry Richardson, o comediante Louis C. K, Brett Ratner, Dustin Hoffman, entre outros.

Destrua o machismo no fogo de Mordor. Machistas não passarão!

O crescente número de vítimas famosas que foram a público com as acusações de assédio teve impacto nas denúncias de maus tratos e violência doméstica em todo o mundo, encorajando mulheres a não mais sofrerem caladas. Juntas, elas são mais fortes!

8) Oi, privatização!

Nocauteou, me tonteou, veio à tona, fui à lona, foi K.O

A Oi entrou em recuperação judicial em 2016, após o acumular quase R$ 64 bilhões em dívidas com 55 mil credores. Em 20 de dezembro de 2017 o caso foi à assembleia geral, que ocorreu no Rio de Janeiro e levou mais de 15 horas para ser debatido. Após várias alterações, a recuperação judicial recebeu novo texto, tratando como um só bloco todos as sete empresas que fazem parte do grupo e definindo como serão pagas as dívidas.

Frente às recusas governamentais a fornecerem crédito para que a empresa de telefonia pudesse se equilibrar em suas próprias pernas, a expectativa para 2018 é de que a Oi seja adquirida por outras telecoms

7) Todo mundo odeia Kim Jong-un

Depois de ser acusado de roubos multimilionários em ataques a exchanges de Bitcoins sul-coreanas, o governo da Coreia do Norte ficou ofendidíssimo ao ser causado pelos Estados Unidos da América de ser o responsável pelo ataque de ransomware mais brutal do ano, o WannaCry.

Thomas Bossert, conselheiro de segurança nacional de Trump, afirmou categoricamente que não haveria dúvidas que o ataque cibercriminoso tenha partido do Lazarus Group, ligado a Kim Jong-un. O conselheiro não apresentou provas ao falar sobre o assunto no Wall Street Journal, mas afirmou que o governo tem muito material encriminatório em suas mãos e não tem medo de publicá-los, se necessário.

O porta-voz do Ministério de Negócios Estrangeiros de Kim Jong-un veio a público rebater as alegações de Trump e disse: "Não temos nada a ver com o ataque cibernético e não sentimos necessidade de responder, caso a caso, a acusações absurdas como essas feitas pelos Estados Unidos".

Altas aventuras de Kim Jong-un que podem te levar às lágrimas

A relação entre EUA e Coreia do Norte está cada vez mais tensa e o resto do mundo assiste a esse embate com um tanto de medo.

06) Estou de mal de você

Há muitos e muitos anos, nessa mesma galáxia, um CEO que hoje conhecemos como ligado à Amazon, Jeff Bezos, foi um dos primeiros investidores do Google. Aposto que ele não sabia o que estava por vir em 2017.

Com as duas companhias crescendo como o Império Romano na mesma área, era óbvio que elas iam se degladiar em algum ponto. E foi precisamente isso o que aconteceu em 2017.

Nos últimos meses do ano, a Amazon anunciou seu Fire Stick TV, rivalizando com o Chromecast da Google. Enquanto o segundo é uma espécie de pendrive com entrada HDMI que, quando plugado num aparelho televisor, o torna uma smartTV, o primeiro faz exatamente a mesma coisa, mas trazendo consigo a praticidade do controle remoto. Além disso, a Amazon também se recusou a vender alguns dos produtos da Google em suas plataformas.

Erro 404: YouTube não encontrado

A Google, em resposta, falou para a gigante das vendas passar bem com seu Amazon Prime e bloqueou o uso do seu YouTube em alguns dos aparelhos da Amazon, criando uma espécie de rachadura no solo da tecnologia global. A gigante das vendas disse, muito educada: "A Google está criando um precedente decepcionante ao bloquear o acesso dos clientes a um site aberto". Golpe baixo, Google.

5) Tele-treta no Brasil

A operação do Sistema Integrado de Gestão de Aparelhos (SIGA) da Anatel tinha como intuito combater o uso de aparelhos piratas no Brasil, com foco nos aparelhos clonados e na revenda de aparelhos adquiridos por roubo ou furto. Parecia ótimo.

O problema é que o projeto deixou todo mundo em dúvida quando veio, em fevereiro, a notícia que a Anatel bloquearia o sinal dos aparelhos piratas. Quem comprou aparelhos de marcas conhecidas fora do país ia ser bloqueado? Como saber se um aparelho está na lista dos que não serão mais atendidos? Como a Anatel vai descobrir se um smatphone é xingling? Como descobrir, na hora da compra, se um aparelho é falsificado? E turistas estrangeiros, terão seus aparelhos bloqueados durante visitas ao Brasil?

Será que é cópia do original?

Com todas essas questões, as operadoras de telefonia tentaram adiar ao máximo o bloqueio, enquanto as fabricantes tentavam apressar o processo para que as desconexões fossem feitas o mais rápido possível.

Depois de muita briga, ficou acertado que aparelhos em uso não teriam seus serviços suspensos e apenas aparelhos que não tivessem nenhum IMEI e não estivessem em atividade seriam bloqueados.

4) Possessividade no Vale do Silício

A Qualcomm trabalha com tecnologia de ponta com seus condutores de alto padrão, isso é fato. Mas também é fato que ela usa isso para manter relacionamentos profissionais com suas parceiras.

Em 2016, a Qualcomm já estava sendo processada pela FTC por acumular royalties ao ameaçar suas parceiras, caso resolvessem usar componentes fabricados por outras marcas. Mas quando a empresa de semicondutores praticamente subornou a Apple com bilhões de dólares em descontos para que fechassem uma parceria exclusiva de cinco anos, o intuito da Qualcomm era forçar a Apple a não implementar o padrão WiMAX, da Intel, em suas criações.

Após brigas sangrentas nos tribunais, a Apple parece estar se organizando para romper a exclusividade exigida pela Qualcomm já em 2018, negociando com as principais concorrentes da fabricante de chipsets, como a Intel e a MediaTek. 

 Eu tive uma ex que agia assim também, Apple.

3) Quem desdenha quer comprar?

Uma das principais discussões do universo tech em 2017 foram as criptomoedas. E a rainha delas, o Bitcoin, deu o que falar. Com uma instabilidade que permitiu pessoas gastarem pouquíssimo dinheiro e fazer fortunas milionárias, o Bitcoin foi mocinho e foi vilão.

Teve até laureado do Nobel defendendo que as criptomoedas eram um erro imenso que levaria a economia mainstream ao completo caos, devendo ser proibidas antes que fosse tarde demais. Uma série de economistas renomados alertaram para o perigo de haver uma Bolha de Bitcoins e que, quando a bolha estourasse, ia voar prejuízo e crise econômica para todo lado.

"Muito mais rentável do que processar o Zuckenberg", afirmam gêmeos Winklevoss

Mas os entusiastas das criptomoedas estão nem aí para a opinião dos especialistas no assunto. Eles acreditam que as opiniões contrárias são baseadas no medo de grandes banqueiros e Estados em ver a população regular um sistema monetário descentralizado que não visa o lucro de corporações. Algo como uma releitura da fábula de Esopo da raposa e das uvas, com a moral da história estando ligada ao fato de que esperneia é quem está perdendo dinheiro.

Apresentando altas astronômicas e algumas baixas abruptas, o Bitcoin segue angariando simpatia e antipatia por onde passa.

2) Fake News no Kremlin

Após redes sociais como o Facebook e o Twitter perceberam atividades de bot e contas fakes em suas plataformas veiculando material publicitário com intuito de diminuir os votos de Hillary Clinton e aumentar os votos de Donald Trump, o mundo conheceu a Internet Research Agency, um grupo de inteligência ligado ao Kremlin e ao Estado Russo com o nome mais genérico possível.

E não foi só isso. Descobriram que também houve material veiculado pela agência russa a fim de convencer a população do Reino Unido a apoiar o Brexit.

Não adianta fazer o fofo, Putin. A gente sabe que você é do mal

Com a popularização da internet e o mundo todo usando o que é veiculado nas redes sociais como fonte primária de informação, fica fácil manipular populações inteiras a tomar uma decisão política. Assustador!

1) Uber vs. Bom Senso

Em matéria de treta, não teve para ninguém em 2017: a Uber foi a verdadeira campeã. Parece que os próprios executivos e parceiros da empresa fizeram tudo o que eles podiam fazer para piorar as crises que a Uber estava enfrentando desde que foi acusada de fornecer um serviço ilegal.

Em fevereiro de 2017, a ex-funcionária Susan Fowler fez uma publicação relatando cruamente os assédios sexuais que sofreu durante o ano que prestou serviços de engenharia à empresa e toda a recusa por parte de seus superiores de levar sua denúncia adiante, baseadas na desculpinha esfarrapada que seu abusador era um homem de bem.

Que cara simpático, esse Travis Kalanick!

Além disso, boa parte das decisões ruins tomadas pela companhia se deve ao ex-CEO, Travis Kalanick. O cara era tão cheio de marra que, após ser filmado batendo boca com um motorista parceiro, os ricaços que forneciam grana para a Uber pressionaram geral para que Travis fosse afastado do cargo, em agosto.

Quando tudo parecia estar se acalmando, outra bomba: um ex-funcionário da Uber enviou uma carta ao juiz responsável pelo processo que a Waymo moveu contra a empresa, dizendo que não só as alegações de que a Uber havia roubado segredos de projetos de carros autônomos da Waymo, como também deixando bem claro que havia uma repartição de inteligência na ex-empregadora que se dedicava apenas a surrupiar furtivamente inovações das concorrentes. 

A Uber se comportou tão mal em 2017 que deve ter ganhado um carvãozinho de Natal.

E a moral da história? Trate bem seus funcionários para que eles não fiquem sedentos por vingança a esse ponto.

 

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