Publicidade

Por que, de repente, a inteligência artificial virou hype?

Por| 03 de Agosto de 2023 às 16h00

Link copiado!

Pixabay/geralt
Pixabay/geralt

Recentemente, em uma conversa com o Dr. Ugo Stocco, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e fellow no curso de BioDesign – Inovação para a Saúde do Einstein, ficou muito nítido o espaço que as soluções utilizando inteligência artificial (IA) estão ocupando em outras áreas que não Tecnologia da Informação (TI).

Mas existem diversas dúvidas quanto às suas aplicações, eficiência, confiabilidade, segurança, controle e até questões jurídicas e de direitos autorais, entre outras. Para auxiliar no entendimento desses pontos fui conversar com diversos especialistas, e abaixo segue um resumo a respeito.

Enfim, por que a IA virou hype?

Continua após a publicidade

Com o lançamento do ChatGPT em dezembro de 2022, uma nova era no processo evolutivo da Inteligência Artificial está iniciando: a “Era da IA aplicada aos negócios”. Essa era será caracterizada pela invasão de soluções baseadas em Inteligência Artificial nos processos operacionais, administrativos, de gestão e de tomada de decisão nas empresas.

E estamos apenas no começo dessa era, onde muitas das demandas que hoje são estritamente humanas serão apoiadas ou executadas por algoritmos de IA.

Um exemplo real é o projeto “Create Real Magic” da Coca-Cola, em que um grupo de 30 “AI artists” estão utilizando o ChatGPT (texto generativo) e o Dall.e (imagens generativas) para a cocriação de material promocional para a Coca-Cola Company em uma iniciativa oficial da empresa.

Outro exemplo, dessa vez no campo mais operacional, é a iniciativa do banco de investimentos Morgan Stanley em testar a tecnologia GPT-4 para a criação de um assistente virtual que, baseado em uma biblioteca com centenas de milhares de artigos do setor, busca apoiar o time de analistas com insights e informações relevantes de forma mais rápida e eficiente.

Continua após a publicidade

Mas por que só agora?

Nesse mesmo papo com o Dr. Ugo Stocco, surgiu a seguinte pergunta: “Mas qual a diferença de tudo que sempre existiu de machine learning (aprendizagem de máquina) e AI pro hype atual? Porque tudo agora tem que usar a palavra “inteligência artificial” como se fosse a maior descoberta do mundo?”

Em resumo, até agora não tínhamos visto nada parecido com o poder de aplicação que o ChatGPT demonstrou, e tampouco de uma forma tão acessível comercialmente. O que estamos presenciando nessa era é o “desbloqueio” da capacidade tecnológica que impedia a inteligência artificial de evoluir e a democratização do acesso a essa tecnologia.

São três pilares que evoluíram e que juntos estão potencializando as aplicações de IA em cenários de maior complexidade e baseados em enormes quantidades de dados:

Continua após a publicidade
  • Hardware – desde sempre os algoritmos de IA esbarram nas limitações do poder computacional. Muita coisa em IA simplesmente não era desenvolvida porque não rodava nos computadores de antigamente. Mas hoje em dia temos disponível poder computacional suficiente para rodar modelos de IA mais complexos e pesados.;
  • Algoritmos – Nos últimos anos evoluímos muito em algoritmos capazes de lidar com situações complexas (situações "não-exatas"), criando um leque enorme de possibilidades e de aplicações.;
  • Bases de Conhecimento – Pode-se entender por base de conhecimento o conjunto de informações/conhecimento de uma IA. Em uma analogia, se os algoritmos de IA são representações computacionais de “como nós pensamos”, as bases de conhecimento são versões digitais das informações, do “conhecimento em si”. E com a alta capacidade de coletar, armazenar e acessar enormes quantidades de informações, estamos vivenciando uma explosão na criação de bases de conhecimento em todas as áreas.
“A Inteligência Artificial não veio para fazer sistemas melhores, mais rápidos ou mais perfeitos... e sim, para resolver problemas que antes só os humanos resolviam.” – Fernando D’Angelo

Ao juntar tudo isso começaram a aparecer aplicações "em massa" de soluções baseadas em IA, e então a inteligência artificial deixou de ser algo restrito ao pessoal da área de TI e está passando a permear as demais áreas e a interferir nos processos, na sociedade, na tomada de
decisão, no poder...

A partir deste momento que estamos vivenciando a IA está deixando de ser algo "escondido" e passando a ter uma atuação mais visível para toda a sociedade. No meu ponto de vista atingimos um ponto de inflexão na IA, onde algumas soluções já resolvem “problemas humanos” de uma forma muito próxima ou até melhores do que nós, e normalmente em
velocidades muito maiores e a baixo custo.

Continua após a publicidade

Mas junto com todo esse poder e visibilidade, estão aparecendo também questionamentos quanto ao seu uso. Isso porque apesar de todo o poder que a IA está demonstrando em lidar com incertezas e situações complexas (não-exatas), ela não é perfeita e, muitas vezes, não é rastreável, não é controlável e não é "entendível", gerando todo esse cenário de anseios, insegurança e resistência à IA.

Em conversa com diversos gestores de TI e negócios, é nítido o clima de precaução e dúvidas. Apesar de todos concordarem que a Inteligência Artificial será um grande divisor de águas no mundo corporativo, muitos a consideram “entusiasmante e apavorante ao mesmo tempo”, e a sua adoção ainda é um tabu, rodeada de preocupações com controle, previsibilidade, compliance e segurança da informação, entre outros.

E na sua empresa, como esse assunto está sendo tratado?

Fonte: Com informações de The Coca-Cola Company e Fortune