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Os riscos e oportunidades da aplicação de IA generativa nos negócios

Por| 09 de Junho de 2023 às 10h00

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Reprodução/Freepik
Reprodução/Freepik

Nos últimos meses venho sendo muito questionado sobre a real capacidade de aplicação das recém-lançadas soluções de IA (ex: ChatGPT) no âmbito dos negócios. Mas além disso, há também muitos questionamentos quanto à confiabilidade, controle, compliance e segurança dessa nova gama de serviços. Há ainda o receio de iniciar investimentos e projetos baseados em tecnologias ainda pouco exploradas em um cenário repleto de incertezas.

Para escrever um pouco a respeito, vou trazer uma experiência que passei durante os meses de abril e maio deste ano. Neste período participei do grupo de mentores em um Hackathon corporativo voltado para a criação de POCs utilizando IA Generativa.

Traduzindo, eu participei da organização de uma gincana tecnológica, que é uma espécie de workshop “mão-na-massa” com duração de 2 meses em que 10 times formados por funcionários da Porto desenvolveram protótipos funcionais voltados às demandas internas, utilizando soluções de IA Generativa com o apoio de mentores. Ahhh... na maioria das equipes não havia ninguém da área de TI.

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E o resultado foi surpreendente!

Maurício Martinez, Gerente de P&D na Porto/Oxigênio Aceleradora (hub de inovação da Porto) e um dos idealizadores desta gincana, trouxe o seguinte:

“As 10 equipes foram capazes de, ao final deste prazo, demonstrar protótipos funcionais utilizando integrações e tecnologias como o ChatGPT, Midjourney e Google DialogFlow... e obtiveram retornos surpreendentes! Os textos gerados, as informações extraídas dos documentos, as análises feitas, e as respostas dadas em praticamente todos os projetos estavam no mesmo nível (ou até superior) das respostas retornadas por humanos!!! E à medida que os times entenderam como interagir e treinar a IA, as respostas ficaram mais confiáveis, diminuindo para quase zero o índice de respostas não-desejáveis!”.

A partir dessa gincana, levantei 3 pontos importantes a respeito do uso de Inteligência Artificial nos negócios:

  1. IA não é só para devs! Apesar da gincana contar com a participação de 2 programadores para apoiar os times no desenvolvimento dos protótipos. Em conversa com Martin Luther, CEO da Biti9, empresa responsável por levar apoio técnico e de inteligência para a gincana, disse que: “...o tempo investido pelos devs em programação foi bem inferior ao tempo investido pelos times em si para alimentar, afinar os comportamentos, e treinar a Inteligência Artificial. Algo como 3 pra 1.”
  2. Não é sobre substituir processos ou pessoas. É sobre potencializar e otimizar tarefas em que há incertezas, linguagem natural e dados não estruturados! Todas as ideias desenvolvidas acoplam agilidade, qualidade e conhecimento aos processos e pessoas já existentes, diminuindo o tempo dedicado a tarefas rotineiras que são essencialmente humanas, tais como analisar e extrair dados de documentos, classificar informações, gerar textos e imagens etc.
  3. É possível acoplar IA aos processos sem comprometer a qualidade dos dados! Isso porque a IA generativa atua justamente onde já há margem para erro humano, ou seja, ela não substitui os processos e sistemas tradicionais onde a informação e os fluxos devem ser perfeitos. Essa abordagem focada em aplicação da IA para tarefas e processos periféricos, inclusive, pode facilitar a sua adoção pelas empresas.

Mas o mais legal de tudo isso é que as pessoas que participaram da gincana saíram super animadas com o aprendizado e com as reais possibilidades de aplicação do que foi desenvolvido. Todas as ideias apresentadas possuem efetivo potencial de aplicação, fato esse reforçado pelos comentários feitos pela banca avaliadora durante o evento de encerramento do projeto.

Quanto à efetiva implementação desses projetos na Porto, no entanto, ainda há um caminho a ser pavimentado. Maurício Martinez disse que “...é um caminho sem volta! Com certeza a Porto segue na direção de agregar IA nos processos. No entanto, primeiro é necessário um esforço conjunto das diretorias para a definição das diretrizes de uso, regras de compliance e mecanismos voltados à segurança e rastreabilidade do que será produzido por essas Inteligências Artificiais! Quem sabe até o final do ano teremos 2 ou 3 ideias dessas implementadas e funcionando...”.

E complementa: “...as 10 ideias são ótimas e aplicáveis no dia a dia, mas algumas exigem um grau maior confiança e monitoramento. Não importa se um texto é gerado por IA ou não... se ele vai para alguém, é a imagem oficial da Porto que está sendo representada lá. E há também questões relacionadas com o uso de dados sensíveis e a LGPD, então são pontos que precisam de maior atenção. Já algumas ideias não tem esses riscos relacionados à imagem da Porto ou à segurança da informação e podem servir muito bem de testes iniciais para incorporarmos a IA em nossa cultura corporativa!” – Mauricio Martinez, Gerente de P&D na Porto/Oxigênio aceleradora.

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E na sua empresa? Já estão brincando um pouco com IA generativa e buscando entender como ela pode transformar os negócios?