10 melhores filmes de terror para assistir no streaming do Telecine

Por Laísa Trojaike | 20 de Abril de 2020 às 08h51
Divulgação

Os 10 melhores filmes, sim, mas melhores o quê? O streaming do Telecine tem uma seleção excelente de filmes de terror e Canaltech elenca aqui os melhores não somente em termos técnicos. Cinema, como qualquer outra arte, está além da técnica e depende imensamente do espectador: é quem vê que se identifica ou não, sente algo ou não, é tocado ou não, gosta ou não. Neste sentido, podemos gostar de algo considerado ruim ou não gostar de algo considerado bom.

Esta lista traz filmes de terror que, a partir de uma perspectiva subjetiva, podem agradar espectadores diferentes, por motivos completamente distintos, simplesmente porque o gênero terror não é homogêneo e pode ter toda sorte de fãs e abordagens.

Confira a seguir a lista com os 10 melhores filmes de terror para assistir no streaming do Telecine:

10. Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi é um terrir (terror-comédia) adolescente que conquista com a sequência de abertura, uma espécie de curta-metragem à parte tamanha a qualidade. Apesar de ter diversos clichês de comédias centradas em adolescentes que estão com os hormônios à flor da pele, este é um filme que quebra muitas expectativas ou, se não as quebra, faz o óbvio de uma forma original.

Os personagens são cativantes e o trio principal faz reflexões sinceras sobre amizade, trazendo para o apocalipse zumbi uma versão mais otimista da humanidade: enquanto a maioria dos filmes (e séries) de zumbis mostram como um apocalipse faz surgir o pior do ser humano, Como Sobreviver a um Ataque Zumbi utiliza o humor para nos lembrar que o companheirismo e a empatia são importantes em momentos críticos.

9. As Boas Maneiras

Sim, há títulos melhores que poderiam estar nessa lista, se pensarmos tecnicamente. As Boas Maneiras, no entanto, é uma incursão brasileira em um gênero que não costumamos ver ser explorado no nosso cinema. Mais além, arrisca um subgênero de difícil execução: lobisomem.

Há ressalvas quanto ao desenvolvimento da trama e quanto aos estereótipos escolhidos para apresentar a história. Algumas soluções utilizadas pela direção poderiam ser melhores e outros detalhes carecem de desenvolvimento, entre outras coisas, mas mesmo assim a ideia central, o mote da trama, é espetacular. A opção por utilizar recursos práticos em diversos momentos é louvável e pode ajudar a ganhar o coração de fãs dos filmes mais clássicos do gênero. Um olhar mais atento pode encontrar referências pontuais e sutis ao expressionismo alemão e a Um Lobisomem Americano em Londres, entre outros.

8. A Morte do Demônio

O remake não amplamente aceito pelos fãs do original homônimo de Sam Raimi é um bom body horror contemporâneo. Embora tenha perdido a essência trash, o filme de Fede Alvarez foca muito mais na agonia da dor do corpo vivo sofrendo toda forma de violências (por isso body horror) e exige um certo estômago do espectador. E com isso fica o alerta: não é um filme para todos.

Além disso, o novo filme aproveita a oportunidade de trazer uma protagonista feminina que, embora não supere o Ash (Bruce Campbell) do original, tenta uma abordagem diferente justamente por entender que não se reproduz um ícone. O protagonismo feminino ainda encontra respaldo na fama que a cena do estupro ganhou.

7. It: A Coisa

Assustador para alguns, mas não para todos, It: A Coisa é o pesadelo de quem tem horror a palhaços. Bill Skarsgård como Pennywise é uma das principais razões para o sucesso de It, mas seu trabalho não apaga da história do terror a única coisa memorável da adaptação anterior com Tim Curry como vilão: não se trata de quem é melhor, mas de como ambas as interpretações marcaram suas épocas.

Além disso, há um resgate do clima nostálgico de crianças que se juntam em uma aventura contra um mal comum, que lembra muito os filmes de Steven Spielberg, referenciados em Super 8 e, mais recentemente, na série Stranger Things. Ainda é cedo para notar o impacto do novo It, mas a ideia de que os personagens e que todos os medos são aterrorizantes porque são, enfim, medos podem ter marcado a nossa geração. Se a Coisa aparecesse para você, qual forma ela assumiria?

6. Halloween

Quando surgiu a notícia de que uma sequência do original de 1978 seria feita, reinou o receio, sobretudo por não ter a direção de John Carpenter. O novo Halloween, no entanto, não só é extremamente respeitoso com o original, como faz inúmeras referências à direção de Carpenter, reproduzindo montagens, direção de arte, enquadramentos e sequências do original, mas com uma deliciosa troca de personagens.

O retorno girl power de Jamie Lee Curtis como Laurie Strode é surreal e capaz de empolgar os fãs tal como uma final de Copa do Mundo empolga a torcida. Além disso, Green atualiza a violência de Michael Myers para o público contemporâneo que já não se contenta com o tipo de violência dos anos 1970: mais velho e há muito sem matar alguém, Myers agora mata explicitamente e sem medo de ter a sua vingança interrompida, para a sorte do nosso sadismo de espectador.

5. Um Lugar Silencioso

Ambientado em um mundo pós-apocalíptico, Um Lugar Silencioso brinca com os sons de uma forma completamente original em dois gêneros que têm o som em alta estima: terror e ficção científica. A direção e o roteiro de John Krasinski transformam Um Lugar Silencioso não só em uma obra-prima do terror, mas também do cinema.

A originalidade também está em trazer um drama familiar para o centro de um filme pós-apocalíptico, que geralmente focam mais em questões de conflitos entre grupos com interesses opostos. Muito mais intimista, o terror de perder um ente querido por causa de algo praticamente inevitável (fazer barulho) permeia o filme todo e esbarra em outro ponto inerentemente humano: a comunicação. O impacto da narrativa é tão grande que é possível se pegar dando atenção a todos os mínimos sons que fazemos no nosso cotidiano.

4. Corrente do Mal

Se em Midsommar “o mal não espera a noite”, como indicou a divulgação, em Corrente do Mal o mal não tem pressa. A sequência de abertura, além da fotografia e figurino impecáveis, mostra porque é necessário fugir, enquanto a direção e o desenvolvimento da trama dizem que a maldição pode aparecer a qualquer momento, embora ela venha sempre na mesma velocidade.

Outro detalhe amedrontador é a ideia de que a maldição pode tomar qualquer forma, às vezes óbvia, às vezes completamente disfarçada. Para fãs do terror, a ligação da maldição a uma questão sexual remonta a inúmeras metáforas de clássicos do gênero, como se a metáfora tivesse ganhado corpo e se tornado explícita. Tudo isso somado a um clima de filme indie faz de Corrente do Mal um clássico contemporâneo - só é uma pena que David Robert Mitchell não tenha recebido o reconhecimento merecido por este filme que, se tivesse um formato mais pop, certamente já teria ganhado sequências.

3. Mandy - Sede de Vingança

Esqueça os memes envolvendo Nicolas Cage, ou melhor, não esqueça: o overacting dele é perfeito nesse filme que exagera em diversos pontos com um propósito artístico. É um filme de terror para pendurar na parede (sobretudo se você tiver um gosto duvidoso).

Mandy é insano em muitos sentidos e na medida certa, praticamente uma droga ilícita cinematográfica, até mesmo porque uma poderosíssima droga é um dos pontos da trama. O efeito dela parece transbordar em toda a estética do filme que, se não lombra, é uma lombra em si mesmo.

2. Boa Noite, Mamãe!

Boa Noite, Mamãe! tem uma frieza violenta no melhor estilo do cinema austríaco popularizado por filmes como Violência Gratuita (1997), do mestre Michael Haneke. Focado em apenas três personagens, uma mãe e seus dois filhos gêmeos, o filme é intimista e parece gritar que você não tem para quem pedir ajuda.

O isolamento da família, que poderia ser um dos pontos de intensificação da tensão, é quase anulada pela ideia de que o mal pode estar dentro da sua própria casa, de modo que de nada resolveria ter a quem recorrer. Tudo fica ainda mais intenso a partir do momento em que a direção deixa a dúvida: os gêmeos estão certos ou errados? Para completar, assim como em Halloween (1978), é chocante ser confrontado com a ideia de que crianças podem cometer crimes.

1. Nós

Jordan Peele entrou para o hall dos grandes nomes do terror contemporâneo com Corra! e, com Nós, confirmou que merece demais esse reconhecimento. Mais metafórico que em seu primeiro filme, Peele faz uma crítica social em Nós, mas mesmo sem isso o filme permanece sendo um grande terror, se vermos apenas pelo lado da narrativa fantástica do doppelgänger.

Como se isso já não fosse o suficiente, Nós conta com uma atuação monstruosa de Lupita Nyong'o, que interpreta duas personagens absolutamente opostas e entrega no olhar o verdadeiro terror de todo o filme. Mesmo diante do alívio cômico da interpretação de Winston Duke, o terror transmitido por Nyong'o não é anulado. A cereja do bolo é a direção de arte que, unida à direção de Peele, nos dá um conjunto enorme de detalhes a serem observados, conectados e interpretados.

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