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Como o diretor de Mad Max quase levou a Liga da Justiça para os cinemas

Por| Editado por Durval Ramos | 14 de Maio de 2024 às 20h00

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Alex Ross/DC Comics
Alex Ross/DC Comics

Durante muitos anos, a Warner tentou de alguma forma levar os heróis da DC Comics para os cinemas, começando com um filme de Superman e Batman, até chegar ao longa da Liga da Justiça. Isso acabou acontecendo em 2017 no filme dirigido por Zack Snyder e Joss Whedon, mas, por muito pouco, não aconteceu quase dez anos antes, pelas mãos de George Miller, diretor da saga Mad Max.

Toda a história sobre a produção de Liga da Justiça: Mortal, nome dado ao filme que seria dirigido por Miller, é triste pois cada novo detalhe leva a crer que a adaptação poderia ser realmente incrível. Infelizmente, greves, adiamentos e dinheiro acabaram por dar fim ao filme antes mesmo de ele começar a ser filmado.

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O começo manco da Liga da Justiça nos cinemas

Em 2005, a Warner Bros lançou nos cinemas Batman Begins, filme dirigido por Christopher Nolan e estrelado por Christian Bale que revitalizou a figura do Homem-Morcego nos cinemas. A equipe retornou ao trabalho para produzir uma sequência, que traria o Coringa e Duas Caras como antagonistas. Esse filme se tornaria Batman: O Cavaleiro das Trevas, considerado até hoje como uma das melhores adaptações dos quadrinhos para os cinemas.

Em 2006, foi a vez do Homem de Aço retornar aos cinemas em Superman: O Retorno, dirigido por Bryan Singer e estrelado por Brandon Routh. Apesar de o filme não ter feito um sucesso absurdo, a Warner não havia se pronunciado exatamente se daria continuidade ou não a essa versão do personagem.

Talvez por isso, em fevereiro de 2007, o estúdio anunciou que os roteiristas Kieran Mulroney (Tempo de Crescer) e sua esposa, Michele Mulroney, escreveriam um roteiro para um filme da Liga da Justiça.

O anúncio veio logo após a Warner Bros cancelar o projeto de Mulher-Maravilha, que estava sendo tocado por Joss Whedon, e The Flash. Poucos meses depois, o novo filme acabou recebendo o nome de Liga da Justiça: Mortal, com um roteiro que agradou os executivos do estúdio, que optaram por acelerar a sua produção para evitar que a possível greve de roteiristas, que parecia estar prestes a acontecer, atrapalhasse as filmagens.

Brandon Routh acabou sendo deixado de lado, não sendo convidado para o filme, e a versão do Batman vivida por Christian Bale acabou isolada em seu próprio universo. A Warner precisava escolher, em poucos meses, um diretor e um elenco completo para filmar uma adaptação da Liga da Justiça, ao mesmo tempo que fazia um novo longa do Batman, sem qualquer ligação com a produção.

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Quem acha que as loucuras com multiverso deixam os filmes confusos, antes era bem pior.

A Warner tinha o plano de lançar Liga da Justiça: Mortal como o início de uma nova franquia, gerando spin-offs de cada um dos heróis depois, sem precisar necessariamente ficar explorando as origens de cada um deles.

Na época, Christian Bale foi questionado sobre os motivos de ter ficado de fora da Liga da Justiça, reforçando a ideia do diretor Christopher Nolan que preferia permanecer separado e esperava que o filme não atrapalhasse o próximo filme do Batman, sendo melhor se fosse feito depois do terceiro longa da trilogia do Homem-Morcego.

O pai do Louco Max assumiu a bucha

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Inicialmente, o escolhido pela Warner para assumir a direção de Liga da Justiça: Mortal foi Jason Reitman, de Juno, mas ele logo recusou o trabalho. A ideia de um projeto desse nível, produzido praticamente em uma corrida contra o relógio de uma possível greve de roteiristas, não era o melhor cenário para o diretor.

Só que a Warner encontrou, em setembro de 2007, um substituto insano o suficiente para tentar fazer as coisas funcionarem. George Miller, diretor até então da trilogia Mad Max e de filmes como Babe: Um Porquinho na Cidade, As Bruxas de Eastwick e Happy Feet, foi escolhido para a adaptação que teria um orçamento de US$ 220 milhões.

Miller tinha experiência com filmes de todos os tipos e trouxe suas próprias ideias para o longa, que começou a ganhar forma com a sua chegada.

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Um elenco para preparar

Em pouco mais de um mês, Miller se reuniu com mais de 40 atores e atrizes para selecionar o elenco que levaria a Liga da Justiça para os cinemas. D.J Coltrona (Um Drink no Inferno) foi escolhido para interpretar o Superman, enquanto o canibal Armie Hammer (A Rede Social) foi escolhido para interpretar o Batman.

A escolha da Mulher-Maravilha já foi mais demorada, passando por várias atrizes, entre Jessica Biel (Blade Trinity), Shannyn Sossamon (Coração de Cavaleiro) e Mary Elizabeth Winstead (Scott Pilgrim Contra o Mundo), até chegar em Megan Gale (Mad Max: Estrada da Fúria).

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Common (John Wick 2) foi escolhido para viver John Stewart, o Lanterna Verde, ao lado de Adam Brody (The OC) como Barry Allen, o Flash, e Hugh Keays-Byrne (Mad Max: Estrada da Fúria) como o Caçador de Marte. 

Teresa Palmer (Meu Namorado é um Zumbi) seria Talia al Ghul e Jay Baruchel (Blackberry) interpretaria o vilão Maxwell Lord. Existiam rumores sobre vários atores que poderiam interpretar o Aquaman, papel que acabou ficando com o ator Santiago Cabrera (Heroes), e a confirmação que Anton Yelchin (Star Trek) faria uma participação como Wally West.

Com a Weta Workshop responsável pela criação dos uniformes e efeitos visuais do filme, George Miller levou seu elenco para a Austrália para começar a se preparar para as filmagens.

Treinando como heróis

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A ideia de Miller era deixar os atores prontos para interpretarem seus papéis da melhor maneira possível. Fisicamente, cada ator trabalhou com especialistas que os ajudassem a criar um estilo próprio de se mover e lutar. Em uma entrevista ao site AICN, Armie Hammer revelou que atores como Adam Brody treinava com fitas elásticas que deixavam seus movimentos diferentes de uma pessoa normal, para poder aplicar isso com efeitos e mostrar a velocidade do Flash.

Antes do treinamento geral dos atores, D.J. Coltrona, que interpretaria o Superman, já havia começado seu treino, podendo ajudar os atores a criar a dinâmica de ter alguém como o Homem de Aço auxiliando-os. Hammer era deixado de fora de várias atividades para ajudar a criar a mentalidade paranoica do Batman.

Tudo isso aliado a uniformes práticos, mas ainda fiéis aos quadrinhos. Em entrevista ao site Vulture, Armie Hammer revelou que seu uniforme era bastante realista, na medida que uma roupa do Homem-Morcego poderia parecer. O ator comentou como ela lembrava de uma armadura, mas todo o material era muito refinado e caro, algo que alguém como Bruce Wayne poderia bancar.

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O fim de um sonho antes de ele começar

O filme estava prestes a começar a ser filmado, em novembro de 2007, na Austrália, quando a greve dos roteiristas de Hollywood começou. Isso fez com que a Warner precisasse colocar a produção na geladeira até que um acordo fosse alcançado.

Em fevereiro de 2008, assim que a greve acabou, o estúdio e o diretor queriam começar as filmagens imediatamente, mas precisaram adiar tudo por mais três meses. Inicialmente, o filme seria filmado em parte na Austrália por conta de incentivos fiscais de aproximadamente 40% dos impostos, uma situação que acabou mudando em 2008.

As exigências da Comissão de Cinema da Austrália ajudaram Miller a contratar Megan Gale, Hugh Keays-Byrne e Teresa Palmer no filme por eles serem australianos. A produção também teria uma equipe toda australiana, mas quando as câmeras estavam prestes a começar a rodar, o governo resolveu que o filme não tinha atores locais o suficiente e negou o incentivo ao estúdio.

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Isso fez com que a adaptação precisasse deixar para trás tudo o que havia sido feito até então para mudar os escritórios para Vancouver, no Canadá. Isso fez com que as filmagens de Liga da Justiça: Mortal fossem empurradas mais um pouco, mudando a data de estreia do filme para o verão americano de 2009.

Só que um pequeno filme chamado Batman: O Cavaleiro das Trevas estreou em julho de 2008, se tornando um fenômeno de bilheteria e público em todo o mundo. Considerando os adiamentos, o alto orçamento, e o fato de uma versão diferente do Batman estar fazendo tanto sucesso, a Warner Bros mudou seus planos.

Não fazia mais sentido um filme da Liga da Justiça daquele jeito. Por conta disso, o estúdio resolveu continuar com a trilogia dirigida por Nolan e mover seus esforços para a criação do filme solo do Lanterna Verde, que poderia servir como início de um novo universo de heróis nos cinemas.

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Ele falhou e o tal universo só foi nascer em 2013, com a estreia de Homem de Aço. O resto, vocês já sabem.

Mas qual era a história de Justice League: Mortal?

O roteiro do filme, que apareceu na internet há alguns anos, mostra que o longa adaptava livremente duas histórias dos quadrinhos: Liga da Justiça - Torre de Babel e Superman Sacrifício.

A história mostraria um mundo já com vários heróis estabelecidos, como Superman, Batman, Flash, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e Aquaman, mas ainda longe de serem uma equipe. 

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O filme começaria com um funeral, com todos heróis usando versões de luto de seus uniformes, com a ausência de Batman na cerimônia. A trama voltaria dois dias para mostrar os acontecimentos que envolveriam o vilão Maxwell Lord e Talia al Ghul ganhando controle de um sistema criado pelo Homem-Morcego para monitorar os heróis da Terra.

Cada um deles acabava virando alvo dos vilões, precisando se unir não somente para salvar a Terra, mas a si próprios. O filme incluiria figuras como OMAC, e traria cenas de ação absurdas, como um Superman que teve sua mente dominada tentando ser parado pelo Batman e Mulher-Maravilha.

A luta chegaria em um ponto absurdo que o Homem de Aço e a amazona acabariam lutando no espaço, com a Mulher-Maravilha conseguindo quase derrotar Kal-el na lua.

A trama chegaria ao fim com o grupo decidindo criar a Liga da Justiça e vendo uma ameaça vinda do espaço: Starro, o Conquistador. O roteiro termina com a Liga formada e viajando ao encontro do novo inimigo.

Até hoje, George Miller comenta sobre a oportunidade perdida com o filme. Em entrevistas de divulgação de Furiosa: Uma Saga Mad Max, o diretor revelou que acharia interessante ter a oportunidade de dirigir um filme baseado em quadrinhos, como Thor ou outro do tipo.

Se Marvel e DC não estiverem ligando para o homem nesse momento, está todo mundo maluco.