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Crítica Toc Toc Toc: Ecos do Além | Terror começa bem e acaba péssimo

Por| Editado por Jones Oliveira | 25 de Agosto de 2023 às 19h05

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Divulgação/Lionsgate
Divulgação/Lionsgate

O mês de agosto trouxe algumas surpresas para os fãs de terror. Entre elas está Toc Toc Toc: Ecos do Além, que chega aos cinemas no dia 31, contando uma história de assombração cuja narrativa é recheada de clichês, como casa macabra com escada, criança amaldiçoada e muita escuridão. Entretanto, não é o clichê que incomoda e, sim, o fato de que a segunda metade do filme é um verdadeiro fiasco.

Para ser justo, a trama até que começa interessante, acompanhando a vida de Peter (Woody Norman), um menino tímido e retraído que não tem muitos amigos e que descobre uma voz misteriosa saindo da parede do seu quarto. A princípio ele fica desesperado e avisa seus pais, mas vendo que ambos ignoram o seu medo, passa a conversar com a tal voz que diz ser sua irmã.

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Pouco a pouco, então, o menino vai ficando mais à vontade com a suposta irmã, que o convence de que seus pais são pessoas ruins e que mataram uma garotinha que desapareceu no último Halloween. Aqui é preciso dizer que o argumento do filme é atrativo, mas, infelizmente, não é bem desenvolvido.

A história da tal menina desaparecida deixa pontas soltas e também não é bem explicado quem seria essa tal irmã de Peter, quando ela nasceu e por que os pais a prenderam atrás da parede.

Ainda assim, até essa parte, o espectador provavelmente ficará com os olhos colados na tela querendo saber o que vem pela frente. Isso porque o diretor Samuel Bodin foi sagaz em construir cenas que despertam a curiosidade e criam uma tensão gostosa que antecede o clímax.

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Voltando ao enredo, Peter está abandonado à própria sorte e não tem muitas alternativas para se livrar dos pais senão matando-os, e é por meio de uma sequência que surpreende e choca pela crueldade que ele dá fim à vida dos dois. Feita com atenção e inteligência, essas cenas são as melhores do filme e indicam que a trama vai ficar cada vez melhor. Infelizmente não é isso que acontece e, após elas, Toc Toc Toc começa a ir ladeira abaixo.

Parece que o filme foi dividido em duas partes, na qual a primeira é feita com capricho e a segunda não passa de um amontoado de cenas ruins e péssimos efeitos especiais.

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A virada decepcionante de Toc Toc Toc: Ecos do Além

O que mais incomoda no filme é que o momento de revelar quem é a assombração que fingiu ser irmã do protagonista é muito decepcionante. Primeiro porque é ridículo, pois a tal entidade é uma mistura de Samara fake com uma aranha mal feita que sai correndo atrás dos personagens. Parece muito mais uma pegadinha do Silvio Santos do que uma história de terror.

Segundo porque o rosto do tal demônio é um CGI pobre, daqueles que até os mais distraídos perceberão. Com isso, a história cai mais na comicidade do que no susto e, claro, beira o amadorismo.

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Essa decepção não era esperada, uma vez que o longa foi dirigido pelo francês Bodin, o mesmo que assina Marianne, série de terror da Netflix. Apesar da produção ter sido cancelada com apenas uma temporada, não dá para dizer que Marianne é ruim ou que tem um desenvolvimento confuso, como acontece aqui. A série é bem estruturada e não despenca no final como Toc Toc Toc.

As semelhanças entre elas ficam a cargo da iluminação. Tanto a série quanto o filme são extremamente escuros e incomodam o espectador. Já é esperado que obras de terror, com exceção de Midsommar, abusem dos tons frios e da pouca luminosidade, mas nos dois títulos a trama é tão escura que, às vezes, fica difícil distinguir o que é uma pessoa e uma porta. O breu incomoda, e não há pupila dilatada no mundo que dê conta de enxergar o que se quer mostrar.

Outro defeito do filme é o desfecho. Claro que depois de sequências tão ruins, o público não vai esperar um final épico, mas uma conclusão razoável já agradava. O que acontece, no entanto, é o oposto. Com o intuito de deixar brecha para uma continuação, o filme não termina, ou melhor, termina abruptamente como se tivesse sido cortado no meio, com a assombração falando que sempre estará com Peter.

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Quando as luzes do cinema se acendem, o que fica é uma sensação de surpresa; “ué, acabou assim?” E, sim, acaba dessa maneira mesmo, brusca e mal feita. A possível sequência até pode melhorar a história, mas, depois desse fiasco, deverá ter um trailer muito convincente se quiser chamar a atenção do público de novo.

Por fim, Toc Toc Toc: Ecos do Além é uma decepção dolorosa, pois começa promissor e dá todos os indícios de que será um filme gostoso de assistir, mas mesmo com atuações consistentes de Antony Starr (The Boys), Lizzy Caplan (A Nova Vida de Toby) e Cleopatra Coleman (Piscina Infinita) derrapa do meio para o final e entrega uma desfecho que beira o ridículo.

Até as metáforas com a vida real, como a negligência parental que Peter sofre são pouco exploradas. Sendo assim, não vale o ingresso do cinema, mas se você quiser dar uma chance à trama, pode assisti-lo nas telonas a partir do dia 31 de agosto.