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Primeiras cidades do mundo consumiam mais leguminosas do que carne

Por| Editado por Luciana Zaramela | 09 de Janeiro de 2024 às 19h50

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Susanne Beyer/Kiel University
Susanne Beyer/Kiel University

Uma pesquisa paleontológica revelou características interessantes dos primeiros grandes assentamentos humanos — nossos ancestrais comiam mais leguminosas do que carne, mesmo criando gado próximo às cidades há mais de 6.000 anos. O estudo foi feito nos vilarejos rurais da cultura Trypillia, que ficam no atual território de Moldova e Ucrânia e chegaram a ter até 15.000 habitantes, sendo um dos maiores assentamentos conhecidos da pré-história.

Em cerca de 4100 a.C., os sítios de Trypillia chegaram a ter cerca de 320 hectares (3,2 km²) nas florestas com estepe a noroeste do Mar Negro. Para descobrir mais sobre o que a população que viveu no local consumia, cientistas da Universidade de Kiel analisaram isótopos de nitrogênio e carbono de mais de 480 ossos de humanos e animais, bem como de plantações e solo carbonizados de mais de 40 sítios arqueológicos.

Como era a dieta da pré-história

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Segundo os resultados, a dieta humana da época tinha surpreendentemente pouca carne — ela compunha apenas cerca de 10% da dieta —, e a alimentação majoritariamente baseada em plantas cultivadas incluía cereais e até 46% de leguminosas, com calorias e aminoácidos essenciais bem balanceados. O consumo de carne tinha um importante papel de coesão social durante banquetes, mas sementes de leguminosas como ervilhas, grão-de-bico e lentilhas eram o combustível principal dos humanos antigos.

Os altos níveis de nitrogênio detectados nas amostras desses alimentos indicam uma fertilização pesada com esterco animal, garantindo a alimentação de toda a população. Uma grande proporção do gado e ovelhas criados era mantida em cercas e usada majoritariamente para a obtenção de fertilizantes, especialmente para as leguminosas. Isso eliminava a necessidade de produção de carne em demasia, o que demandaria muitos recursos.

O desenvolvimento de Trypillia, então, não explorou os recursos naturais de forma desenfreada, mas sim foi feito de maneira sustentável. Mesmo com o sucesso, no entanto, os assentamentos foram abandonados há cerca de 5.000 anos, não por conta de colapso ambiental ou econômico, mas provavelmente por conta de conflitos sociopolíticos. Tensões sociais cresceram por conta da desigualdade social crescente, e a população acabou deixando cidades grandes para viver em pequenas vilas novamente.

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Fonte: University of Kiel, PNAS