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O que foi o Projeto Manhattan, que produziu as primeiras bombas atômicas?

Por| Editado por Patricia Gnipper | 19 de Julho de 2023 às 12h52

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Jack W. Aeby/Wikimedia Commons
Jack W. Aeby/Wikimedia Commons

O Projeto Manhattan foi o programa de pesquisa e desenvolvimento dos Estados Unidos que resultou nas primeiras armas nucleares do mundo, usadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) com apoio do Reino Unido e do Canadá. A divisão de laboratório do programa teve a direção do físico Julius Robert Oppenheimer, conhecido como o pai da bomba atômica.

Quando começou o Projeto Manhattan?

Iniciado em 1941, o Projeto Manhattan recebeu contribuições de cientistas americanos célebres, como Otto Frisch, Niels Bohr, Edward Teller, Enrico Fermi e Ernest Orlando Lawrence. Outros pesquisadores importantes do programa eram refugiados de regimes fascistas na Europa e conheciam os avanços da Alemanha nazista sobre a fissão nuclear.

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Foi em 1938 que cientistas alemães conseguiram dividir um átomo de urânio, dando o passo inicial para a fissão nuclear e sua consequente liberação de enorme quantidade de energia. Temendo que os alemães dominassem a técnica das armas nucleares, os físicos Leo Szilard e Eugene Wigner convenceram Albert Einstein a assinar uma carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, aconselhando a criar programa de pesquisa nuclear.

O físico não foi escolhido por acaso. A decisão se deve, em partes, à famosa equação E = mc², criada por Einstein. Ao descrever a relação entre massa e energia, a equação abriu o caminho para estudos da energia nuclear — e, claro, da bomba nuclear.

Com isso, em 1939, Roosevelt criou o Advised Comitte on Uranium (Comitê Consultivo de Urânio), com investimento de apenas US$ 6.000. Einstein e Szilard continuaram enviando cartas até que convenceram o presidente a criar o Projeto Manhattan. No seu ápice, o programa custou quase o equivalente a US$ 24 bilhões na cotação atual.

Apesar de carregar o nome da cidade de Manhattan, o projeto realizou sua pesquisa e produção em mais de 30 localidades dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. A alcunha de Projeto Manhattan se refere ao componente do exército associado ao programa, uma vez que seu primeiro quartel-general estava naquela cidade.

Projeto Manhattan e a bomba atômica

O Projeto Manhattan conduziu pesquisas para dois tipos de armas nucleares, simultaneamente: uma do tipo canhão e outra do tipo implosão. Também foram desenvolvidos vários métodos eletromagnéticos e de fusão para separar o isótopo fissionável urânio-235 do urânio-238. O procedimento é conhecido como enriquecimento de urânio, e necessário para o sucesso da reação nuclear.

Majoritariamente, as pesquisas de enriquecimento de urânio foram realizadas na cidade de Oak Ridge, após a desapropriação de mil famílias na região. Enquanto isso, em Los Alamos, Novo México, Oppenheimer e sua equipe encontraram o método para levar o urânio enriquecido à massa supercrítica (aquela que, após o início da fissão nuclear, permite o avanço dela em ritmo crescente), além de descobrirem como controlar o tempo da reação.

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Primeiro teste de arma nuclear

Em 16 de julho de 1945, o primeiro teste da arma nuclear foi realizado próximo a Alamogordo, no Novo México, em uma área batizada de Trinity Site. O sucesso do teste resultou em uma enorme explosão nuclear, com uma onda de choque sentida a 160 km de distância e uma nuvem em formato de cogumelo com 12,1 km de altura.

O apelo de parte dos cientistas do projeto contra o uso da bomba atômica em alvos reais não foi o suficiente para dissuadir o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman. Apenas um mês após a explosão do Trinity, Truman enviou um avião ao Japão com a bomba Little Boy.

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Tal arma caiu sobre a cidade de Hiroshima (Japão), matando pelo menos 70.000 pessoas instantaneamente. Três dias depois, outro avião lançou a bomba “Fat Man” sobre a cidade japonesa Nagasaki, cerca de 50% mais poderosa que a anterior. Parte da cidade foi protegida pelos morros e, apesar de mais potente, a explosão resultou em 40.000 vítimas.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Projeto Manhattan ainda conduziu testes de outras bombas nucleares durante as Operação Crossroads. Finalmente, em 1946, a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (AEC) foi criada, assumindo as funções e instalações do Projeto Manhattan e separando o desenvolvimento atômico e o controle de armas atômicas dos militares.