O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (22/05/2018)

Por Patrícia Gnipper | 22 de Maio de 2018 às 15h00

Terça-feira é o quê? Isso mesmo, dia de ciência e astronomia aqui no Canaltech! Saiba o que rolou de mais relevante nesses universos para lá de encantadores na última semana, conferindo o apanhado abaixo:

Releitura de "pálido ponto azul"

A sonda Voyager 1 registrou a foto clássica que ficou conhecida como "pálido ponto azul" em 1990, mostrando a Terra como um pixel azulado em meio à escuridão do espaço. Agora, a NASA registrou uma nova foto de nosso planeta à distância, por meio de um dos CubeSats a bordo da missão InSigh, que viaja rumo a Marte.

A foto, com explicações em inglês (Foto: NASA)

Buraco negro gigante e faminto

Descobriram o que é, hoje, o maior buraco negro já detectado. O QSO SMSS J215728.21-360215.1 está situado a 12 bilhões de anos-luz da Terra, e seu tamanho é equivalente a 20 bilhões de sóis, sendo que o buraco negro cresce a uma taxa de 1% a cada um milhão de anos. Ainda, a cada dois dias, ele engole uma massa equivalente ao nosso Sol!

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Algoritmo prevê expectativa de vida após falha cardíaca

Pesquisadores da UCLA criaram um algoritmo capaz de prever com mais precisão a expectativa de vida de um paciente que sofreu falha cardíaca, também dizendo se a pessoa deve ou não entrar na fila para um transplante.

O algoritmo usa machine learning para, caso a caso, ir melhorando suas previsões, considerando dados dos pacientes como idade, gênero, massa corporal, tipo sanguíneo, etc. O sistema foi testado usando um histórico de 30 anos de dados coletados, e seus resultados foram acertados o suficiente para que o algoritmo seja confiável a ponto de começar a fazer previsões em pacientes atuais.

Descoberta nova linhagem de micróbios

Cientistas dos Estados Unidos descobriram uma nova linhagem de micróbios nas águas termais do Parque Nacional de Yellowstone, o que pode alterar o nosso conhecimento sobre a origem da vida. Os seres da linhagem arqueótica de Marsarchaeota são morfologicamente parecidos com bactérias, mas geneticamente singulares.

Eles prosperam em habitats avermelhados, abundantes em óxido de ferro, e os cientistas descobriram, também, subgrupos que prosperam em águas quentes e ácidas.

As águas termais de Yellowstone (Foto: USA Today)

Seria este o Planeta 9?

Um objeto além de Plutão foi detectado exibindo uma órbita para lá de estranha no Sistema Solar, e especula-se que este possa ser o quase folclórico Planeta 9. Estima-se que sua massa seja 10 vezes a da Terra, e simulações computacionais mostram que, ao incluir esse planeta e sua órbita bizarra em um modelo do Cinturão de Kuiper, a existência do suposto Planeta 9 explica o movimento de vários objetos da região.

Explicação da órbita do suposto Planeta 9, em amarelo (Imagem: Quanta Magazine)

Oxigênio muito, muito distante

Pesquisadores do observatório ALMA descobriram que há oxigênio e hidrogênio e uma galáxia localizada a 13,28 bilhões de anos-luz, sendo esta a observação mais distante (e, portanto, antiga) do elemento essencial à vida em nosso universo.

Isso indica que o oxigênio surgiu muito antes do que se pensava, e agora a galáxia MACS1149-JD1 segue sendo estudada a fim de desvendar os mistérios da formação do universo, logo após o Big Bang.

Químico proibido por destruir camada de ozônio é detectado na atmosfera

Cientistas descobriram que um composto químico proibido por destruir a camada de ozônio está sendo emitido por aí, com emissões em crescimento, ainda por cima. Isso sugere que "alguém" pode estar, secreta e ilegalmente, produzindo o poluente, o que viola um acordo internacional.

O químico em questão é o CFC-11, cuja emissão, mesmo com a proibição em 1987, aumentou 25% desde 2012.

Brasileiros premiados no ISEF 2018

Organizado pela Intel, o ISEF (International Science and Engineering Fair) de 2018 premiou quatro estudos de jovens brasileiros com os maiores prêmios do evento. A dupla Andrea Auler e Laura Carvalho Brizol, do Rio Grande do Sul, ganhou com seu estudo que encontra novos compostos antifúngicos para tratar doenças que são causadas por fungos. Elas ficaram em quarto lugar na categoria de microbiologia, ganhando US$ 500.

(Foto: André Fogaça/Canaltech)

Já Maria Valoto, do Paraná, ganhou US$ 1 mil pelo seu projeto que traz uma solução para o combate da candidíase, enquanto a gaúcha Isabela dos Reis levou o mesmo valor como prêmio com seu reagente químico capaz de identificar quando há "boa noite Cinderela" em um líquido.

Por fim, Gabriel Gelli Checchinato, do interior de São Paulo, também foi premiado com US$ 1 mil por seu projeto que mostrou um dispenser capaz de encher um copo de água de forma automática, medindo o recipiente e fornecendo a quantidade exata do líquido, o que pode ser muito útil para deficientes visuais, por exemplo.

Estudo de fósseis pode esclarecer o surgimento da vida animal

A vida animal surgiu na Terra há aproximadamente 540 milhões de anos, mas este novo estudo de fósseis pode esclarecer um pouco mais essa questão. Tal período é conhecido como a Explosão Cambriana, e o estudo indica que a a explosão de vida pode ter acontecido em estágios mais espaçados do que se imagina. De acordo com as conclusões dos pesquisadores, a primeira fase da explosão deve ter sido a mais gradual, começando há 650 milhões de anos.

Estudando mecânica quântica no espaço

Para estudar melhor o funcionamento da mecânica quântica, a NASA está criando o lugar mais gelado do universo. Isso é necessário para criar condições favoráveis a tais observações, uma vez que, aqui na Terra, é preciso usar lasers específicos para alcançar a temperatura próxima do zero absoluto em átomos específicos.

Por ser algo muito caro e trabalhoso, a agência espacial decidiu recriar condições ultrageladas para observar partículas diretamente no espaço, anunciando o Cold Atom Lab – uma caixa que aproveitará a microgravidade da Estação Espacial Internacional para criar o ambiente gelado ideal e estudar a física quântica. A tal caixa é cerca de 10 bilhões de vezes mais fria do que o vácuo do espaço.

Conceito artístico do Cold Atom Laboratory (Imagem: NASA)
Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.