O céu (não) é o limite | Formato do universo, clima noturno de Vênus e mais!

O céu (não) é o limite | Formato do universo, clima noturno de Vênus e mais!

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Julho de 2021 às 20h00
ESO/J. Law/JAXA/Imamura/Nature Astronomy

O universo teria formato de rosquinha, de acordo com alguns cientistas — e isso deu o que falar na última semana, junto de outros destaques como a descoberta do primeiro disco de material ao redor de um planeta jovem, prestes a "dar à luz" algumas luas. Além disso, o telescópio espacial Hubble finalmente "recebeu alta" e voltou a funcionar a todo o vapor.

Confira essas e outras notícias espaciais que "bombaram" na semana!

Universo em formato de rosquinha

(Imagem: Repropdução/ESO/J. Law)

Embora os dados observacionais mais recentes apontem para um universo plano, ainda não há consenso entre os cientistas. Os modelos alternativos mais comuns são os do universo em forma de esfera (com curva positiva) e de sela de cavalo (curva negativa). E, claro, há o universo em formato de toro, a famosa "rosquinha".

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Essa ideia foi relativamente popular há 18 anos, mais ou menos, e voltou a ser assunto na mídia por causa de um novo estudo. Os autores usaram os mapas mais recentes da radiação cósmica de fundo (uma espécie de "luz-fóssil" do universo logo após o Big Bang) para analisar algumas perturbações na temperatura. Depois, eles fizeram simulações em computador com um modelo de universo no formato de toro, e compararam o comportamento dele com as observações feitas por instrumentos como o WMAP e Planck.

O resultado os levaram a concluir que as “ausências” de perturbações na radiação cósmica de fundo não seriam encontradas se pudéssemos enxergar o cosmos além do universo observável. Em outras palavras, se pudéssemos ver mais do universo, não encontraríamos as tais variações de temperatura na luz-fóssil. De acordo com os cálculos dos pesquisadores, isso implicaria que o universo é fechado em si mesmo em todas as direções, o que nos leva ao formato de toro.

Clima noturno de Vênus registrado pela primeira vez 

(Imagem: Reprodução/JAXA/Imamura)

A sonda Venus Climate Orbiter Akatsuki, da agência espacial japonesa JAXA, conseguiu pela primeira vez registrar o clima noturno de Vênus, e o resultado surpreendeu os cientistas. Mas a tarefa não foi fácil, porque, além das condições extremas do planeta, há um grande ruído de fundo que aparece nos dados e precisam ser eliminados. Além disso, o movimento dos ventos intensos precisou ser compensado.

O esforço valeu a pena, pois a equipe descobriu que, curiosamente, os ventos durante a noite venusiana correm na direção oposta de suas contrapartes diurnas", de acordo com os pesquisadores japoneses. Essa é uma mudança dramática na direção de ventanias, e, para os autores do estudo, isso provavelmente causa consequências significativas. Os resultados ajudarão a compreender melhor o clima de Vênus.

Imagem do jato de um buraco negro supermassivo

(Imagem: Reprodução/Nature Astronomy/Creative Commons)

O projeto EHT, o mesmo que conseguiu fotografar um buraco negro em 2019, nos trouxe agora uma imagem incrível de um jato relativístico emitido pelo buraco negro supermassivo no centro da galáxia Centauros A, também conhecida como NGC 5128, localizada em algum ponto entre 12 e 14 milhões de anos-luz de distância. Esse mesmo jato já havia sido fotografado antes, mas em escalas muito menores.

Dessa vez, podemos ver a emissão em uma escala inferior a um dia-luz, o que revela detalhes nunca antes vistos. Em parte, isso foi possível porque Centaurus A é a radiogaláxia mais próxima da Terra, mas a incrível capacidade do EHT foi fundamental para esse registro. Agora, com uma imagem tão detalhada do jato, os cientistas podem investigar melhor como e por que eles são formados pelos buracos negros.

Disco formando luas ao redor de exoplaneta distante 

 (Imagem: Reprodução/ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/Benisty)

Pela primeira vez, astrônomos encontram um planeta recém-formado com um disco circumplanetário, com material suficiente para formar três satélites do tamanho da nossa Lua. Além de distinguir o disco em torno do exoplaneta PDS 70c, graças à alta resolução do observatório ALMA, a equipe também conseguiu medir, pela primeira vez, os limites o tamanho de um disco circumplanetário.

O exoplaneta PDS 70c é um dos dois planetas desse sistema estelar, que fica a quase 400 anos-luz de distância da Terra. Ambos os mundos são gigantes com características semelhantes às de Júpiter e são bastante jovens, assim como a própria estrela que os abriga. O disco ao redor do PDS 70c tem tamanho equivalente à distância entre a Terra e o Sol, e o estudo ajudará a preencher as lacunas na compreensão dos astrônomos sobre os processos de formação planetária.

Jeff Bezos voa ao espaço em foguete da Blue Origin

No dia 20 de julho, no 52º aniversário do pouso da missão Apollo 11 na Lua, Jeff Bezos, fundador da Blue Origin, foi para o espaço. O voo não apenas inaugurou o turismo espacial de sua empresa, como também representou a primeira missão comercial totalmente tripulada do sistema New Shepard, que faz voos suborbitais.

Os (sortudos) passageiros a bordo puderam experimentar a sensação da ausência de peso e flutuaram pela cabine por alguns minutos, até que foram orientados a retornar para seus assentos e prender os cintos de segurança novamente. Eles também puderam observar nosso planeta do alto, através das janelas da cabine, o que sem dúvida alguma é uma experiência para levar na memória durante a vida inteira.

Bezos afirmou durante coletiva de imprensa, após o voo, que dividirá seu tempo entre a Blue Origin e a Bezos Earth Fund, uma organização dedicada ao combate às mudanças climáticas e à promoção da sustentabilidade. De acordo com astronautas que tiveram a mesma experiência de observar a Terra do alto, este é o resultado do efeito overview ("efeito de visão geral", em tradução livre), que proporciona uma mudança cognitiva ao observaram nosso lar flutuando pelo espaço, um pequeno, frágil e pálido ponto azul.

Hubble sobrevive e NASA retoma observações científicas

 (Imagem: Reprodução/NASA)

Ufa! O telescópio Hubble, o maior observatório espacial que temos em órbita terrestre, passou por "maus bocados" desde o mês de junho, mas sobreviveu e voltou a fazer pesquisas científicas do nosso universo. A falha no computador de carga útil fez com que as observações fossem suspensas até o problema ser resolvido, e após quase um mês de muito cuidado, a NASA realizou o procedimento de substituição remota do hardware.

Agora que o telescópio está novamente operacional, a NASA segue acompanhando as leituras dos instrumentos para garantir que os componentes estejam funcionando corretamente. O "bom e velho" observatório "Hubão" já sofreu falhas no passado, quando os ônibus espaciais permitiam a visita de técnicos para resolver o problema. Ainda bem que o sistema remoto permitiu mais um reparo, garantindo um tempo extra de observações.

Perseverance começa a "caçar" sinais de vida antiga em Marte

Finalmente, chegou a hora! Depois de alguns meses testanto seus instrumentos científicos, o rover Perseverance começou oficialmente seu trabalho de busca por sinais de vida no passado distante do Planeta Vermelho. Sua investigação ocorrerá na enorme cratera Jezero, onde existiu um lago há bilhões de anos, e consistirá em procurar por sinais de que alguma forma de vida, mesmo que bacteriana, já existiu por lá.

Em seu braço robótico de dois metros, o Perseverance carrega equipamentos capazes de fazer leituras sobre a composição química de objetos, como rochas e sedimentos. Na extremidade do braço, está o Instrumento Planetário para Litoquímica de Raios-X (PIXL, na sigla inglês), responsável por procurar “impressões digitais” químicas que podem ter sido deixadas por seres vivos. Também há instrumentos como SHERLOC e WATSON, que juntos do PIXL podem elaborar um perfil detalhado sobre a textura, contorno e a composição das rochas. Por fim, claro, há uma equipe científica de quase 500 pessoas prontas para analisar tudo o que o rover encontrar.

Sonda InSight revela detalhes da crosta, manto e núcleo de Marte

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Pela primeira vez, o sismômetro da sonda InSight revelou os detalhes do interior do planeta, como a profundeza e composição da crosta, manto e núcleo, incluindo a confirmação de que o centro de Marte é derretido. Esses dados são sem precedentes, não apenas no que diz respeito a Marte, mas a qualquer outro mundo além da Terra e a Lua. Com isso, os cientistas terão muito mais informações para saber mais sobre os processos de formação do planeta.

Os resultados trouxeram algumas surpresas, como a crosta marciana possuir rachaduras causadas pelo leve encolhimento que ocorre conforme o planeta continua esfriando. Com tantos dados, três artigos foram publicados, completando assim parte da missão da InSight que é medir parâmetros das três camadas do planeta: crosta, manto e núcleo. Os cientistas descobriram, por exemplo, que a crosta pode ser formada por duas ou três subcamadas, e pode se estender a 20 km, se tiver duas delas, ou a 37 km no caso de três.

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