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Fóssil brasileiro na Alemanha será repatriado e irá para Museu do Cariri

Por| Editado por Luciana Zaramela | 18 de Maio de 2023 às 13h32

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Agência Brasil/Ministério da Ciência
Agência Brasil/Ministério da Ciência

Na última terça-feira (16) foi dado mais um passo em direção à repatriação do fóssil brasileiro Ubirajara jubatus, o primeiro dinossauro não-aviano com estruturas semelhantes a penas encontrado na América do Sul. Representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) conversaram com enviados da Embaixada da Alemanha no Brasil, do Itamaraty e da Universidade Regional do Cariri (URCA-CE), cujo museu poderá abrigar os restos fossilizados.

No momento, U. jubatus continua no Museu Estadual de História Natural Karlsruhe, em terras germânicas. A instituição se comprometeu, recentemente, a devolver o fóssil, após décadas o estudando. Os restos do dinossauro, no entanto, foram levados ilegalmente para a Europa na década de 1990. A reunião desta semana buscou definir o local que irá abrigar nosso conterrâneo ancestral quando retornar ao Brasil.

Com 110 milhões de anos, o fóssil indica que o dino foi uma criatura pequena, do tamanho aproximado ao de uma galinha, revestido de penas e adornos curiosos ao observador moderno.

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Onde ficará Ubirajara jubatus

A indicação do local que irá abrigar o fóssil partiu do secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (SEDES), Inácio Arruda — é o Museu de Paleontologia Plácida Cidade Nuvens durante a reunião. O local pertence à região do Geoparque do Araripe, entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, sendo famoso por ser um centro paleontológico importante, e é administrado pela URCA-CE.

Durante a reunião, Inácio lembrou que o Museu do Cariri tem um esforço de cooperação grande, e frisou que a região prestes a abrigar o U. jubatus deve ser visível ao mundo, não apenas para o Brasil. Christian Stertz, ministro-conselheiro para Assuntos Científicos e Intercâmbio Acadêmico da Embaixada da Alemanha, sugeriu formalizar o pedido o quanto antes para garantir uma repatriação rápida. Ele também afirmou que o gesto demonstra a cooperação entre os dois países nos campos da ciência e tecnologia.

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O reitor da URCA-CE, Lima Júnior, acredita ser um bom momento para a repatriação do fóssil. Isso deve revalidar o Geoparque do Araripe, em suas palavras, fortalecendo a missão de valor e preservação do trabalho da universidade. Embora datas não tenham sido discutidas, espera-se que o Ubirajara jubatus volte para o Brasil em breve.

Coleta ilegal e mercado de leilões

Segundo a legislação brasileira, desde 1942, todo fóssil encontrado em território nacional pertence à União, independente de estar em propriedade privada. Descoberto na Bacia do Araripe, o Ubirajara jubatus foi levado ilegalmente para a Europa muito provavelmente em 1995, mas demoramos para descobrir o fato. Foi em 2020, quando cientistas alemães publicaram um artigo descrevendo a descoberta da espécie, mostrando terem fósseis brasileiros em mãos para a pesquisa.

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Com a polêmica, a instituição detentora do fóssil — o Museu de História Natural de Karlsruhe — garantiu a devolução dos restos, que não são os únicos a terem de ser trazidos do estrangeiro. Já foram devolvidos ao Campus Planaltina da Universidade de Brasília (UnB) 13 mesossauros (Mesosaurus braziliensis), vindos da França e também recolhidos ilegalmente.

Em muitos casos, os fósseis são levados a leilão, especialmente as peças menores, acabando nas mãos de colecionadores privados e não podendo ser pesquisados ou mantidos em ambiente propício à sua preservação.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação