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DNA estranho e desconhecido é encontrado no Deserto do Atacama, no Chile

Por| Editado por Luciana Zaramela | 24 de Fevereiro de 2023 às 09h32

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Diego Delso/delso.photo/CC-BY-SA-4.0
Diego Delso/delso.photo/CC-BY-SA-4.0

Cientistas encontraram DNA de criaturas desconhecidas à ciência em um dos locais mais áridos e inóspitos do planeta — o deserto do Atacama, no Chile. Ele é o segundo deserto mais seco do planeta, composto de lagos de sal, poeira, rochas e lava, que flui sobre as planícies até atingir os Andes. É fácil confundir uma foto do local com o planeta vermelho, Marte, que se parece com o Atacama até nos materiais geológicos.

Por muito tempo, o local árido foi encarado como sendo praticamente sem vida, com apenas alguns animais adaptados conseguindo suportar o calor e a falta d'água excessivos. Alguns microorganismos estranhos, no entanto, foram encontrados recentemente por uma equipe de pesquisadores chilenos e espanhóis. Sua existência é evidenciada por fragmentos de DNA, dos quais 9% pertencem a organismos nunca antes vistos. Eles são parte do que se chama "microbioma escuro".

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DNA conhecido e desconhecido

Mesmo o DNA que já conhecemos foi difícil de ser identificado e extremamente estranho, segundo os cientistas. Em quase metade dos casos, dizem eles, as bases de dados disponíveis não conseguiam dizer com precisão o que tinham em mãos. Mas por que procurar vida em um lugar tão inóspito, afinal de contas? Isso tem, como prenunciamos no início, a ver com Marte.

Um ambiente semelhante ao marciano era exatamente o que os pesquisadores procuravam, ou seja, um lugar para testar os equipamentos que serão, um dia, enviados ao planeta vermelho. O local estudado, inclusive, se chama Piedras Rojas, ou Pedras Vermelhas, traduzido do espanhol, que apresenta materiais geológicos bem parecidos com os de Marte.

Os equipamentos utilizados pela equipe são os mesmos que já estão ou irão estar em sondas que varrerão o 4º planeta do sistema solar em busca de vida alienígena. Testar essa busca em um lugar tão estéril quanto Marte pode ajudar a demonstrar como serão identificados biomarcadores e DNA por lá, ou, pelo menos, com a mesma sensibilidade que a de uma análise laboratorial.

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Rovers podem estar despreparados

Embora os resultados tenham mostrado a capacidade de detectar muitas formas de vida — inclusive as desconhecidas —, o equipamento pode não ser sensível o suficiente para dizer com certeza se há marcadores de vida antiga em amostras de Marte. Se há traços extremamente difíceis presentes em quantidades parecidas aos de Atacama, a rover poderá deixá-los passar. Uma confirmação teria de ser feita em laboratório, na Terra, sendo enviada para nós.

A equipe espera ajudar as equipes das agências espaciais americana (NASA) e europeia (ESA) com a busca por vida lá fora, especialmente com a identificação de fósseis, mas não deseja parar por aí. Caso precisemos ajustar a precisão de equipamentos ou até mesmo bolar estratégias completamente diferentes de rastreamento, é possível que a nossa procura pela vida em Marte impacte em iniciativas com outros planetas habitáveis no futuro.

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Fonte: Nature Communications