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Cientistas reconstroem rosto de combatente que morreu com machadada na cara

Por| Editado por Luciana Zaramela | 04 de Novembro de 2022 às 15h40

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Moraes et al./Ortogonline
Moraes et al./Ortogonline

Pesquisadores liderados por um especialista gráfico brasileiro — Cícero Moraesreconstruíram o rosto de um combatente medieval que morreu, provavelmente, em decorrência de um brutal golpe de machado na cara. Ele participou da Batalha da Gotlândia, em 1361, na qual fazendeiros suecos enfrentaram o exército dinamarquês. Após 660 anos, podemos rever como era um dos participantes do sangrento conflito.

Sem identificação, o homem teve seu crânio estudado com fotogrametria e escaneado por uma equipe de arqueologistas: seus restos haviam sido enterrados próximos ao campo de batalha improvisado onde tudo ocorreu. Com uma rachadura que vinha da parte inferior da mandíbula, abaixo de onde se encaixam os dentes, e ia até a cavidade onde o nariz ficava, a caveira chamou a atenção de Moraes, que buscou fazer a reconstrução do homem.

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Golpe e reconstrução

Segundo análises, a força do golpe sofrido foi o suficiente para arrancar alguns dentes. Uma ferida tão poderosa, calculam os pesquisadores, só poderia ter sido feita por um golpe feroz de machado. Moraes, então, modelou a arma em 3D e a encaixou no osso digitalmente para verificar a veracidade da hipótese. Segundo o cientista, foi chocante ver o machado preso à face do sujeito.

Não há como saber se o golpe matou o homem imediatamente, mas ele certamente causou muito dano aos seus tecidos moles. Também se sabe pouco sobre ele: tudo o que é possível deduzir é que era um dos 1.800 fazendeiros que participaram do combate, lutando contra as forças invasoras do rei dinamarquês Valdemar Atterdag (ou Valdemar IV), que reinou de 1340 a 1375 e procurou conquistar a ilha pouco povoada que o pobre fazendeiro sueco habitou, a Gotlândia.

A maioria dos guerreiros do local era composta de milícias rurais sem experiência, sendo massacrada pelos mercenários bem-treinados do exército dinamarquês. Houve tantos mortos que a maioria foi enterrada com todas as suas roupas ainda vestidas, o que espantou os arqueólogos durante as primeiras escavações no local. A maioria dos restos mortais do local tinha feridas feias nos crânios e pernas, que iam bem fundo nos ossos.

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Inicialmente, Moraes criou dois modelos faciais digitais próximos às feições que se imaginava que o homem possuía. O primeiro era em preto-e-branco, com uma pose neutra e de olhos fechados. Já o segundo já foi feito em cores, com uma abordagem mais artística, colocando cabelos castanhos e uma barba cheia no homem, junto à fenda provavelmente aberta em seu rosto pelo machado.

O artigo descreveu o segundo modelo como tendo todos os elementos necessários para a humanização completa da figura, um efeito difícil de se alcançar em modelos preto-e-branco. Segundo o líder brasileiro do projeto, mostrar a terrível ferida do fazendeiro em cores e detalhes realistas teve o objetivo de retratar os horrores e brutalidade das guerras do passado, algo que persiste até os dias atuais.

Ao site LiveScience, Moraes comentou: "Espero que as pessoas vejam como os conflitos realmente são. A aproximação facial é um lembrete do que acontece".

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Fonte: Ortogonline via LiveScience