Empresa chega ao Brasil com "cheque em branco" para investir em carros flex

Empresa chega ao Brasil com "cheque em branco" para investir em carros flex

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | 13 de Outubro de 2021 às 10h24
Divulgação/ThamKC/Envato

O mercado automotivo brasileiro deve ser impactado fortemente com a chegada de um importante player de investimentos ao país: a Qell Acquisition. O grupo norte-americano, que anunciou a abertura de um escritório em São Paulo, é uma daquelas empresas com "cheque em branco", disposta a efetuar injeções de cifras altíssimas para se posicionar e desenvolver setores específicos da indústria. 

A ideia da Qell aqui no Brasil é clara como a água: comprar empresas do setor automotivo, em negócios que devem girar na casa dos US$ 3 bilhões (R$ 16,6 bilhões). Mas, ao contrário da tendência de eletrificação da indústria, o foco do grupo será nos carros movidos a etanol, já que poucos países dominam essa tecnologia e ela se mostra bem eficiente quanto aos níveis de poluição. 

E para alcançar esse objetivo, a Qell escalou um time de peso. Comandarão o escritório do Brasil nomes como Barry Engle, ex-presidente da General Motors Internacional; Francisco Valim, ex-presidente de Nextel e Via; e Carlos Zarlenga, que até agosto deste ano era presidente da GM na América do Sul. Juntos eles serão os rostos e a voz da Qell Latam Partners, que também mira esse tipo de investimento em outros países do continente.

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(Imagem: Matheus Argentoni/Canaltech)

Segundo a Reuters, a Qell deve se apresentar ao mercado com mais propriedade e anunciar o pacote de investimentos. Depois disso, fará a movimentação padrão das Special Purpose Acquisition Company (SPACs), as chamadas empresas com "cheque em branco". Inicialmente, de acordo com os executivos, o grupo terá como foco carros flex ou totalmente movidos a etanol e, depois, vai observar outras indústrias.

Por que a América do Sul?

Em entrevista à Reuters, Francisco Valim revelou que a Qell Acquisition mirou o mercado sul-americano porque entende que a região será "deixada de lado" nesse avanço dos carros elétricos. Os motivos, claro, são vários, mas a região tem como compensar esse esquecimento com o etanol. “Estamos em outra condição e não tem ninguém focado em desenvolver veículos com uma tecnologia consagrada que nós já temos. Apostar tudo no elétrico é um erro aqui", disse Valim.

O pensamento do executivo é bem parecido com o de Pablo Di Si, CEO da Volkswagen Brasil. "Para a América Latina, se faz necessário o desenvolvimento de soluções tecnológicas a partir dos biocombustíveis, como o etanol, que sirvam de ponte até a implementação total da eletrificação na região. Tecnologia essa com potencial para ser exportada para outros países", disse o executivo em entrevista ao Canaltech em agosto. 

Resta saber qual será o movimento da Qell Acquisiton por aqui. Ao que tudo indica, teremos fortes emoções no mercado automotivo. 

Fonte: Click Petróleo e Gás, IstoÉ Dinheiro

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