Análise | Toyota Prius: eficiência e conforto extremos, conectividade limitada

Matheus Argentoni/Canaltech
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Os carros híbridos já são realidade no mercado brasileiro há algum tempo. Aliar um motor a combustão a outro elétrico garante um desempenho eficiente e econômico, mesmo que produtos desse tipo ainda sejam caros por aqui. O Toyota Prius é o modelo que "popularizou" esse conceito no Brasil e no mundo, sendo o carro mais vendido deste segmento globalmente. Vendido em versão única, sem opcionais, ele consegue aliar o que os consumidores brasileiros mais pedem em um automóvel: conforto e economia. Agora, será que vale a pena pagar R$ 125 mil neste carro? Quais seus reais benefícios?

Durante a semana em que passamos com ele, pudemos detectar todas as benesses de um produto com essa proposta. Dá pra dizer que ter um híbrido traz uma tranquilidade em muitos aspectos, mas a Toyota poderia ter caprichado em coisas que, certamente, devem irritar os proprietários desse carro, ainda mais quando se olha o preço pago por ele.

Confira abaixo todas as nossas impressões sobre o Toyota Prius.

Vamos falar do design?

Tudo bem, o Canaltech é um site de tecnologia e a proposta é sempre avaliarmos os itens técnicos e tecnológicos. Porém, no caso do Prius, é necessário que falemos do design. Como vocês podem observar, este automóvel tem uma aparência controversa, com a clara intenção de transparecer modernidade e futurismo — e é justamente por isso que vamos abordar essa questão.

Foto: Matheus Argentoni/Canaltech

Ao entrar no Prius (logo depois de olhar pra ele, claro) e sentir seu rodar absolutamente macio e silencioso, foi quase impossível não se sentir em uma nave espacial. Com absoluta sinceridade, por mais "estranho" que o carro pareça, ainda mais a traseira, a imersão dentro da proposta de modernidade e futurismo pensada pela Toyota é digna de elogios e é sim importante.

A falta de rodas maiores não deixou o Prius tão harmonioso (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Um automóvel é um produto como qualquer outro e a aparência muitas vezes é determinante para a compra. No caso do Prius, ela pode não atrair, mas com certeza vai te situar no conceito. De negativo por aqui é a absurda falta de rodas maiores e a presença de calotas (!). Tirou um pouco do requinte e da harmonia do conjunto visual.

Eficiência absurda

Muitos devem imaginar — eu incluso — que um carro híbrido, ainda mais o Prius, não deve ser tão divertido de guiar. No entanto, essa imagem logo é refutada. A combinação dos dois motores (um a gasolina de 98cv e 14 kgf/m e outro elétrico de 72cv e 16,6 kgf/m) dá ao Prius um desempenho bem interessante tanto na cidade quanto na estrada, mesmo com o peso total dele sendo de 1790kg. São quatro os modos de operação: Power, que privilegia mais o motor à gasolina; Eco, que privilegia mais o motor elétrico; Normal, que faz bem a mescla dos dois; e, por fim, o EV Mode, que usa exclusivamente o motor elétrico.

No modo Power, o Prius fica mais ligeiro, responsivo e arisco, mesmo sendo um sedã médio comportado. O câmbio CVT, que usa uma manopla em estilo joystick, casou bem com os motores, e entrega o torque quase que imediatamente, fazendo com que ele tenha arranques consistentes e retomadas em velocidade dignas de um carro de maior potência. Neste modo, porém, o consumo é um pouco mais elevado. Em nossos testes, o modo Power marcou 15km/l. Para o leitor ter uma ideia, é como se tivéssemos com um 1.0 em mãos (em termos de consumo).

Quando alternamos para o modo Normal, o consumo médio vai para 18km/l, e o desempenho do carro fica mais equilibrado. Esse modo é o ideal para quem usa muito o Prius na estrada ou deslocamentos com mais pessoas no veículo, pois alia bem a potência com o uso do combustível.

(Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Já com o Eco, o modo que mais utilizamos em nosso teste, é que vemos e sentimos o quão bom é ter um híbrido na garagem. O consumo foi assustador: 20km/l. Tudo bem que, neste modo, o carro fica mais anestesiado, mas nem de longe preocupou na estrada ou na cidade.

O ponto negativo neste quesito, porém, vai para o quarto e último modo: o EV Mode. Ao ativar somente o motor elétrico, o Prius, evidentemente, fica mais lerdo, mas não podemos nos manter neste modo por muito tempo. Com uma acelerada um pouquinho mais forte, o EV Mode já se desligava automaticamente. Ele parece ter sido pensado para aquele trânsito bem carregado, em que temos que fazer deslocamentos mínimos. Tudo bem que ele pode ser útil, mas, convenhamos, não poder usá-lo em sua plenitude é decepcionante.

Apesar desse probleminha com o EV Mode, o Prius nos surpreendeu no quesito desempenho. E o melhor de tudo: com quase nenhum ruído. Mesmo com dois motores, o silêncio domina a cabine e não incomoda nem um pouco. Mesmo quando aparece o ronco do motor a gasolina, este é muito suave — e até gostoso.

Vale lembrar que, por ser um híbrido, o Toyota Prius é isento do rodízio e tem direito, na cidade de São Paulo, de reaver 40% do IPVA.

E a bateria?

A bateria híbrida de níquel, responsável por alimentar o motor elétrico do Prius, antes localizada no porta-malas, foi transferida para a parte inferior direita do banco traseiro desde sua versão 2016 (a mesma que a atual, testada pelo Canaltech), contribuindo para a redução do centro de gravidade e aprimorando a estabilidade na condução do veículo, sem comprometer o espaço interno para os ocupantes. Uma entrada de ar foi introduzida no banco do passageiro, otimizando o arrefecimento da bateria híbrida e melhorando sua performance.

O Prius não é um híbrido plug-in, ou seja, para ser carregado, ele não precisa ser espetado na tomada. Ele possui um sistema de freios regenerativos (ver imagem abaixo), que acumula a energia cinética gerada durante as frenagens e a transforma em energia elétrica, alimentando a bateria híbrida. O motor a combustão também leva energia à bateria.

(Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Como não é possível utilizar o Prius 100% em seu modo elétrico, não é possível saber qual seria a autonomia da bateria. Nós, porém, rodamos com o carro um pouco mais de 400 quilômetros, e o medidor do tanque de gasolina ficou um pouco abaixo da metade. Levando em conta que o Prius possui um compartimento de 43 litros, não é nada mal. Um usuário comum, no dia a dia, sem exageros, deve abastecer o Prius, em média, uma vez por mês. Salvo exceções.

Na cabine, pontos fortes e fracos

Tal qual a parte externa, o interior do Prius é bem excêntrico, por assim dizer. O painel de instrumentos fica na região central superior, reunindo todas as informações do funcionamento do veículo, como os motores, consumo, velocidade, combustível, temperatura externa e ações do GPS e do ar condicionado. Tem quem goste. Mas, aquele ar futurista faz com que deixemos isso passar. Para comprovar como o design do painel é controverso até para a Toyota, ela deu um jeito de espelhar o velocímetro digital no para-brisa, para que o motorista não se perca no olhar.

Seu isolamento acústico é digno de um carro de luxo, transmitindo uma sensação das mais agradáveis, mesmo com acelerações fortes na estrada e no circuito urbano. E isso contribui, claro, para aquela sensação de nave espacial que descrevemos acima.

Painel do Prius é bem diferentão, mas logo a gente se acostuma (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Na parte de entretenimento, a bola dentro foi o sistema de som da JBL, um dos melhores do mercado. São quatro alto-falantes e seis tweeters, que espalham bem o som tanto para os ocupantes da frente quando de trás. No entanto, os pontos positivos nesse quesito param por aí.

Sistema de som da JBL é o destaque no infotenimento (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

A central multimídia de 7 polegadas é bem obsoleta, com tela sensível ao toque muito imprecisa, layout arcaico e menus bem cosnfusos, não havendo a possibilidade de espelhamento com Android Auto e Apple Car Play. Para um carro desse valor, é inadmissível e passa um ar de desatualização que incomoda. Nem mesmo a TV digital e o GPS nativo, que está desatualizado, salvam nessa questão. No entanto, o pareamento com smartphones é bem fácil, o que possibilita ouvirmos as nossas músicas e utilizar o telefone para ligações. É possível, também, ter todas as informações referentes ao consumo e modos de condução na tela do multimídia.

(Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Completam os itens de conforto: ar condicionado digital de duas zonas, aquecimento e resfriamento dos bancos dianteiros, retrovisores automáticos, espelho fotocrômico, vidros e travas elétricas nas quatro portas, Smart Entry nas portas dianteiras (destravamento das portas por proximidade da chave), Start Button (sistema de ignição simplificado ao toque de um botão), controle de lombar para o motorista, controle de cruzeiro adaptativo, carregador sem fio para celulares compatíveis, duas entradas USB, uma entrada para cartão microSD e ajuste de profundidade e altura para o volante.

Segurança respeitável e manutenção que não assusta

Se o Prius deixa a desejar no infotenimento, o mesmo não podemos dizer no quesito segurança. Você se sente muito seguro dirigindo este automóvel. Entre os itens — todos de série — estão os sete airbags (duplo frontal, duplo lateral, dois de cortina e um de joelho para o condutor); alerta sonoro para uso do cinto de segurança nos assentos dianteiros; três apoios de cabeça com regulagem de altura para os passageiros do banco traseiro; cintos de segurança de três pontos e pré-tensionadores para todos os ocupantes; câmera de ré projetada na tela de LCD com alerta sonoro; imobilizador por código eletrônico na chave; luz auxiliar de freio; sistema de larme com acionamento à distância e travas de segurança para crianças nas portas traseiras. Além dos faróis de neblina em LED dianteiros, presentes na geração anterior, o Novo Prius recebeu luz de neblina traseira, também em LED.

Conjunto de LED do Prius é extremamente eficiente (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Como ponto negativo, por mais que a câmera de ré seja muito bem posicionada, a falta de sensores de estacionamento é algo que não poderia acontecer, ainda mais se tratando de um automóvel deste tamanho e com esse preço.

O Prius possui um plano de manutenção fechado que prevê seis revisões ao longo de seis anos, além da garantia de três anos oferecida pela Toyota. Segundo a montadora, esse serviço é bem similar ao que é apresentado no Corolla, o que, convenhamos, deixa o proprietário muito tranquilo.

Vale muito a pena, mas precisa se atualizar

O Toyota Prius presente no mercado brasileiro é, sem dúvida, um automóvel completo e extremamente eficiente. Se avaliarmos somente pela intenção deste híbrido, que é a de oferecer conforto absoluto e economia de combustível, não tem como não dar nota máxima. A experiência com ele é excepcional.

No entanto, quando levamos em conta o preço e a ausência de certos itens, sobretudo de conectividade, fica claro que este carro está um pouco desatualizado, principalmente se o compararmos ao seu modelo europeu mais recente. Com o Corrola hibrido flex chegando no fim do ano, o futuro do Prius parece incerto em solo brasileiro, então cabe à Toyota trabalhar para deixá-lo ainda melhor e diferenciado.

Em um mercado dominado por SUVs e carros compactos, o Toyota Prius consegue aliar o que esses dois tipos de veículos oferecem, que é justamente o conforto de um SUV e a economia de um compacto. Apesar das ressalvas, vale muito a pena.

O Toyota Prius utilizado nesta análise foi gentilmente cedido ao Canaltech pela Toyota do Brasil.

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