BGS 2019 | Jogo dos Vingadores não é a bagunça que acham, mas precisa melhorar

Por Rafael Arbulu | 14 de Outubro de 2019 às 13h38
(Imagem: Divulgação/Square Enix)

Enfim, conseguimos mais alguns detalhes que podem dar um bom direcionamento aos rumos de Marvel’s Avengers, o jogo que a Square Enix está desenvolvendo para o PlayStation 4, Xbox One, PC e Google Stadia por meio do estúdio Crystal Dynamics (famoso por Tomb Raider). Durante a Brasil Game Show (BGS) 2019, o Canaltech pôde acompanhar uma apresentação com informações inéditas do título, além de testar o game em si no estande da Sony.

Para começar, precisamos recapitular algumas informações já conhecidas, mas reforçadas oferecidas a jornalistas em uma apresentação a portas fechadas pelo porta-voz e gerente de relações públicas Steven Ruygrok (que pediu que fotos e vídeos não fossem feitos da ocasião, daí as imagens de acervo ao longo do texto): Avengers trará um enredo que se estende por anos. As demos vistas na E3 e Gamescom — e também na BGS 2019 — refletem o jogo em seu momento mais inicial.

Marvel’s Avengers começa durante o “Dia A”, onde os heróis titulares estão celebrando a inauguração de um segundo quartel-general em São Francisco e revelando um novo porta-aviões movido por um cristal terrígeno (a mesma substância que, nos quadrinhos, desperta habilidades mutantes latentes e aparece com frequência nas histórias com os Inumanos). Eis que, durante as festividades, terroristas da IMA (Ideias Mecânicas Avançadas) atacam, causando uma destruição massiva que mata milhares de pessoas. Os Vingadores, considerados culpados pelo caso, desbandam e se separam, com o Capitão América supostamente morto.

Esse é o panorama estabelecido pela demo que vem rodando o mundo nos eventos da indústria. Após isso, você assumirá o papel dos heróis do supergrupo, mas toda a história se desenrola sob o ponto de vista de Kamala Khan, a Miss Marvel, que durante os eventos de São Francisco acabou exposta à Névoa Terrígena advinda do cristal, desenvolvendo poderes. É controlando ela que você deverá encontrar e convencer os Vingadores a se reunirem.

Segundo Ruygrok, Marvel’s Avengers não é “apenas sobre salvar o mundo, mas também sobre salvar os próprios Vingadores”. A ideia da Square Enix, de acordo com o executivo, é a de oferecer pontos de vista específicos a cada herói durante o jogo, criando ocasiões e episódios especiais que remetem a cada um dos personagens e o que eles vinham fazendo ao longo dos cinco anos em que se ambienta o enredo. Tony Stark, por exemplo, se vê sem a fortuna e a tecnologia avançada do Homem de Ferro, sendo forçado a “se virar” de forma mais “crua”.

Khamala Khan, a Miss Marvel, será a personagem principal do jogo (Imagem: Divulgação/Square Enix)

O jogo contará com um quartel-general para os heróis, onde você poderá customizar os personagens e seus equipamentos. Ruygrok falou sobre destravar roupas e trajes que são comuns a quem é fã dos heróis nos quadrinhos. Hulk, por exemplo, pode apresentar os trajes e trejeitos de Joe Fixit (o Hulk Cinza). Embora isso não tenha fica muito claro na apresentação, é seguro pensar que essas são apenas mudanças visuais, sem impactar o gameplay (então não, não devemos ver Avengers apresentando o mesmo aprofundamento de, digamos, Spider-Man, onde cada roupa conferia poderes diferentes ao herói). Outros trajes poderão ser adquiridos via conteúdo extra por download (DLC) e materiais pós-lançamento voltados a regiões específicas estão nos planos da Square Enix.

O QG também permitirá que você escolha os tipos de missões a serem executadas. Elas se dividem em dois pilares específicos: Heroes Missions são as missões principais, que avançam o enredo do jogo e são protagonizadas pelos heróis. Aqui, você enfrenta chefões representados por vilões da Marvel, como o Treinador (que, ironicamente, também aparece em Marvel’s Spider-Man) e o Abominável. Naturalmente, há um elo narrativo relacionando vilões, missões e heróis específicos.

Já as Warzone Missions são onde Marvel’s Avengers traz seu elemento multijogador: em partidas singulares ou cooperativas de até quatro pessoas, você poderá escolher com qual herói deseja jogar. O ponto foi apenas brevemente abordado na apresentação, mas é confirmado que as missões multiplayer permitirão apenas que você escolha heróis até o ponto do enredo principal que você tenha chegado, a fim de evitar que você priorize um modo sobre o outro. Ah, e não há modo cooperativo local: essa parte do jogo é 100% online.

Customizações e adaptações

Um ponto interessante de Marvel’s Avengers será a capacidade de customização dos personagens e seus equipamentos. Dentro do QG, uma interface bastante intuitiva mostra que é possível instalar componentes que trazem aprimoramentos aos personagens e, obviamente, ampliam suas capacidades de combate direto. O que não ficou claro, porém, é se tais melhoramentos são restritos a personagens específicos (“esse equipamento X não serve para os bastões da Viúva Negra, mas fortalecem os repulsores do Homem de Ferro” etc.) ou se vale tudo para todos.

Outro ponto interessante é que, conforme a demo nos mostrou, cada herói conta com um supergolpe próprio. Mas ao invés de implementá-los como um movimento especial e prontamente esquecer dele, a Crystal Dynamics mostrou que eles também passam por upgrades: Steven Ruygrok esclareceu que as melhorias instaladas também terão um impacto na forma de um herói ser controlado e nos efeitos causados pelos seus movimentos. Todos os aprimoramentos são categorizados, de comuns e obtíveis em qualquer missão; a extremamente raros ou épicos, que você só terá como loot após derrotar um chefão. Ajustados por um esquema de cores, tais itens lembram bastante a nivelação que vemos em Destiny ou outros jogos que têm esse aprofundamento.

Principal objetivo em Marvel's Avengers será reunir os Vingadores titulares, que se separaram após um evento onde tudo deu errado (Imagem: Divulgação/Square Enix)

Um detalhe despertou nossa curiosidade: embora as customizações se tornem mais óbvias para heróis como, digamos, a Viúva Negra e o Homem de Ferro (que usam aparatos tecnológicos para executar suas missões), o mesmo não pode ser dito para Hulk e Thor, haja vista que o primeiro é a resultante monstruosa de uma radiação e o outro é um deus. Ambos, no caso, dependem de suas próprias forças e, teoricamente, não necessitam de tais mudanças, então personalizá-los pode ser um desafio interessante à criatividade do time de desenvolvimento. Ruygrok, porém, não mostrou como isso funcionaria a um nível tão específico, então só podemos especular.

Mas afinal de contas: é bom ou ruim?

Neste ponto, nenhum dos dois: quando foi revelado pela primeira vez, Marvel’s Avengers chegou à indústria como um balde de água fria. Um jogo altamente esperado que, quando finalmente deu o ar da graça, estava bem aquém do que gostaríamos. Essa má impressão, querendo ou não, ainda persiste.

Isso se torna especialmente evidente quando paramos para avaliar certos engasgos visuais e de gameplay meio esquisitos: jogando com Thor ou Capitão América é onde isso fica mais visível — ambos são talvez os personagens cujo combate corpo a corpo seja o mais próximo do “humano” (ou tão “humano” quanto possível para um supersoldado e uma divindade nórdica, mas enfim…), mas a detecção de impacto ainda parece estar mal calibrada. Socos leves resultam em oponentes voando metros para trás, ao passo que golpes que partiriam um humano ao meio mal param em alguns escudos (e pelo amor de Odin, tirem uma página do aprendizado de God of War e dêem a Thor uma barba dignamente viking e não a de um pré-adolescente com pelos colados na cara!).

E os loadings... Durante a demo reservada à imprensa, os jornalistas tiveram que esperar uma boa parcela de tempo em fila, onde a experiência de um acabava, os monitores do estande limpavam controles e fones e reiniciavam o software. Isso mostrou-se tedioso: as intermissões de carregamento entre uma cena e outra no jogo são desnecessariamente longas. Em um momento, contei sólidos 27 segundos passados. O motivo de tudo isso, ninguém sabe. Talvez nem a Square Enix saiba, mas esperamos que estejam melhorando isso de alguma forma.

Agora, o lado bom é que, com base em tudo o que vimos da apresentação, nosso momento de teste do jogo e as impressões à distância de eventos no exterior, podemos afirmar com segurança que dá, sim, para ter esperança de que Marvel’s Avengers seja o jogo d’Os Vingadores que esperamos há anos. A demo da BGS, por exemplo, estava mais detalhada do que aquela que vimos na E3. Não apenas no visual aprimorado, mas na progressão de gameplay também. Foi bem divertido executar combos com perfeição e o ponto alto da demo foi, de longe, o da Viúva Negra: a sua parte no pouco que jogamos é a mais completa de todos os heróis. Existe uma fluidez na jogabilidade e a variação de poderes e golpes de cada herói remetem a uma pegada que mistura God of War e a série Arkham de Batman, exigindo que você bata, bloqueie e se esquive enquanto interage com elementos do cenário de forma bem aprofundada.

Apesar dos erros, saímos da experiência com boas esperanças. Agora, é esperar o lançamento de Marvel’s Avengers, marcado para 15 de maio de 2020 para PlayStation 4, Xbox One, PC e Google Stadia.

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