Limeware está de volta, mas legalizado e com foco em NFTs

Limeware está de volta, mas legalizado e com foco em NFTs

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 09 de Março de 2022 às 11h15
Reprodução/LimeWire

O LimeWire, popular serviço de compartilhamento de arquivos dos anos 2000, está de volta à internet, porém com uma diferença essencial: o foco agora é a criação de colecionáveis digitais no setor de músicas, como tokens não fungíveis (NFTs) e outros itens.

A empresa planeja assinar contratos com artistas de renome nesta fase inicial, com o intuito de atrair interessados para comercializar NFTs, como fotos, vídeos e até álbuns inteiros com músicas exclusivas. A ideia é que esses ativos digitais possam ser comprados e vendidos como ocorre nos principais marketplaces de artes digitais, com a possibilidade até de lucrar em cima da especulação.

Interessados podem se inscrever em uma lista de espera para obter informações sobre o lançamento em primeira mão (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Um dos diferenciais deste LimeWire de 2022 é a legalidade de tudo, portanto será preciso pagar pelos itens com cartão de crédito, criptomoedas ou transferência bancária. Os pagamentos serão feitos no próprio sistema e com toda a tecnologia criptográfica que se espera da Web3.

Ainda não está claro qual blockchain será utilizada, mas a equipe por trás do app pretende fechar com uma que possibilite o suporte adequado para as transações baseadas em criptoativos. Aliás, essa é uma decisão importante que pode afetar o sucesso: uma rede desconhecida pode desencorajar a participação de muita gente, mas uma sobrecarregada (e cara), como a Ethereum, também poderia ser prejudicial.

A expectativa é colocar o novo LimeWire no ar em maio de 2022. O projeto é liderado pelos irmãos Julian Zehetmayr e Paul Zehetmayr, que trabalham juntos há mais de uma década e adquiriram os direitos de uso da marca em 2021. A ideia é criar um serviço que possa ser desfrutado por entusiastas do universo cripto, mas acessível também aos nada familiarizados com os conceitos da Web 3.0.

Como funcionará o novo LimeWire

Embora tenha suporte ativo a NFTs, alguns itens ficarão armazenados na plataforma do site e será necessário usá-la para ter acesso. Esse seria o caso de álbuns musicais ou videoclipes, possivelmente para combater a disseminação não autorizada. Um site que já foi referência em pirataria agora luta para combatê-la.

Os compradores teriam acesso a uma espécie de grupo ou comunidade com outros fãs do artista. Não há servidor do Discord nem grupo do Telegram, pois tudo deve ser comercializado, conversado e mantido no LimeWire. Você até pode negociar suas aquisições pela plataforma, mas não poderá retirar para outro lugar — apenas imagens, como artes da capa, cunhadas na blockchain serão liberadas para outros serviços.

Com essa centralização o serviço estuda liberar a revenda de contas, porque assim as pessoas poderiam repassar seus perfis quando precisassem de dinheiro. Ainda não está claro como a plataforma funcionará exatamente, mas parece um conceito único, que pode confundir muita gente.

O que foi o LimeWire

Quem acessava a internet nos anos 2000 certamente ouviu falar bastante do LimeWire, considerado um dos irmãos do Kaazaa e do Emule, dois aplicativos famosos que permitiam a troca de arquivos no sistema peer-to-peer, ou seja, entre pessoas. O diferencial do Lime era o apoio de dois importantes protocolos da época: gnutella e BitTorrent, este que cresceu e hoje é a principal fonte de pirataria na web.

O Limewire era uma solução para baixar músicas e clipes entre 2000 e 2010 (Imagem: Reprodução/Free Limewire)

Como não havia serviço de streaming e as plataformas de vídeo ainda estavam engatinhando, sistemas P2P eram um refúgio para quem precisava escutar música ou assistir a séries. Tudo era feito de forma ilegal, obviamente, já que os arquivos trocados eram criados pelos próprios usuários.

Mesmo com toda sua popularidade, o software era criticado por causa dos conteúdos trocados, violação da privacidade e uso por criminosos para distribuição de malwares. Além disso, as ações judiciais se acumularam ao ponto de fazer com que os proprietários encerrassem o produto em 2010.

Fonte: The Next Web  

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