Como criar um NFT: sites e ferramentas para você vender suas artes

Como criar um NFT: sites e ferramentas para você vender suas artes

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 20 de Fevereiro de 2022 às 12h00
pikisuperstar/freepik

Os tokens não fungíveis estão em alta desde 2021 e muita gente quer saber como criar NFTs. A inspiração para isso são os criadores de artes que lucram milhões de dólares com a venda de seus NFTs, por isso é compreensível que você queria saber como pode fazer seus próprios tokens.

Criar uma coleção de artes exige alguns conhecimentos básicos do que é um NFT e quais habilidades técnicas são necessárias para produzir, divulgar e vender suas criações. É preciso ter familiaridade com ferramentas de design, saber operar nos sites de comércio de tokens e noções de marketing para divulgar seu produto.

Se você é artista ou designer, talvez possa listar seus NFTs para venda (Imagem: Reprodução/Pixabay)

NFT são tokens digitais que contém arquivos únicos em uma blockchain, ou seja, em uma rede segura onde transações são efetuadas. Diferentemente das criptomoedas, no qual cada token é igual, os NFTs são objetos digitais únicos — uma foto, uma música, um arquivo, um item ou personagem de jogo, por exemplo — que possuem somente um proprietário.

Como você é o dono do token, tem total liberdade para fazer o que quiser dele, como trocá-lo ou vendê-lo. Alguns NFTs permitem até que os compradores modifiquem o conteúdo, embora fazer isso possa reduzir o valor do seu bem.

O que pode ser um NFT?

Essa é uma questão difícil de se responder, pois diariamente surgem novos tipos de usos. Em geral, é preciso ser algum item digital, mas pode estar vinculado também a obras de arte do mundo real ou objetos físicos. Nesses casos, a chave privada para uma carteira contendo o NFT geralmente é embutida ou fornecida com a peça.

A Christie's até leiloou uma escultura física do "1º humano nascido no metaverso", que vinha acompanhado de um NFT. O lance ganhador comprou o item por US$ 28,9 milhões (R$ 156 milhões em conversão direta), sendo que o artista garantiu atualizações regulares e vitalícia para a obra.

Ainda assim, é muito mais comum que obras de arte digitais, músicas, GIFs e vídeos virem NFT. Até mesmo colecionáveis de videogame podem ser representados com tokens digitais, assim como produtos de participação financeira. A arte cripto e os NFTs não se limitam apenas a um formato, então o céu é o limite quando se trata de criatividade dos desenvolvedores.

A Adidas misturou produtos da sua marca (tênis e agasalhos) com a coleção Bored Ape, uma das mais populares do planeta (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

O que você precisa saber para criar um NFT

Para criar um NFT, você precisa estar familiarizado com o conceito de cunhar, ou "mintar", como a comunidade brasileira passou a chamar. A criação de um token exige uma blockchain específica, como a Ethereum, a Polygon ou a Binance Smart Chain (BSC), mas os itens criados serão armazenados em carteiras virtuais ou físicas.

Não há regra que proíba dois ou mais NFTs de conterem o mesmo arquivo, embora cada token seja exclusivo daquele proprietário. Algumas artes em NFTs consideradas raras possuem apenas 10 cópias "mintadas", enquanto as mais comuns podem ter milhares de versões iguais registradas na blockchain.

Também não há nada que impeça alguém de pegar um arquivo original de NFT para criar uma coleção sua própria, embora seja possível identificar essa cópia pelos registros da blockchain. Aliás, muita gente que não conhece o mercado acaba caindo em golpes assim: acha uma arte com preço muito baixo e compra uma "versão pirata", sem valor comercial.

É possível vender qualquer arquivo digital como um token não fungível, inclusive há ferramentas prontas que permitem a cunhagem rápida de arquivos. Fazer isso, contudo, deixará as suas vendas limitadas aos formatos suportados, como JPG ou AVI. O importante a se saber é que seu primeiro NFT provavelmente será uma imagem, vídeo ou áudio de algum tipo.

Por onde começar nos NFTs?

Além da blockchain da Ethereum e do Bitcoin, há outras igualmente famosas na Web3 (Imagem: Reprodução/Binance)

Agora que você já sabe o que pode ser vendido como um NFT e quais as regras do jogo, fica mais fácil iniciar o processo de produção. A maioria das plataformas de criação de tokens permitem fazê-lo de graça, mas é fundamental considerar as taxas de transação, popularmente chamadas "gás" (são pagas aos mineradores).

Praticamente tudo feito na blockchain tem um custo de gás: cunhar um NFT, transferir para outra carteira, listar para venda ou colocá-lo em um leilão. Há de se considerar ainda que algumas transações podem falhar e a pessoa perder o dinheiro pago, já que nenhuma rede garante 100% das operações.

Redes muito congestionadas ou populares, como a Ethereum e a BSC, costumam ter quantias maiores para realização de tarefas como cunhar os arquivos. Enquanto na Polygon você pagaria menos de um centavo de dólar por transação, na Ethereum o comprador pode desembolsar algumas centenas de dólares. Por outro lado, optar por redes diferentes pode reduzir bastante o público-alvo interessado na compra das NFTs.

A maioria dos mercados NFT mais populares do planeta — OpenSea, Rarible, SuperRare e Mintable — são executados na rede da Ethereum. Outros mercados menores, como o Tofu NFT e a Binance, operam na BSC e são voltados para o comércio de NFTs envolvendo games. Saber dessas nuances é fundamental para o sucesso na venda da sua coleção artística.

Preciso usar um marketplace para criar um NFT?

Em teoria, não, mas é infinitamente mais vantajoso usar as ferramentas já existentes. Se quiser fazer por conta própria, será necessário criar um contrato inteligente, implantá-lo na blockchain desejada e produzir manualmente cada um dos tokens a serem vendidos. Além da trabalheira, isso exigirá elevado conhecimento em programação e a chance de dar erro é grande.

A não ser que você seja um técnico gabaritado, o que provavelmente não é porque está lendo este artigo, vai precisar de uma ajudinha neste momento inicial.

Como criar um NFT

Deixe a carteira pronta

O primeiro passo para criar seus NFTs é criar uma carteira própria, que serve para armazenar suas criptomoedas e demais ativos digitais, seja os que você compra ou "minta". Há vários tipos de modelos para todos os gostos, mas o que o usuário precisa ter em mente é a compatibilidade com a blockchain usada.

A melhor opção é a MetaMask, pois tem amplo suporte e é facilmente instalada como uma extensão para o Chrome (e navegadores criados sobre a base do Chromium, como Edge e Opera). Ela também oferece uma versão para iOS e Android, portanto permite o acesso aos NFTs em computadores de mesa, celulares ou tablets.

Após configurar a carteira (você deverá criar uma senha e guardar suas seeds em um local seguro), será preciso conectá-la no mercado NFT desejado. É só procurar por um botão escrito "Connect" ou algo assim, normalmente posicionado no canto superior direito ou esquerdo da tela. Faça as confirmações exigidas na MetaMask e prossiga.

Para comprar e vender NFTs é preciso ter uma carteira de criptomoedas e saldo em conta (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Depois de conectar sua carteira, você chegará à página que usa para criar um NFT. Se não chegar lá, procure por um botão Criar (ou Create) que todas plataformas colocam em algum local.

O início da criação do seu primeiro NFT

Os detalhes do processo inicial de registro do seu token varia conforme o site, mas, em linhas gerais, ele é praticamente o mesmo em todas as situações. As localizações ou nomes do recurso podem ser diferentes, por isso faça uma busca por termos parecidos.

Neste tutorial, o passo a passo será feito pelo OpenSea, porque é o site mais famoso e o mais simples de se começar.

  1. Acesse a sua foto de perfil ou imagem de avatar no canto superior direito da tela;
  2. Procure pela opção "My Collections";
  3. Clique no botão "Create a Collection";
  4. Um pop-up da MetaMask surgirá com o pedido de assinatura, que deverá ser confirmada para prosseguir;
  5. Agora você deverá preencher todas as informações solicitadas: logo, imagem de exibição, banner, nome da coleção, descrição e outros dados.

Criada a coleção, você será levado à página de inicial onde ficarão suas futuras artes digitais. Localize o botão azul no canto superior direito escrito "Add Item" para subir seu primeiro NFT para a OpenSea.

Cada coleção deve ter sua própria identidade visual e informações sobre os NFTs relacionados (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Para começar, clique na caixa com um ícone de imagem, que permitirá que você faça o upload do arquivo que você venderá como NFT — certifique-se de observar as limitações de tamanho e extensões suportadas. Após adicionar o arquivo, será necessário dar um nome ou título para ele, apontar links externos para URLs importantes, como site ou redes sociais, além de descrevê-lo para informar aos potenciais compradores do que se trata.

Depois de preencher tudo, adicione o item na sua coleção para organizar melhor as vendas. Lembre-se que suas criações devem ter relação entre si, assim o comprador pode entender do que se trata o conjunto e adquira seu produto mais facilmente. Se a sua coleção for dedicada a personagens de videogames, por exemplo, destaque isso e leve o máximo de informações possíveis, como o tipo de mídia, o ano de criação e a inspiração.

O OpenSea também permite adicionar texto como conteúdo desbloqueável, o qual somente o comprador ou proprietário da NFT poderá ver. Isso pode ser usado para entregar um link de acesso a um servidor privado do Discord, um site externo com conteúdo exclusivo ou até uma mensagem simpática de agradecimento pela compra.

Na blockchain Ethereum, só é possível cunhar uma cópia única de NFT, enquanto a Polygon permite a criação de várias cópias idênticas. Marque a sua opção favorita e revise se todos os dados foram preenchidos corretamente antes de encerrar a hospedagem do seu token digital com o clique no botão "Create".

Quando o processo tiver sido concluído, você verá uma tela final com a confirmação de que seu NFT foi criado com sucesso. Parabéns, agora você já pode se considerar dentro do universo de criptoativos.

Onde criar um NFT?

Aqui vai uma lista dos principais sites que posso usar para criar seu próprio NFT:

  • OpenSea
  • Rarible
  • Enjin
  • Binance
  • Forge
  • Proton Mint
  • Cent

Como vender um NFT

Seu NFT ainda não estará à venda no OpenSea, porque você precisará entrar na página do item e pressionar o botão Vender. Agora chega a parte mais importante: saber quanto você ganhará pelo comércio dos itens.

Você terá a opção de criar uma listagem por um preço fixo ou, na blockchain da Ethereum, poderá definir um leilão cronometrado. Para o primeiro caso, basta inserir o valor pelo qual deseja vender o item e escolher por quanto tempo o "produto" ficará no ar. Será necessário fazer algumas confirmações/assinaturas de transações com a sua carteira Metamask para garantir que o item será listado.

Após listar o valor desejado, os usuários darão lances pelos seus NFTs: quem ofertar a maior quantia compra (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Pronto, agora o seu item estará disponível para compra e será exibido para possíveis interessados. Vale lembrar que você terá que aprovar uma transação única para liberar sua carteira para rodar a rede da Ethereum — e para isso será necessário ter saldo para pagar o gás.

Há também uma taxa embutida da OpenSea que varia conforme o preço do gás no momento da listagem. Esses valores são bem elevados e podem variar entre US$ 30, em momentos de menor movimento, para até US$ 800 em horas de pico, por isso é bom monitorar a melhor hora em sites como o Ethereum Gas Station.

Como resgatar o dinheiro dos NFTs vendidos?

Feita a conversão, é só enviar a ordem de saque para uma conta bancária (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Agora que você já conseguiu acumular uma graninha (ou ficou milionário, quem sabe), chegou a hora de transformar o dinheiro virtual em real. Você pode fazer isso em alguma corretora que lide com a compra e venda de criptomoedas.

É só sacar o valor arrecadado em Ethereum ou outra moeda dos marketplaces e fazer a conversão nos sites das corretoras. Por lá, é possível trocar praticamente todas as moedas famosas do planeta, inclusive transformá-las em dinheiro real. É só criar uma conta, colocar suas criptomoedas à venda pelo preço desejado e trocar por reais ou dólares.

Em corretoras de fora do Brasil, o processo para receber o dinheiro é um pouco complicado. Mas em sites com operação no país, como a Binance, dá para receber a quantia em moeda corrente local via Pix ou transferência bancária — há cobrança de taxa sobre o valor sacado.

Fonte: The Verge, Binance  

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