Esqueceu o nome de um conhecido? Solução da Meta é “pesadelo de privacidade”
Por Vinícius Moschen |

A Meta pode introduzir uma funcionalidade de reconhecimento facial em seus óculos inteligentes Ray-Ban Meta. A ferramenta, que chegaria ainda neste ano, serviria para dar informações contextuais sobre outras pessoas, com base no que está disponível nas redes sociais e outras fontes online.
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O projeto é denominado internamente como "Name Tag", e funcionaria em conjunto com o assistente de inteligência artificial da Meta.
Mark Zuckerberg, CEO da empresa, deseja usar essa tecnologia para diferenciar os dispositivos da Meta da concorrência, dentro de um contexto de expansão do segmento de eletrônicos vestíveis com IA.
Anteriormente, a funcionalidade teria o objetivo de ajudar em termos de acessibilidade: documentos internos de maio de 2025 sugeriam o lançamento inicial para participantes de uma conferência para cegos.
A liberação ao público geral ocorreria após essa etapa, o que não se concretizou na data prevista.
Um problema de privacidade
Mesmo que nem tenha sido lançado, o recurso já gera discussões sobre os limites da privacidade e proteção de informações pessoais.
Portais internacionais apontam que a Meta explora as definições de quem poderá ser identificado pelo sistema. A tecnologia deve abranger pessoas que o usuário já conhece através das plataformas do grupo, além de perfis públicos em redes como o Instagram.
Portanto, o "Name Tag" não deve permitir a busca universal de qualquer pessoa encontrada na rua, por exemplo.
Mesmo assim, Nathan Freed Wessler, da American Civil Liberties Union, alerta que o reconhecimento facial nas ruas ameaça o anonimato prático.
A Meta tem um histórico de problemas judiciais associados ao tema. Afinal, a empresa já foi obrigada a pagar cerca de US$ 2 bilhões (ou R$ 10 bilhões em conversão direta) para resolver processos em Illinois e Texas por coleta de dados faciais sem permissão.
Em 2019, a empresa também recebeu uma multa de US$ 5 bilhões (~R$ 26 bilhões) da FTC, entidade estadunidense de proteção de direitos do consumidor.
Já em 2024, estudantes de Harvard demonstraram como os óculos Ray-Ban Meta poderiam ser usados com a ferramenta PimEyes, que identificou estranhos no metrô de Boston em tempo real.
A mudança de estratégia da Meta
A Meta acredita que o atual cenário político nos Estados Unidos é favorável para o lançamento do recurso, já que os riscos à privacidade e liberdades civis são atenuados por um contexto em que grupos da sociedade civil "teriam seus recursos focados em outras preocupações".
Os novos planos da empresa representam uma mudança de postura em relação a 2021, quando o Facebook encerrou seu sistema de reconhecimento facial em fotos após críticas regulatórias.
Em janeiro de 2025, a Meta teria relaxado seus processos de revisão de riscos de privacidade, medida que visou diminuir a influência das equipes de compliance para acelerar o desenvolvimento de produtos.
Outros recursos dos novos óculos
Para além dos recursos de identificação, a Meta trabalha em um conceito chamado internamente de "Super-Sensing". Trata-se de um sistema que prevê câmeras e sensores funcionando continuamente nos óculos, para registrar ações rotineiras e dar dicas.
A tecnologia poderia, por exemplo, lembrar o usuário de tarefas pendentes ao reconhecer visualmente um colega de trabalho. No entanto, é possível que o produto mantenha um LED branco aceso continuamente para indicar que o recurso está ativo.
O setor de dispositivos vestíveis está em rápida expansão com o surgimento de novos competidores. A EssilorLuxottica, responsável pelos óculos Ray-Ban Meta, informou que vendeu mais de 7 milhões de unidades do produto em 2025.
Relatos recentes indicam que a Apple planeja lançar seus próprios óculos inteligentes até o final deste ano, com foco em câmeras, microfones e IA — ou seja, sem recursos de realidade aumentada nesta fase.
A Samsung e a OpenAI (responsável pelo ChatGPT) também desenvolvem ou aprimoram dispositivos vestíveis com inteligência artificial.