Para não serem extintos, orelhões agora oferecem sinal 3G e internet Wi-Fi

Por Redação | 06 de Maio de 2014 às 13h52
photo_camera Divulgação

Se hoje temos facilidade para fazer ligações usando um smartphone em qualquer lugar, antes éramos reféns de orelhões e telefones públicos. E segundo um levantamento feito pelo G1, esses equipamentos estão, aos poucos, desaparecendo das ruas do país. Em média, 120 orelhões são retirados das praças e avenidas de cidades de todo o Brasil por dia.

De acordo com o estudo, um terço dos aparelhos saiu de circulação, totalizando atuais 875 mil – em 2004, eram 1,3 milhão. São cerca de 4,3 orelhões para cada mil habitantes, perto do mínimo exigido pelo plano geral de metas para universalização (4 a cada mil), em vigor desde 2011 e válido até o ano que vem. Esse plano é um conjunto de obrigações para concessionárias que prestam serviços de telefonia fixa ampliado para o regime público. Neste caso, as empresas devem oferecer acesso ao serviço de telecomunicações a qualquer pessoa, seja qual for sua localização e condição socioeconômica.

Em junho será colocado para consulta pública um novo edital para determinar a quantidade mínima e densidade de orelhões espalhados pelo país. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de equipamentos nas ruas deve cair ainda mais e chegar a apenas um aparelho para cada mil habitantes no período que vai de 2016 a 2020. Os estados brasileiros com menos orelhões são Roraima (2.620), Amapá (3.068) e Acre (3.201). São Paulo é o estado que possui mais dispositivos (203.698), seguido de Minas Gerais (88.205) e Rio de Janeiro (72.099).

O novo plano que está em discussão sugere que a redução de orelhões não seja linear em todo o país. Ou seja, locais onde o uso dos aparelhos é maior poderão perder menos equipamentos, enquanto localidades com baixo uso deverão sofrer uma redução maior. Mesmo assim, a Anatel acredita que a utilização dos orelhões continuará em declínio – hoje, são realizadas apenas duas chamadas por dia por meio desses aparelhos. Na visão da agência, isso é resultado de "avanços tecnológicos, como o surgimento da internet, da maciça utilização dos celulares e de novas necessidades de comunicação da população".

Entidades de defesa do consumidor criticam o projeto de redução de orelhões nas ruas. Maria Inês Dolci, coordenadora institucional do Proteste, afirma que os equipamentos são essenciais para todos, principalmente para os cidadãos que têm pouco acesso à telefonia fixa (e móvel). Ela diz que "as empresas têm o dever de cuidar do patrimônio e não têm feito isso", o que, consequentemente, prejudica a utilização dos dispositivos. "Se eles [os orelhões] estão obsoletos, é porque não trocaram. Se não estão adequados, é porque não houve investimento. Se você vai a um orelhão duas, três vezes e vê que não funciona, você não volta. E o problema é que não há fiscalização", explica.

De acordo com dados atualizados da própria Anatel, cerca de 15% dos orelhões estão em manutenção e, portanto, fora de funcionamento. Juarez Quadros, ex-ministro das Comunicações e consultor da empresa de consultoria de comunicações Órion, afirma que o alto custo é um dos motivos para a pressão pela redução do número mínimo de orelhões nas ruas. "O orelhão tem um custo de manutenção muito alto em função do vandalismo. As empresas têm que fazer uma manutenção adequada em grande parte dos terminais. Isso faz com que haja uma despesa acentuada e a relação custo-benefício não é propícia para manter a planta instalada nas vias públicas", diz.

Alternativas

Orelhão

(Foto: Thiago Reis/G1)

Para não correrem o risco de serem extintos, os orelhões precisaram se reinventar. Uma das soluções encontradas pelas fabricantes dos aparelhos é configurá-los para realizar ligações por meio das redes 2G e 3G do celular, além de servirem como pontos de internet Wi-Fi. Segundo empresas e especialistas do setor, os equipamentos adotaram padrões da telefonia móvel e atendem agora a uma estratégia das operadoras, que buscam instalar dispositivos que não elevem seus custos de implantação.

"As operadoras estão sendo obrigadas a atender áreas onde não há a linha física ou a linha física fica mais cara do que uma cobertura com o 2G ou 3G", afirma o gerente de projetos especiais da fabricante de orelhões Icatel, Francisco Matulovic. O executivo ainda diz que o 4G não está nos planos, pelo menos por enquanto, porque "exige uma mudança muito grande no aparelho e requer investimento".

Os orelhões com 3G e Wi-Fi são similares aos modelos convencionais que já estão instalados nas ruas. Segundo Matulovic, os "orelhões-celular" podem custar até 50% mais caro devido às adaptações internas, mas também porque possuem uma bateria interna ligada à rede elétrica que garante autonomia de até duas horas em caso de apagão. O executivo diz que foram entregues cerca de 400 aparelhos 3G para a Telefônica-Vivo e que outros dispositivos serão enviados.

Além da Icatel, a Urnet Daruma também possui um modelo próprio de orelhão-celular. A companhia já fez testes com os equipamentos em São Paulo há três anos, quando testou os aparelhos para serem hotspots de Wi-Fi e terminais multimídia que fornecem chamadas de videoconferência e conexão à internet. Novos testes devem acontecer no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, a pediido da Oi.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.