Edtechs crescem pegando carona no recorde brasileiro de aberturas de MEI

Edtechs crescem pegando carona no recorde brasileiro de aberturas de MEI

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 04 de Outubro de 2021 às 20h40
Reprodução/Freepik

O número de microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil hoje corresponde a 68% dos 18,4 milhões de pequenos negócios brasileiros, o que dá 12,5 milhões de profissionais nesta categoria, de acordo com dados recentes do Sebrae. Deste número, 1,6 milhão foi aberto só no primeiro semestre deste ano. E um dos nichos que mais se beneficiaram disso foram o das edtechs, startups com modelo de negócios baseado em plataformas de educação.

Isso porque muitos brasileiros que se viram sem emprego entraram no empreendedorismo por necessidade. No caso específico das edtechs, elas receberam os MEIs que optaram por repassar seu conhecimento em cursos online. Isso cresceu na pandemia de covid, mas já era uma tendência crescente. Em abril do ano passado, um estudo da Associação Brasileira de Startups com o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) apontou que o Brasil teve um aumento de 23% no número de edtechs em dois anos.

O crescimento continuou até agora. De acordo com relatório da plataforma Distrito, existem no Brasil 559 edtechs — os dados foram fechados no final de 2020. Elas se distribuem por sete categorias: ensinos específicos (22,4%), novas formas de ensino (22,2%), plataformas para a educação (20%), ferramentas para instituições (17,5%), foco no estudante (11,1%), conteúdo educativo (4,1%) e financiamento do ensino (2,7%).

Em março deste ano, a plataforma brasileira de cursos Hotmart se tornou unicórnio, com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. Em maio, a empresa adquiriu a startup Wollo, cuja atuação permite a sites, podcasts e canais do YouTube rentabilizarem seu conteúdo em um modelo de assinatura.

Imagem: Compare Fibre/Unsplash

A tendência de crescimento não é só brasileira. O e-learning global deve crescer 16,9% ainda neste ano, com aumento anual estimado de 18% até 2025, o que daria US$ 185 bilhões (R$ 926 bilhões) injetados no setor nos próximos quatro anos, segundo o portal financeiro Definanzas.

E o que as pessoas buscam em cursos online? A edtech GetCourse levantou os com mais pesquisas em sua plataforma. São eles: renda financeira, tópicos relacionados à profissão, psicologia, relacionamentos, crescimento pessoal e informações de negócios. Ou seja, a crise financeira não só está transformando muita gente em microempreendedores como também levou outros a ampliarem seu conhecimento profissional para manter-se atualizado no mercado.

“É importante reconhecer a proporção de empresários que criam seu próprio negócio por necessidade e os resultados já alcançados por eles, que agora podem alcançar a estabilidade financeira por meio do próprio serviço”, afirmou Alexey Krasnoselskiy, chefe de expansão internacional da GetCourse, em comunicado à imprensa.

“No ano passado, principalmente por causa das medidas de isolamento social criadas pela pandemia de covid-19, vimos uma aceleração do mercado de e-learning em todas as frentes: novos empresários pretendendo ensinar, um aumento no grupo de pessoas que quer estudar online e novas tecnologias que auxiliam nesse cenário”, destaca Krasnoselskiy. “Este é um espaço que tende a crescer nos próximos anos pelos benefícios do mobile learning [ensino via celular], como acessibilidade e flexibilidade”.

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