MPEG-5 EVC: entenda o formato de vídeo apoiado por Qualcomm, Huawei e Samsung

MPEG-5 EVC: entenda o formato de vídeo apoiado por Qualcomm, Huawei e Samsung

Por Rafael Arbulu | 16 de Maio de 2020 às 09h00

Empresas como Qualcomm, Samsung e Huawei anunciaram seu apoio ao formato de vídeo MPEG-5 EVC (sigla em inglês para Codificação Essencial de Vídeo), alegando que ele trará um novo patamar de inovação na tecnologia de veiculação deste tipo de mídia. Para a comunidade especializada, isso pode representar uma nova briga na indústria.

Explicando: atualmente, existe um esforço para implementação do já conhecido codec “HEVC” (sigla em inglês para Codec de Vídeo de Alta Eficiência), com especialistas afirmando que esse padrão pode trazer o mesmo grau de qualidade das resoluções de vídeo mais altas, mas reduzindo o tamanho de arquivo e, consequentemente, aliviando a transmissão da mídia.

O MPEG-5 EVC, porém, já começa a crescer nesse setor como uma opção mais viável: de acordo com as três empresas citadas acima, o novo formato promete reduzir ainda mais o tamanho de arquivos de vídeo em alta resolução — especificamente, 26% de redução de algo que, por conta própria, já era uma redução em si.

Uma imagem de televisor que reproduz conteúdo em 8K de resolução (Imagem: Divulgação/Samsung)

O segredo é o bitrate

Quando assiste a um vídeo pela internet, ou mesmo quando faz o download e reproduz um vídeo localmente pelo seu próprio computador, há uma boa chance de você já ter encontrado o termo “bitrate”. Basicamente, isso se traduz para “bits por segundo”, que por sua vez deve ser entendido como o volume de dados transmitido para a execução de um vídeo.

Dessa forma, fica fácil compreender uma fórmula vista por muitos editores de vídeo no mercado: Tamanho de arquivo = bitrate x duração. Em outras palavras, quanto maior o bitrate, maior será o arquivo do vídeo e a resolução dele. O problema é que isso também tem seu lado negativo, já que mais bitrate equivale a mais dados analisados ao mesmo tempo e, consequentemente, a demanda por largura de banda (para vídeos veiculados pela internet) e/ou processamento (impacto na placa de vídeo e processador da máquina) será maior.

A ideia por trás do MPEG-5 EVC é justamente estabelecer um padrão de vídeo que permita a mais alta qualidade, casada aos tamanhos de arquivos menores e uma demanda reduzida de processamento. Em uma era onde o 4K está se tornando o novo padrão e o 8K começa a ser um futuro bem próximo, sem falar na quantidade de vídeos ao vivo disponibilizados pela rede e aplicações em realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e realidade mista (MR), é fácil entender como isso vai aos poucos se tornar uma necessidade.

Por que um e não o outro?

Não que exista uma “briga” entre o atual HEVC e o novo MPEG-5 EVC, mas alguns percalços burocráticos podem aparecer aqui: uma maior adoção do segundo pode significar uma redução majoritária de apoio ao primeiro. O motivo disso é simples — patentes.

Juridicamente falando, codecs mais antigos contavam com uma espécie de “patente mestra” (o termo não é bem esse, mas é uma forma simples de se entender o conceito de “patent pool” referido aqui) cujo uso era aplicável por qualquer empresa que se metesse a fazer qualquer coisa com vídeos, desde companhias veiculadores de mídia até fabricantes de dispositivos capazes de gravar ou reproduzir arquivos do tipo.

Com o HEVC, “o buraco é mais embaixo”: a imagem abaixo mostra como ele conta com pelo menos três patentes mestras. Como as patentes possuem registros atrelados a entidades específicas, seu uso por outras empresas pode implicar em licenciamentos bem caros ou, em pior caso, violações de propriedades intelectuais.

(Imagem: Reprodução/IBC.org)

No caso do MPEG-5 EVC, isso não existe: segundo uma apresentação do formato promovida pelo consórcio IBC, o novo codec tem um “perfil de base disponível sem royalties e componentes tecnológicos individuais amarrados a este perfil podem ser desligados”. Basicamente, por esse entendimento, não há como uma empresa que licencie o novo codec esbarrar em alguma violação de propriedade intelectual e, mesmo na improvável possibilidade de isso acontecer, basta apenas desabilitar o uso do elemento problemático, sem impacto na oferta em si.

Qualcomm, Huawei e Samsung emitiram um comunicado em conjunto, afirmando que, da parte delas, as três empresas “vão oferecer termos justos, razoáveis e sem discriminação” para seus componentes tecnológicos essenciais emprestados ao novo codec. Se outras empresas partirem desse mesmo princípio, o HEVC pode dar lugar ao MPEG-5 EVC como um padrão pulverizado por toda a indústria.

Claro, ainda existe um outro rival nessa tangente: o modelo AV-1 também é um codec que traz zero obrigações de royalties, então é importante não descartá-lo. Entretanto, o benefício recai sobre o consumidor: seja você um usuário ocasional de tecnologias de vídeo ou um criador de conteúdo, ter mais qualidade com menos recursos gastos é sempre uma boa pedida.

Fonte: IBC.org; Wondershare

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