Apple e Google aprimoram proteção de dados do novo “rastreador de COVID-19”

Por Claudio Yuge | 24 de Abril de 2020 às 18h40
Pixabay

A Apple e o Google anunciaram no dia 10 de abril uma nova tecnologia que usa Bluetooth e permite rastrear pessoas que tiveram a COVID-19 ou algum contato com infectados. Esse monitoramento será opcional e vem sendo projetado para funcionar por uma plataforma mais robusta que uma API (sigla em inglês para Interface de Programação de Aplicações), capaz de interconectar os sinais de dispositivos Android e iOS.

Agora, as companhias anunciam mais medidas para proteger a privacidade dos usuários, justamente para evitar problemas relacionados à exposição de detalhes dos consumidores — que é a principal discussão com relação às soluções semelhantes neste momento de pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Resumidamente, funciona assim: a API ajuda aparelhos iOS e Android a se comunicar entre si, enviando sinais de rádio Bluetooth, que são armazenados nos telefones, tablets e outros com os sistemas operacionais. Quando os voluntários indicam que são/foram portadores da COVID-19, as empresas enviam alertas para os chips que estiveram em contato próximo com o casos positivos nos últimos 14 dias, com a informação de que essa pessoa foi exposta a um possível contágio e recomendações médicas do que fazer em seguida.

Divulgação/Google

No Brasil temos iniciativas semelhantes, com uma varredura sobre o deslocamento geral da população, feita a partir do cruzamento de dados de operadoras — cidades com mais de 500 mil habitantes podem aderir gratuitamente a essa coleta de “mapa de calor” de movimentação em tempos de confinamento. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, vinha trabalhando em uma solução federal, que acabou sendo barrada, justamente por questionamentos com relação à privacidade.

Ajuste na proteção de dados

A tecnologia da Apple e do Google segue em construção e deve começar a ser ativado em maio, com a promessa de se tornar muito mais que uma API, e sim uma plataforma completa, mas que atenderá somente a pandemia do novo coronavírus e depois será encerrada. Por isso, já adiantando o serviço para evitar problemas, as gigantes trabalham em ajustes para melhor proteger os dados e esclarecer exatamente como funciona esse rastreamento.

Desde o início do projeto, a discussão tem sido pública, com documentos compartilhados junto a pesquisadores, parceiros e críticos de segurança. O primeiro ponto definido facilmente é o fato dessa utilidade estar bem destacada e explicada, com a ativação feita pelo usuários, e não por padrão. Para garantir mais segurança, a Apple e o Google prometeram usar uma melhor criptografia, para embaralhar ainda mais as informações de identificação. As empresas também estão de olho nos próprios dados sobre o dispositivo, como o modelo de um telefone e a intensidade do sinal — o que poderia oferecer sua localização mais precisa.

Mudança de terminologia e próximos passos

A Apple e o Google esperam que as autoridades de saúde criem aplicativos a partir dessa API/plataforma e se dispuseram a fornecer suporte para isso. Elas afirmam que montar um app próprio será fácil e intuitivo e, caso as instituições e profissionais queiram, poderão optar por alguns exemplos já prontos, inclusive com a possibilidade de renomeá-los. Uma das diretrizes impostas pelas gigantes é mudar a terminologia para “notificação de exposição”, em vez de “rastreamento de contatos” — o que poderia esclarecer melhor seu uso e ajudar a afastar a desconfiança por parte dos usuários.

Google e Apple prometem melhor criptografia dos dados (Reprodução/Pixabay)

Esses ajustes já agradaram especialistas em segurança, como Jennifer Stisa Granick, consultora de vigilância e segurança cibernética da organização não governamental norte-americana União Americana pelas Liberdades Civis. “A promessa de que a Apple e o Google desligarão a API é muito bem-vinda. Nós apenas queremos ter certeza de que isso é algo verificável e que haverá uma revisão independente para garantir que os compromissos assumidos sejam cumpridos”, comentou.

Agora, as empresas devem seguir com o cronograma de desenvolvimento até meados de maio, quando os programadores das autoridades interessadas devem recebem as APIs. Em seguida, os utilitários devem ser lançados ainda no mês que vem, quando veremos se as pessoas realmente vão adotar esse programa.

Fonte: CNET  

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