Agora ficou sério: Spotify, Tinder e outros criam ONG contra comissões da Apple

Agora ficou sério: Spotify, Tinder e outros criam ONG contra comissões da Apple

Por Ramon de Souza | 24 de Setembro de 2020 às 23h00

A situação acaba de ficar tensa de verdade para a Apple. Diversas empresas e aplicativos de renome se juntaram para criar uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de lutar, de formas legais e oficiais, contra alguns abusos que a Maçã pratica na sua loja App Store — com destaque, é claro, à infame taxa de 30% que é cobrada na maioria das microtransações realizadas dentro dos aplicativos publicados no marketplace.

A iniciativa, batizada como Coalition for App Fairness (algo como Coalizão para a Justiça de Apps, em uma tradução livre para o português) foi fundada por nomes de peso como Spotify, ProtonMail, Deezer, Match Group (dona das marcas Tinder, OkCupid, PlentyOfFish e outras plataformas de relacionamento), Basecamp e, é claro, Epic Games. Foi a desenvolvedora de Fortnite que iniciou toda a “revolta” mercadológica.

“A CAF defenderá a aplicação e reformas, incluindo mudanças legais e regulatórias, para preservar a escolha do consumidor e um campo de jogo nivelado para desenvolvedores de aplicativos e jogos que dependem de lojas de aplicativos e as plataformas de gatekeeper mais populares”, explica a aliança, em um comunicado oficial direcionado à imprensa.

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Além da cobrança abusiva dos 30% sobre microtransações (que, segundo fontes, já trouxe nada menos do que US$ 15 bilhões de lucro para a companhia), a CAF também protesta contra a falta de liberdade do consumidor (ao ser proibido de instalar aplicativos de fora da App Store) e supostas práticas que sufocam a competitividade ao limitar o alcance de determinados softwares que possam lhe representar algum “perigo”.

Imagem: Reprodução/Coalition for App Fairness

“As liberdades básicas dos desenvolvedores estão sob ataque. Estamos nos juntando à CAF para defender os direitos fundamentais dos criadores de criar aplicativos e fazer negócios diretamente com seus clientes. Defendemos qualquer empresa que esteja pronta para reivindicar seus direitos e desafiar os comportamentos anticompetitivos que existem nas lojas de aplicativos hoje”, afirmou Tim Sweeney, CEO e fundador da Epic Games.

“Acreditamos que a Apple criou um novo normal perigoso, que lhe permite abusar de seu poder de monopólio por meio de taxas punitivas e censura que sufoca o progresso tecnológico, a liberdade criativa e os direitos humanos. Pior ainda, criou um precedente que encoraja outros monopólios de tecnologia a se envolverem nos mesmos abusos. Com a CAF, esperamos esclarecer essas questões e incentivar a mudança regulatória para o benefício dos consumidores em todo o mundo, complementa Andy Yen, fundador e CEO da ProtonMail.

Até o momento, a Apple não se pronunciou sobre a coalizão.

Fonte: Coalition for App Fairness

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