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Venda de iPhones diminui 20% em um ano e a China é a maior culpada

Por Rafael Rodrigues da Silva | 09 de Janeiro de 2019 às 11h35
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A queda no número de iPhones vendidos tem sido um dos assuntos dominantes do setor de tecnologia nos últimos meses, mas até então ainda não tínhamos nada que comprovasse em números essa tendência. Mas, graças a um relatório da Counterpoint Research, finalmente temos algo mais concreto para analisarmos.

Os resultados da pesquisa são referentes ao mês de novembro de 2018, e mostram um número bastante preocupante: de acordo com com os dados levantados pela empresa, a Apple vendeu 20% menos iPhones comparado ao mesmo período do ano anterior.

Comparação das vendas de iPhones entre novembro de 2017 e novembro de 2018 (Imagem: Counterpoint)

O gráfico também mostra uma mudança no perfil consumidor de um ano para o outro: enquanto em 2017 o aparelho mais vendido em novembro pela empresa foi o iPhone X (o modelo mais caro lançado no ano), com 10 milhões de unidades vendidas, no mês período de 2018 o mais vendido foi o iPhone XR (o modelo mais barato lançado no ano), com apenas 6 milhões de unidades.

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Nos motivos para essa queda, a Counterpoint concorda com o CEO da Apple, Tim Cook, e culpa a China pela diminuição dos números de iPhones vendidos. Mas, ainda que a venda de smartphones no país tenha caído como um todo — a agência de notícia Reuters revela que, em 2018, o mercado de smartphones chinês diminuiu entre 12% e 15,5%, e é esperada uma nova contração em 2019 — os motivos para a queda das vendas da Apple vão além de uma diminuição natural da demanda.

Gráfico mostra uma tendência de diminuição das vendas da Apple no mercado chinês nos últimos três anos (Imagem: Canalys)

De acordo com o The Wall Street Journal, a Apple tem vendido pouco no país não apenas pelo alto preço da marca (já que os mesmos recursos do iPhone XR podem ser facilmente encontrados em aparelhos de outras marcas chinesas, que custam bem menos) como também se vê vitimada por um sentimento anti-estadunidense que tem dominado o país desde o início da guerra fiscal iniciada pelo presidente Donald Trump, e que se aflorou ainda mais depois da prisão da CFO da Huawei.

Assim, mesmo clientes antigos da Apple no país estão abandonando a marca e trocando por aparelhos de empresas locais, como a Xiaomi, a Huawei, a OPPO e a Vivo. E, de acordo com o jornal, esse sentimento tem aos poucos se espalhado também para a Índia, o que pode fazer com que as vendas da Apple na região caiam ainda mais nos próximos meses.

Mas a Apple não é a única que tem sofrido problemas com a retração do mercado na China: pela primeira vez em dois anos, a Samsung também anunciou uma redução em suas expectativas de receita para o quarto trimestre de 2018, que sofreu uma diminuição de 12% em relação às expectativas iniciais. E, ainda que a empresa não tenha revelado mais detalhes, ela deu a entender que a ascensão das marcas de smartphone chinesas foi um dos principais fatores para essa diminuição.

Ainda é muito cedo para condenar a Apple como uma empresa "no vermelho", mas as tendências de mercado mostram que a companhia precisa rever muitas coisas se quiser voltar a ser uma marca dominante mundialmente — principalmente a sua política de preços. Mas, enquanto isso, é bom os acionistas se prepararem para alguns meses difíceis, porque números como esses não são solucionados de um mês para o outro.

Fonte: MacMagazine

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