Review Realme 8 Pro | Um bom intermediário com câmera de 108 MP

Review Realme 8 Pro | Um bom intermediário com câmera de 108 MP

Por Jucyber | Editado por Léo Müller | 10 de Julho de 2021 às 10h00
Ivo/Canaltech

O Realme 8 Pro chegou ao Brasil para dar ao público mais uma opção de intermediário e promete entregar bom desempenho e conjunto com câmeras competentes para a categoria.

No quesito fotos, a marca chinesa traz como diferencial um sensor principal com 108 MP, prometendo entregar mais qualidade nas imagens e entrar na “corrida dos megapixels” com outra gigante da China, a Xiaomi.

Mas o fato do smartphone ter recursos herdados do Realme 7 Pro, e até mesmo alguns downgrades, pode gerar dúvidas nos consumidores. Sendo assim, será que vale a pena comprar o celular? Veja na análise completa.

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Prós

  • Tela Super AMOLED;
  • Bom desempenho para jogos;
  • Câmera de 108 MP e fotos com boa nitidez;
  • Gaveta tripla de chips;
  • Conexão P2 para fones de ouvido.

Contras

  • Falhas na tradução da interface;
  • Mesmo processador da geração anterior;
  • Som mono;
  • Falta de proteção oficial contra água e poeira.

Confira o preço atual do Realme 8 Pro

Design e Construção

Visualmente, o Realme 8 Pro é um celular que pode ser considerado bonito à primeira vista e tem um corpo mais fino do que alguns concorrentes intermediários, como o Redmi Note 10 Pro.

A traseira dele é revestida em plástico, mas o material tem um toque diferenciado que passa a impressão de que a fabricante buscou ter um cuidado maior na hora de desenvolver o design do celular.

  • Dimensões: 160,6 x 73,9 x 8,1 mm
  • Peso: 176 gramas

Mesmo que esse aspecto possa ser criticado por quem prefere vidro na traseira de celulares, é preciso ter em mente que o Realme 8 Pro se trata de um aparelho intermediário e não premium.

Algumas marcas usam acabamento em plástico inclusive em modelos definidos como “topos de linha”. O dispositivo da Realme possui quatro câmeras na parte traseira. Elas geram uma protuberância, mas não o suficiente para incomodar em superfícies planas e deixar o celular desequilibrado.

Olhando o 8 Pro rapidamente, é possível perceber que o módulo onde são aplicadas as lentes traz um visual semelhante ao usado pela Samsung no S20 Ultra.

Na lateral direita do aparelho, a marca traz apenas dois botões, sendo o maior para controlar o volume e o menor para ligar o aparelho.

Algo que me incomodou bastante na traseira foi a presença do slogan “Dare to Leap” escrito em uma fonte exagerada, deixando de lado o aspecto limpo que me agrada mais. 

Conexões

Entre as conexões adicionais, o Realme 8 Pro traz na lateral esquerda uma gaveta tripla, permitindo o uso de dois chips de operadora em conjunto com um cartão de memória microSD.

Já na parte de baixo, estão as outras entradas físicas do celular, sendo a conexão 3,5 mm (P2) para plugar fones de ouvido com fio, e a porta USB-C para uso do carregador ou transferência de dados para outros dispositivos.

Em relação às tecnologias adicionadas no smartphone, ele conta com Bluetooth 5.0, possibilitando o uso de diversos aparelhos sem fio conectados simultaneamente. Outro ponto positivo é a presença do modo Wi-Fi ac, que permite usar internet sem fio em duas bandas, seja de 2,4 GHz ou 5,0 GHz.

Para quem gosta de realizar pagamentos via aproximação, a presença do NFC dá acesso a essa opção, um grande ponto positivo para quem está interessado em abrir mão do cartão físico para adotar a opção virtual via Google Pay.

Tela

Um grande ponto positivo do Realme 8 Pro é a tela, pois a chinesa em ascensão manteve neste celular o display Super AMOLED de 6,4 polegadas. É isso mesmo, não adicionou nem reduziu em nada o tamanho que já havia sido aplicado no antecessor.

O visor tem resolução Full HD+ de 2400x1080 pixels, mas não traz nenhuma tecnologia adicional que disponibilize melhorias na hora de visualizar vídeos. Porém, isso não desfavorece a experiência como um todo, já que o brilho do display é muito bom, assim como a fidelidade na reprodução de cores.

Tela Full HD+ do Realme 8 Pro (Imagem: Ivo/Canaltech)

Algo que faz falta no intermediário é a taxa de atualização maior do que 60 Hz, um recurso que impactaria diretamente no estilo de uso para quem gosta de jogar no smartphone, e até mesmo na navegabilidade em páginas com mais texto. Não precisava ser nada super avançado como 120 Hz, mas 90 Hz já bastariam.

Mesmo com o aproveitamento da face frontal pela tela superior a 83%, o celular ainda tem espaço no canto esquerdo para adicionar a câmera frontal no entalhe em formato “Infinity-O”, estando presente de maneira discreta.

Mas é preciso ter atenção na hora de usar o celular em jogos, pois posicionamento da lente pode afetar algumas informações. Então, o ideal é girar o celular para evitar esses problemas.

Configuração e Desempenho

O 8 Pro traz a Realme UI 2.0, baseada no Android 11. A empresa é nova, e isso fica bem nítido quando o usuário começa a mexer um pouco mais na interface.

Isso porque, ao entrar no menu de configurações, é notório que existem erros na forma como o sistema foi traduzido. Um exemplo prático é a presença das opções “Tela”, maneira como se traduz display no Brasil, enquanto uma alternativa na mesma categoria descreve o visor como “Ecrã”, a forma usada em Portugal.

Essa mescla de idiomas mostra falhas na identificação dos idiomas por parte dos desenvolvedores, além de ser algo que confunde quem não tem tanta familiaridade com esses termos. 

Quem acompanha o mercado mobile há mais de 4 anos, vai lembrar que a Xiaomi e a ASUS já passaram por problemas de tradução em suas interfaces, mas a maturidade e o feedback do público ajudaram a resolver tal situação.

Então, penso ser questão de tempo para que a Realme realize esses ajustes e possa entregar elementos que fazem realmente sentido nos idiomas aplicados nas configurações iniciais do celular.

Para quem gosta de jogar, é possível ter acesso ao modo gamer, com opções adicionais para uma experiência de jogo melhor. Entre os recursos presentes nessa área, estão os dados a respeito do uso do processador, placa de vídeo e taxa de quadros por segundo em que o game está sendo rodado.

Junto com isso, temos os botões que permitem silenciar ligações e notificações, fazer prints ou gravar a tela. Para quem grava gameplays, é possível escolher entre o áudio interno ou o do microfone.

O hardware responsável pelo desempenho do Realme 8 Pro é essencialmente o mesmo que vimos no 7 Pro. Ambos são equipados com a plataforma Snapdragon 720G da Qualcomm, possuem 8 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno.

Na prática, o 8 Pro não entregará qualquer ganho em desempenho quando comparado com o antecessor. Mesmo assim, ele roda todos os jogos com a qualidade alta sem dificuldades, e a navegabilidade em diversos aplicativos é sempre rápida.

Segurança

Para segurança, o Realme 8 Pro traz duas opções de biometria. A principal é a leitura de digitais, sendo feita através do sensor aplicado sob a tela, que funciona no formato óptico. Ele é rápido, preciso e ainda ajuda a propagar uma tecnologia adicional neste celular.

Outra opção é o leitor facial, mas esse exige um pouco mais de atenção de quem for utilizar, porque uma simples olhada já é suficiente para que o smartphone seja destravado.

Porém, um grande ponto negativo desse recurso é o fato dele desbloquear o celular, mas ainda fazer com que o deslize do dedo sob a tela seja necessário para entrar na tela inicial, criando um movimento adicional que poderia ser descartado.

Câmera

O Realme 8 Pro traz um módulo com quatro câmeras na parte traseira e mais um sensor focado em selfies na parte da frente, permitindo uma versatilidade no uso e tornando a experiência fotográfica ser ainda melhor.

Câmera Principal

A lente principal é o grande destaque, já que entrega uma qualidade total de 108 MP, com abertura f/1.8. Ao contrário de algumas câmeras adicionadas em modelos concorrentes, esta consegue realmente demonstrar uma nitidez maior.

Para o consumidor, o Realme 8 Pro mostra que faz sentido colocar uma boa câmera de alta qualidade em um celular intermediário, desde que esta definição vá além da teoria, como é o caso deste celular.

Câmera ultrawide

Em fotos no formato ultra grande-angular, a câmera de 8 MP proporciona uma angulação de 119°, e ajuda a exibir mais elementos do cenário onde a captura está sendo feita. Essa câmera é uma opção interessante para quem gosta de tirar fotos de paisagens ou de grandes grupos de pessoas.

Mas mesmo com boa qualidade, infelizmente ela traz um ponto negativo. As imagens feitas com essa lente acabam apresentando uma espécie de rastro no contorno de construções como grandes prédios, e isso pode incomodar quem deseja resultados mais realistas.

Além disso, ao ativar o modo HDR em conjunto com a Inteligência Artificial, a saturação extra prejudica bastante os tons de pele, deixando as pessoas avermelhadas e comprometendo bastante o resultado.

Câmera macro

A câmera macro de 2 MP poderia ser muito melhor, mas a pouca resolução faz a nitidez das imagens ficar aquém do esperado, principalmente por ter como foco capturar os detalhes de objetos de muito perto.

Em plantas, dá para identificar partes que não seriam captadas com tanta precisão sem essa lente, mas eu ainda fico com aquela sensação de que falta algo para ser ainda melhor. Talvez se o Realme 8 Pro viesse com uma lente de 5 MP, esse resultado agradasse mais.

Modo retrato

O modo retrato é feito pela quarta lente, de 2 MP, e, para entregar bons resultados, depende da atenção do usuário.
Isso porque, em ambientes com elementos mais propícios a erros — como grades —, a câmera erra bastante na hora de desfocar. Porém, em paredes de cores neutras, ela consegue separar bem o objeto do fundo, fazendo um contorno preciso.

Modo noturno

As fotos em modo noturno do Realme 8 Pro são boas, mas não é nada que surpreenda tanto quem já teve contado com o Poco F3, por exemplo. Ele consegue ser superior ao Redmi Note 10 Pro, clareando mais os elementos ao redor e removendo o “flare” das lâmpadas e luminárias.

Mas, tentar tirar fotos de noite usando a câmera ultra grande-angular é algo não recomendável, pois as imagens ficam esverdeadas. Nessas situações, você deve sempre apelar para a câmera principal a fim de conseguir as melhores fotos.

Câmera Frontal

A câmera frontal do Realme 8 Pro tem 16 MP e abertura f/2.5 e é muito competente. Ela consegue fotos com boa nitidez, e isso se torna um bom diferencial em relação a outros celulares intermediários, como o Poco X3 NFC.

Mesmo precisando que o modo HDR esteja ativado ao fotografar no contraluz — para evitar que o céu fique com uma coloração esbranquiçada e estoure —, as selfies não ficam ruins.

Porém, é preciso ter atenção, pois o modo de embelezamento vem ativado por padrão, e o visual “embonecado” não agrada.

O modo retrato erra um pouco nos contornos, mas não é nada que atrapalhe tanto o resultado, assim como acontece na câmera traseira.

Mas, no modo noturno, as críticas são maiores, porque ele liga a tela do celular no brilho máximo para iluminar o ambiente e reflete de maneira absurda em óculos.

E, como se não bastasse isso, a definição das fotos é baixa, porque o celular força tanto uma iluminação artificial subindo o ISO que a nitidez acaba sendo comprometida.

Vídeo

Em vídeos, o Realme 8 Pro grava com resolução máxima de 4K a 30 fps, e isso é muito bom para essa categoria. O celular, felizmente, tem estabilização e a tremedeira das nossas mãos não compromete muito o resultado.

O foco é rápido, e a reprodução de cores é boa, mas ainda faz falta um modo manual para explorar a fundo os recursos de vídeo desse smartphone.

Sistema de Som

O som do celular é OK, mas poderia ser muito melhor, já que outras fabricantes chinesas provaram que não é muito difícil fazer isso. Ainda assim, dá para usar sem se incomodar tanto contando com que você não exagere no volume. Quanto mais alto o som, mais as distorções aparecem para estragar a sua festa.

Infelizmente o aparelho vem com apenas uma saída mono, e isso prejudica a experiência do usuário em vários aspectos, deixando o celular abaixo de alguns concorrentes que já adotaram saídas estéreo.

A presença da entrada P2 para fones de ouvido e caixas de som externas pode compensar um pouco, mas ainda é lamentável um celular deste patamar não ter investido mais na parte de som.

Bateria e Carregamento

A bateria do Realme 8 Pro possui 4.500 mAh de capacidade e promete uma boa autonomia. Na prática, o uso da Realme UI sem muitas opções que poderiam afetar essa capacidade faz o aparelho ter a durabilidade dentro do prometido pela marca.

Uma grande vantagem e diferencial deste modelo é o carregador rápido de 50 W, capas de repor a bateria do celular até 50% em 22 minutos, chegando aos 100% em apenas 59 minutos. Impressionante!

Contudo, esse resultado poderia ser ainda melhor se a empresa tivesse mantido nesta nova geração o carregador de 65 W que vinha na caixa do Realme 7 Pro.

Testes práticos

Para executar os testes práticos, é importante considerar os diversos tipos de consumidores do Realme 8 Pro. Dessa forma, a primeira fase é a demonstração do gasto energético em jogos (1 hora em cada game).

No segundo, são usados os principais streamings e plataformas de entretenimento da atualidade para analisar o comportamento em vídeos.

E, por último, mas não menos importante, a experiência diária, carregando o celular até 100% e simulando o uso de aplicativos de redes sociais e outras atividades corriqueiras.

Vale lembrar que, em todas as fases, o celular esteve com o brilho da tela ajustado em 50%, criando assim um equilíbrio com a forma de uso de parte do público. Agora, confira os resultados:

Teste número 1 - Jogos

  • Asphalt 9: o consumo foi de 12% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 8 horas.
  • Call of Duty Mobile: o consumo foi de 15% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 6 horas e 30 minutos.
  • Free Fire: o consumo foi de 10% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 10 horas.
  • PUBG: o consumo foi de 12% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 8 horas.
  • League of Legends: Wild Rift: o consumo foi de 12% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 8 horas.
  • Crash On The Run: o consumo foi de 12% de bateria, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 8 horas.

Teste número 2 - Streaming de vídeo variados

  • Netflix: a reprodução de séries gera o consumo de 10% de bateria por hora, com uma estimativa total de 10 horas.
  • Disney Plus: a reprodução de séries gera o consumo de 5% de bateria por hora, com uma estimativa total de 20 horas.
  • Amazon Prime Video: a reprodução de série gera o consumo de 13% de bateria por hora, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 7 horas e 30 minutos.
  • YouTube: a reprodução de vídeos gera o consumo de 7% de bateria por hora, com uma estimativa total de uso de aproximadamente 14 horas.

Teste número 3 – Navegação geral

Ao usá-lo de maneira normal, navegando entre apps de rede social na conexão WiFi e jogando, o resultado prático mostrou um registro de tempo com a tela ligada de 6 horas e 48 minutos em uso, uma ok autonomia para esta categoria.

Concorrentes Diretos

O Realme 8 Pro compete diretamente com o Realme 7 Pro, Galaxy A52, Redmi Note 10 Pro e Galaxy A72. A disputa com o antecessor se dá pelo fato de ele ter “reciclado” muitas configurações, e até mesmo ter um downgrade em algumas opções, como Bluetooth e potência do carregador.

Os celulares da Samsung têm o mesmo processador, mas ganham em qualidade da câmera frontal e qualidade de áudio, já que ambos possuem duas saídas de som com reprodução em formato estéreo.

Já o modelo da Xiaomi compete diretamente com o Realme 8 Pro devido à sua câmera de 108 MP, mas perde nesta comparação ao entregar uma nitidez mais baixa.

Nesse caso, a Xiaomi claramente tentou impressionar com números na tabela de especificações sem gerar uma real diferença para quem escolhe o “time laranja”.

Conclusão

O Realme 8 Pro é uma ótima opção de celular para quem está em busca de um intermediário que durará por um tempo considerável, quando se leva em conta o desempenho do chipset e a qualidade fotográfica.

A câmera de 108 MP realmente gera um diferencial que o deixa acima dos concorrentes, mesmo que a Samsung consiga ter uma superioridade em selfies e em áudio com os seus intermediários da linha Galaxy A.

Para quem joga, a bateria tem uma durabilidade boa, gastando energia dentro do esperado para a performance que ele entrega, ainda mais quando a qualidade gráfica dos games é colocada nas resoluções melhores.

Com a presença da tela Super AMOLED, assistir a vídeos é uma ótima experiência, pois a resolução aliada com a tecnologia do display entrega imagens fidedignas. O brilho também fica dentro do esperado para a categoria.

Para quem está com o Realme 7 Pro, fazer o upgrade para o 8 Pro não faz sentido algum. Eles são praticamente o mesmo celular, e o mais novo tem recursos inferiores. Porém, se o seu foco for somente as câmeras, a compra não vai gerar arrependimentos.

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